Jornal Estado de Minas

eleições 2022

Simone Tebet: "Governo quer aniquilar as minorias"



A senadora Simone Tebet criticou a política ambiental do governo do presidente Jair Bolsonaro durante o evento que oficializou sua pré-candidatura pelo MDB ao Palácio do Planalto em um hotel na Asa Sul, área central de Brasília. A parlamentar disse em seu discurso que a leniência com relação ao meio ambiente é prejudicial também ao agronegócio.




 
“Nós temos uma política ambiental desastrosa, leniente com a grilagem, de destruição da nossa biodiversidade. Essa leniência não queima apenas nossa mata, nossa biodiversidade, ela queima a credibilidade do nosso agronegócio, que alimenta o Brasil e o mundo. É preciso acabar com essa dicotomia. O país não tem prioridades, é um governo que não tem projeto, não tem plano nacional e nem regional de desenvolvimento”, disse Simone.
 
A senadora, que ganhou destaque em sua atuação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID, também criticou Bolsonaro por seu discurso de ódio, pelo desemprego no país e por “promover a discórdia e a polarização.”
 
“O governo não tem dinheiro, apesar de sermos um dos povos que mais pagam impostos. Sem prioridade e planejamento não consegue aplicar o dinheiro onde necessariamente precisa. Aí falta para o mais básico e obras de logística. Sucateia nossos parques industriais, faz com que o comércio tenha portas fechadas e impede nossos trabalhadores de serviços de poderem estar ganhando seu pão. O governo que aí está cria crises artificiais, mas é mais grave do que isso. Promove a discórdia e a polarização. Numa única palavra quer aniquilar as minorias. As minorias são hoje vítimas do gabinete do ódio que, numa estratégia muito bem preparada, tenta impedir o pensamento crítico, a oposição e a imprensa livre. Não vão conseguir”, destacou.





Conselho de Temer O ex-presidente Michel Temer enviou um vídeo de São Paulo para apoiar a pré-candidatura de Simone Tebet. Temer sugeriu que a campanha da senadora para o ano que vem fosse em cima de um programa que relembre a história do MDB e não foque somente no nome da candidata. O conselho foi interpretado como uma provocação ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao petista Luiz Inácio Lula da Silva.
 
Temer citou a redemocratização feita por Ulisses Guimarães no país, lembrou movimentações do MDB em prol de pautas sobre questões sociais, responsabilidade fiscal e preservação do meio ambiente. Aproveitou a oportunidade, também, para mencionar as reformas que ele próprio fez no Brasil.
 
“O governo, senadora Simone, produzimos reformas fundamentais para o país. Eu quero falar do teto dos gastos públicos, que eu tenho sustentado a todo momento, a reforma trabalhista, a reforma do ensino médio, a recuperação das estatais, a queda da inflação, a queda da taxa de juros, a preservação do meio ambiente — você sabe que fizemos a maior reserva marinha que o mundo conhece. Estou tomando a liberdade de sugerir esses fatos para que na campanha eleitoral não seja somente em nome de um candidato, embora a candidata seja da melhor suposição, mas que seja em cima de um programa do que fez e do que se fará. É isto que o Brasil precisa”, afirmou Temer.




Ainda em alusão à polarização provocada por Lula e Bolsonaro, o emedebista pediu que a candidata pregue a pacificação e harmonia no país. “As pessoas querem palavra de tranquilidade, segurança jurídica e harmonia. Espero que a Simone continue nessa linha que é fundamental para revelar a história do MDB, as pautas do MDB”, concluiu.

Defesa da pacificação Eduardo Braga (MDB-AM), líder da sigla no Senado, lembrou no evento que o país precisa de pacificação. “O Brasil tem pressa, precisa vencer esta intransigência, esta radicalização de ambos os lados. Mas vencer de que forma? Por um projeto em que os brasileiros estejam juntos. Nenhum país vai vencer a fome sem uma indústria forte. Isso aconteceu em todas as guerras e em todas as bases econômicas, que tenham educação e investimento em educação, que possibilitem oportunidade para todos. Queremos construir um povo forte, um Brasil forte, com pacificação”, afirmou.
 
O evento reuniu líderes do partido que trouxeram a democracia como palavra de ordem no discurso, alinhada com a campanha lançada, que promete multiplicidade étnica e cultural como característica principal. Um dos presentes, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, aproveitou a ocasião para falar sobre a obrigatoriedade vacinal contra a covid-19 e fazer um apelo ao presidente Bolsonaro (PL) e ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para reconsiderar a decisão de permitir a entrada de viajantes do Brasil sem ter se vacinado.