Jornal Estado de Minas

ELEIÇÕES 2022

Voto dos jovens eleitores acontece por influência dos pais ou amigos

O estudante Pedro Cardoso, de 17 anos, tirou o título em fevereiro, mas conta que decidiu votar nessas eleições por influência dos pais. “Eles acham importante eu tirar o título. Eu não concordo muito com muitos políticos, não tenho afinidade com nenhum, mas muito por influência deles acabei tirando o título.”





 

Segundo Pedro, se os pais não tivessem insistido, ele escolheria não votar. “Não tenho muita confiança nesse meio. É uma questão muito complicada, principalmente porque vou votar em cidade do interior. Acaba que você conhece todo mundo, mas não tenho muita confiança em ninguém e não tenho opinião formada sobre isso também.”

 

Ele diz que se informa sobre o assunto, mas não é uma área de seu interesse. “Quando tiver chegando perto do período eleitoral acaba que não tem como fugir desse assunto e procuro me informar um pouco mais também, pesquisar, ler a proposta de cada um.”

 

Sobre o desinteresse dos jovens pela política, Pedro cita como fatores a polarização e discussões com os pais. “Acaba que (a política) é um meio um pouco agressivo e violento. (Os jovens) acabam com medo de entrar nesses debates. Tem também a falta de conhecimento, achar que não vai mudar nada.”





 

Já a estudante Maria Luiza Camargos, de 17, não pretende votar nas eleições deste ano. “Quando eu fiz 16 anos estava determinada a votar. Só que o tempo foi passando e eu cada vez mais percebo a importância do voto e como um voto faz a diferença. Eu acho muita responsabilidade. Para votar, você precisa entender, querer saber, procurar, estudar, ler sobre as propostas dos candidatos. E é uma coisa pela qual eu, hoje em dia, não me interesso.”

 

“Antes eu dizia que ia votar, mas hoje vejo que estava indo votar por votar. E eu não quero isso pra mim porque sei que um voto faz diferença. Com isso, decidi não votar, por enquanto, por achar muita responsabilidade.”

 

Maria Luiza explica que não se considera preparada para fazer essa escolha de forma consciente. “A gente vê hoje em dia, principalmente na internet, dois lados muito divididos. Muitas pessoas que estão decididas a votar já têm um candidato na cabeça. Muitas pessoas também vão pela influência e eu tenho consciência de que não sei tudo sobre política como eu gostaria, para estar ciente na hora de votar.”





 

Apesar de não ser um assunto que lhe interessa, a estudante diz que acompanha os acontecimentos relacionados à política. “É impossível não acompanhar, principalmente para quem está nas redes sociais, porque é um assunto presente 100% do tempo. Só que não basta o que a gente consome nas redes sociais, é preciso ter um interesse de ir procurar, pesquisar, e não é uma coisa que eu tenho.”

 

Campanha nas redes sociais


Emili Rodrigues, de 16, é estudante de escola pública e auxiliar administrativa, mora no Bairro Paulo VI. Ela estuda de manhã, trabalha à tarde e à noite faz cursinho pré-vestibular no Centro de Referência da Juventude (CRJ), localizado no Centro de BH.

 

 

“Eu faço questão de votar, já sei o que quero para a Presidência. Tenho interesse pela política e as pessoas deveriam saber que não é chato como falam. É muito importante. Vejo jornal, sigo alguns deputados e páginas sobre o assunto e assisto a alguns canais de deputados e partidos no YouTube, além das redes sociais.”





 

Ela decidiu tirar o título por influência da amiga, a também estudante Clarice Martins de Jesus, de 17, moradora do Bairro Nazaré. As duas frequentam o cursinho pré-vestibular do CRJ. Clarice já está apta a votar desde o início deste ano e acha importante votar, mesmo ainda não sendo obrigatório.

 

“Principalmente por ser um ano de eleição para governador, presidente. Não que as outras sejam menos importantes, mas eu ainda não tinha idade (para votar). Acho que todo jovem da mesma faixa etária que eu deveria tirar o título, por mais que tenha uma opinião política diferente da minha. Todo mundo deveria demonstrar o que pensa politicamente, mesmo sendo jovem.”

 

Ela cita ainda, como motivos para exercer o voto, a situação atual do país, com inflação, aumento no preço dos combustíveis e dos alimentos. “Vejo que os jovens não se interessam por política, acham chato. A maioria dos meus amigos ainda não tirou o título. Mas, ainda mais nós que somos novos, o futuro está na mão da gente.”





 

Já a estudante Mariana Braga, de 17, ainda não tirou o título, mas pretende votar. Ela conta que a pressão para tirar o documento veio menos dos pais e mais das amigas. 

 

“Minha amiga já me mandou mensagem cobrando, perguntando que dia vou tirar o título. Ela mandou mensagem para todos no grupo perguntando quando cada um vai tirar”, diz.

 

“Vou tirar semana que vem. Acho que se você não vota, não tem muito direito de reclamar. Você se absteve do poder que você tinha. Então, se você tem alguma preferência não tem por que deixar de votar. Se acha alguma coisa ruim não tem por que não fazer nada em relação a isso.”

 

Ela confessa que não é das pessoas que mais se interessam pelo assunto. “A coisa que mais aparece hoje em dia é nas redes sociais; mesmo que você não se interesse vai aparecer no seu feed do Instagram ou do Twitter. Mas, costumo ver vídeos no YouTube e acompanho umas pessoas específicas. Já tenho certeza em quem não votar, mas para decidir em quem votar, preciso pesquisar um pouco mais.”





 

Mariana acredita que a campanha feita por famosos e influenciadores ajuda a incentivar os jovens. “Acho que faz diferença, é uma coisa que está no seu dia a dia e vai aparecer muito, você acaba lembrando. Muitas vezes, a gente não tem tempo de ver jornal, nossa rotina é muito pesada. Estamos no terceiro ano, fico 12 horas por dia na escola, praticamente todo dia. Mas TikTok sempre tenho (tempo) porque o vídeo dura 10 segundos.”

 

Com a divulgação, pelo TSE, da baixa adesão dos jovens entre 16 e 17 anos em tirar o título de eleitor, celebridades como Anitta, Juliette, Luísa Sonza, Bruna Marquezine, Gil do Vigor e Carlinhos Brown começaram a fazer uma campanha virtual divulgando como os jovens podem tirar o documento e pedindo para que eles se engajem para as eleições deste ano.


"Então, agora é isso hein... me pediu foto quando me encontrou em algum lugar? Se for maior de 16, eu só tiro a foto se tiver foto do título de eleitor", disse Anitta no Twitter.

 

A campanha da cantora chamou até a atenção do ator Mark Ruffalo, conhecido por interpretar o super-herói Hulk na franquia de filmes da Marvel, que também incentivou os jovens a tirarem o documento.





 

"Em 2020, os americanos só derrotaram Donald Trump porque os eleitores recordes usaram seus direitos democráticos, especialmente os jovens. Para derrotar Bolsonaro, brasileiros de 16 e 17 anos devem se registrar para votar nas próximas eleições. Eles têm até 4 de maio para fazer isso", afirmou o ator, após compartilhar um dos tweets de Anitta explicando como é o passo a passo para conseguir o documento.

 

Prazo e passo a passo

 

Para quem ainda não tirou o título, mas pretende votar, é preciso ficar atento, já que o prazo para solicitar o documento termina em 4 de maio. O procedimento é simples e todo feito pela internet.


Veja o passo a passo para solicitar ou regularizar o documento pela internet: