Jornal Estado de Minas

ELEIÇÃO NACIONAL

Após Zema se aliar a Bolsonaro, vice-governador de MG declara voto em Lula


Guilherme Peixoto
O vice-governador de Minas Gerais, Paulo Brant (PSDB), declarou, nesta terça-feira (11/10), que vai votar em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. O posicionamento vai na direção oposta à adotada pelo governador Romeu Zema (Novo), que escolheu apoiar e fazer campanha em prol da reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).



Rompido com Zema desde o meio deste ano, Brant afirmou que a candidatura de Bolsonaro "ameaça a democracia". Por isso, a exemplo de outros tucanos, como o ex-prefeito de Belo Horizonte, Pimenta da Veiga, o ex-senador Aloysio Nunes (SP) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, resolveu apoiar a chapa do PT.

"A candidatura Lula nos evoca lembranças negativas de governos petistas, mas, pela diversidade do seu arco de alianças, possui, em minha avaliação, melhores condições de resguardar o nosso sistema democrático. É, portanto, a minha escolha, como a de inúmeros companheiros no PSDB", disse Brant, em comunicado publicado no Instagram.

Ao justificar a opção, o vice-governador mineiro teceu críticas a tópicos relacionados ao atual presidente. "A candidatura Bolsonaro, a despeito de representar uma parcela expressiva da sociedade brasileira no que tange a diversas pautas conservadoras legítimas e democráticas, foi capturada por uma extrema-direita radical, que ameaça de fato a nossa democracia", afirmou.



No primeiro turno deste ano, Brant votou em Simone Tebet (MDB), que agora caminha com Lula. Outra ala do PSDB mineiro, por sua vez, deu apoio a Ciro Gomes (PDT).

"Nesse ponto não podemos tergiversar. Os fins não justificam os meios. A manutenção das instituições democráticas é o que importa neste momento. Só a democracia pode nos resgatar a esperança de construir uma verdadeira nação, próspera, solidária, justa e pacífica", defendeu o tucano.

Fora do Novo, Brant tentou a reeleição por outra chapa


Fora do Novo desde 2020, Brant disputou a corrida ao Palácio Tiradentes por meio da chapa liderada por Marcus Pestana, também filiado ao PSDB. Juntos, eles terminaram na quarta colocação do pleito, com menos de 1% dos votos válidos. Zema, por sua vez, teve como candidato a vice o ex-secretário-geral de Governo, Mateus Simões (Novo).

A decisão de Brant de tentar a reeleição concorrendo com Zema ampliou o desgaste iniciado com a saída do vice-governador do Novo. Em 11 de agosto, três dias após ser anunciado como parceiro de chapa de Pestana, ele perdeu, exonerados, 23 funcionários de seu gabinete.



Zema faz campanha por Bolsonaro


Empenhado na campanha de Bolsonaro após apoiar o correligionário Felipe d'Avila no primeiro turno, Zema deve trabalhar ativamente para conquistar votos para o presidente, como mostrou o Estado de Minas na semana passada. Na terça-feira (4), durante evento com o líder do governo federal em Brasília (DF), o governador justificou a decisão reforçando posição contrária a Lula e ao PT.

"Sempre dialoguei com o presidente Bolsonaro. Sabemos que, em muitas coisas, convergimos, e, em outras, não. Mas é um momento em que o Brasil precisa caminhar para frente. Acredito muito mais na proposta do presidente Bolsonaro do que na proposta do adversário", falou.

Prefeitos nutrem expectativa por um encontro com Zema e Bolsonaro nesta sexta-feira (14), em Belo Horizonte.