Jornal Estado de Minas

TRANSIÇÃO

Transição no agro inclui de nome próximo ao MST a quem já defendeu Salles

Os membros do setor agropecuário na equipe de transição do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciados nesta quarta-feira (16/11), vão desde pessoas com trânsito com o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e a favor da reforma agrária a quem já defendeu a gestão de Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro (PL).





 

A lista, divulgada pelo vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), inclui Neri Geller (PP-MT), deputado federal e ex-ministro de Dilma Rousseff (PT), e o senador Carlos Fávaro (PSD-MT). Eles foram responsáveis, durante a campanha presidencial, pela interlocução com empresários do setor do agronegócio.

 

Os dois têm a tarefa de reduzir a resistência a Lula na FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), que reúne quase 300 deputados e senadores. A bancada ruralista é uma das mais influentes no Congresso e faz parte da base de apoio de Bolsonaro, derrotado na corrida pela reeleição.

 

 

 

 

Outro nome que integra a lista é o da senadora Katia Abreu (PP-TO), empresária e pecuarista que foi ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento durante o segundo mandato de Dilma.





 

O também ex-ministro da Agricultura Luiz Carlos Guedes (governo Lula) foi anunciado na equipe. Ele é doutor em engenharia agrônoma, foi presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra) e tem interlocução com o MST.

 

Além de defender a reforma agrária, o ex-ministro também já se posicionou contra o alto volume de créditos subsidiados pelo governo aos produtores agrícolas.

 

Alckmin anunciou ainda o nome de Evandro Gussi. Ex-deputado federal por São Paulo, ele é presidente e CEO da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), que representa o setor de etanol.

 

 

 

 

No governo Bolsonaro, Gussi adotou uma postura de proximidade com Salles. Os dois defendiam o RenovaBio, programa para aumentar a participação dos biocombustíveis na matriz energética. O ex-deputado foi autor do projeto que criou o plano.





 

Em 2019, a Unica se posicionou, em nota, sobre a atuação de Bolsonaro na Amazônia. No texto, Gussi disse que reconhecia o compromisso do governo para coibir atos criminosos e defendeu a atuação de Salles.

 

Para compor o time da transição, também foram escolhidos Joe Valle, Silvio Crestana e Tatiana Deane de Abreu Sá.

 

Valle foi candidato ao Senado pelo Distrito Federal, é ex-deputado, engenheiro florestal e empresário.

 

Ele é filiado ao PDT e chegou a fazer campanha para Ciro Gomes, derrotado na corrida presidencial. Valle, durante a disputa, defendeu o aumento de recursos para a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

 

Crestana foi diretor-presidente da Embrapa, entre 2005 e 2009, durante o governo Lula. Em entrevistas recentes, ele defendeu que o país invista em tecnologia para reduzir a dependência de fertilizantes do exterior, além de mais recursos para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias voltadas para a agricultura familiar e sustentabilidade.





Tatiana Deane de Abreu Sá é doutora em biologia vegetal, e foi diretora-executiva da Embrapa de 2005 a 2011.

 

A transição de governo é regulamentada por uma lei aprovada em 2002 e por um decreto editado em 2010. Ela tem início com a proclamação do resultado da eleição e se encerra com a posse do novo presidente.

 

O gabinete de transição para o governo do presidente eleito foi instituído no dia 8 de novembro. O ex-ministro Aloizio Mercadante coordena os 31 grupos técnicos, responsáveis pela elaboração de programas.

 

Veja a lista de nomes