Jornal Estado de Minas

200 ANOS DA INDEPENDÊNCIA

Bolsonaro vai exibir coração de Dom Pedro I como trunfo no 7 de Setembro


Correspondente em Lisboa
— Em meio ao receio do governo português sobre os rumos que podem ser tomados pelas comemorações dos 200 anos da independência do Brasil — o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, confirmou presença em evento do Sete de Setembro em Brasília —, há toda uma preocupação com uma relíquia: o coração de Dom Pedro I, que será exposto no país pela primeira vez. O órgão totalmente preservado do então príncipe que declarou a libertação do país de Portugal ficará exatos 20 dias em terras brasileiras.



O pedido de empréstimo do coração de Pedro I pelo Brasil, dentro das comemorações do bicentenário da independência, foi negociado durante meses. De início, houve muita resistência em tirá-lo do Porto, cidade escolhida em testamento pelo primeiro imperador brasileiro para ficar com a relíquia. Foi preciso um amplo processo de convencimento para que a Irmandade de Nossa Senhora da Lapa, guardiã do órgão, e, depois, a Assembleia Municipal do Porto aprovassem o deslocamento do coração real, que será transportado para Brasília por um avião da Força Aérea Brasileira (FAB).

O embarque está previsto para 21 de agosto, com retorno em 8 de setembro. A meta do presidente Jair Bolsonaro era de que o coração de Dom Pedro I — ou rei Dom Pedro IV, em Portugal — percorresse boa parte do Brasil e o empréstimo durasse um ano. Mas, depois de ouvir um grupo de peritos, a Irmandade de Nossa Senhora da Lapa limitou a permanência do órgão no Brasil por apenas 20 dias.

O coração de Dom Pedro I será recebido com honras de chefe de Estado, com salvas de canhões e acolhimento pelos Dragões da Independência, a guarda presidencial. O deslocamento da relíquia, que está num mausoléu erguido em 1837 na Igreja da Lapa, é um fato inédito. Ao longo de quase 200 anos, poucas pessoas puderam ver o coração real.



História

Dom Pedro I tinha 9 anos de idade quando embarcou para o Brasil com a família real em novembro de 1807, fugindo de uma invasão de Portugal pelas tropas francesas de Napoleão. O desembarque em terras brasileiras, mais precisamente no Rio de Janeiro, se deu em março de 1808. Em 1821, D.João VI regressa para Portugal, deixando o filho como príncipe regente do Brasil. No ano seguinte, ele se recusa a retornar para o país europeu e declara a independência do Brasil.

Quatro anos depois, em 1826, com a morte de seu pai, Dom Pedro I foi aclamado rei de Portugal, tornando-se Dom Pedro IV. Mas ele abdicou do trono em favor de sua filha, Dona Maria II. Em 1828, no entanto, D.Miguel, tio da rainha, se proclama rei absoluto de Portugal. Para recuperar o trono da filha, em 1831, Dom Pedro abdica do império brasileiro em favor de seu filho, Dom Pedro II, e retorna a Portugal.

Ele monta um exército liberal e, após dois anos de sangrenta batalha contra os absolutistas, consegue derrotar o irmão, devolvendo o reinado a Maria II. Mas, naquela ocasião, Dom Pedro já estava com a saúde bastante debilitada. Morreu em 24 de setembro de 1834, no Palácio de Queluz, em Sintra.