Jornal Estado de Minas

FUTURO POLÍTICO

Prêmio Nobel vê fake news com preocupação: 'Têm efeitos na democracia'


São Paulo - Autor dos best sellers como “Rápido e devagar: duas formas de pensar” e “Ruído: uma falha no julgamento humano”, o psicólogo, escritor e professor israelense Daniel Kahneman afirmou nesta terça-feira (30/8), em São Paulo, que as mídias sociais representam um entrave para a democracia contemporânea. Prêmio Nobel de Economia em 2002, ele afirmou que as redes criam divergências de opiniões que podem comprometer o sistema político dos países.  

"Está muito claro que as mídias sociais terão efeitos na democracia que não são bons. Elas tendem a criar polarização, porque as pessoas não obtêm informações fora da própria bolha”, afirmou Kahneman, de 88 anos, que veio ao Brasil nesta semana para participar da 5ª edição do Data Driven Business, evento promovido numa parceria entre a Bolsa de Valores do Brasil (B3) e a Neoway, empresa de Big Data Analytics e Inteligência Artificial. 




 
O psicólogo também falou sobre o risco das fakes news nos dias atuais, sobretudo em temas de grande relevância para a sociedade. Ele lembrou do surgimento de vários canais de informação, alguns dos quais não têm credibilidade perante o público.

“Anos atrás, os EUA tinham, com apenas três canais, todos com informações muito parecidas e confiáveis. Hoje,  há centenas de canais não confiáveis. E isso não é bom”, afirmou Kahneman. 
 
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“Temos que lidar com informações falsas e elas só vão piorar. As pessoas hoje criam imagens falsas e sons. E nem começou a dimensão dos problemas. A qualidade das fake news cria um problema na próxima década. Os novos programas fazem os conteúdos falsos e isso tem sido cada vez maior", afirmou o psicólogo israelense.




 
Escritor e psicólogo diz que as pessoas votam em algo que não é bom para elas, já que pensam rápido de forma efetiva (foto: Ale Frata/Divulgação)
 
Kahneman deu como exemplo o processo eleitoral, que será vivido pelos brasileiros no mês que vem. O escritor citou que a tomada de decisões pelos cidadãos muitas vezes é errada justamente porque a maioria é precipitada.
 
“As pessoas nem votam de acordo com os interesses. Eles votam em algo que não é bom para elas. Pensamos rápido de forma efetiva. Não é possível ter racionalidade técnica”, afirmou. “As pessoas sempre pensaram rápido. É assim que a mente funciona a maior parte do tempo. A gente não está interessado no outro lado, queremos ver visões mais extremas. Isso é que aumenta a polarização”, complementou.

O Prêmio Nobel também afirmou que o máximo de conhecimento pode ajudar na melhor decisão: “Quando você tem as informações, você tem de tomar a decisão. E ela é mais acertada”.




 
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Kahnemann aconselha a “pessoa a ser lenta” ao optar por um caminho que possa ainda ser obscuro. "Há um procedimento para aprimorar o julgamento humano. E nós dizemos retarde a sua intuição. O julgamento ocorre muito rapidamente.” 

Vacinação, um risco que salva vidas 

No evento, Kahneman também falou sobre o processo de vacinação infantil, que por várias vezes é desprezado pelos pais por falta de conhecimento. 

“Quando pensamos na imunização de crianças, pode ocorrer de a vacina matar. Mas quantas vidas podem que ser salvas até aceitar o risco de matar uma criança. É um número grande de vidas. Mas às vezes não aceitamos esse risco.” 

“Temos medo das vacinas, pois elas não são naturais, em contraposição à imunidade natural”, disse.
 
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Ele não comentou situações específicas vividas pelo Brasil durante a pandemia da COVID-19, nas quais diversas mães optaram por não vacinar as crianças por temerem efeitos colaterais.  
 

O "Beabá da Política"

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