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Estado de Minas NOVA CASA

Pacheco se filia ao PSD e pode ser candidato da terceira via à Presidência

Senador deixar o DEM e deve se tornar alternativa à polarização entre Jair Bolsonaro e Lula no ano que vem


28/10/2021 04:00 - atualizado 27/10/2021 23:04

Filiação de Pacheco
Evento de filiação de Pacheco ocorreu no Memorial JK, em Brasília, com presença da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), do senador Nelsinho Trad (PSD-MS) e dos presidentes do PSD em Minas, Alexandre Silveira, e nacional, Gilberto Kassab (foto: ED ALVES/CB/D.A.PRESS)


O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, se filiou ontem ao Partido Social Democrático (PSD). A oficialização do ingresso do senador nas fileiras pessedistas ocorreu em Brasília, no Memorial JK, monumento em homenagem ao ex-presidente Juscelino Kubitschek. Considerado candidato ao Palácio do Planalto em 2022 por seus novos correligionários, Pacheco tem pregado cautela e prometido tratar do assunto no tempo certo. No primeiro discurso pela nova legenda, porém, o parlamentar falou como postulante à Presidência da República e prometeu contribuir para resgatar a “autoestima” do Brasil. Também houve pedido de diálogo em busca de soluções para desigualdades e outros problemas do país. Agora, o PSD passará a ter toda a bancada mineira no Senado: além de Pacheco, Antonio Anastasia e Carlos Viana.

A chegada do congressista ao PSD foi precedida por meses de suspense. A filiação era desejo de Gilberto Kassab, presidente nacional do partido. Segundo Pacheco, sua nova casa está “madura” e tem planos para o país. “Quero contribuir para que o Brasil recupere a sua autoestima e a sua paz, que voltemos a sorrir, ter esperança e felicidade para ser o país que queremos e merecemos”, disse. “Não podemos tolerar que um país com base agrícola e pecuária tenha o cidadão passando fome e buscando comida no lixo. Portanto, já passou da hora de voltarmos ao diálogo, retomar o equilíbrio e a paz”, falou, ao mencionar “as mazelas que assolam a nação”, completou.

Pacheco subiu ao palco do evento sob o som do hino de Minas Gerais. Kassab o apresentou como o nome do PSD para 2022. “Ele não vai aqui evidenciar, até porque vai fazer uma reflexão, mas, em off, reservadamente, Rodrigo Pacheco vai ser nosso candidato a presidente do Brasil”, sentenciou o dirigente, arrancando risadas e aplausos da plateia.

A filiação foi prestigiada por pessedistas de diversas partes do país. De Minas Gerais, partiu o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil. Componentes de outras legendas também marcaram presença. Estiveram no evento os deputados federais mineiros André Janones (Avante), Paulo Abi-Ackel (PSDB) e Igor Timo (Podemos). A Assembleia Legislativa enviou comitiva liderada pelo presidente do Parlamento mineiro, Agostinho Patrus (PV).

Pelo Senado, estiveram Eliziane Gama (Cidadania-MA) e Davi Alcolumbre (DEM-AP). O presidente da CPI da COVID-19, Omar Aziz (PSD-MA), compareceu ao lado do correligionário Otto Alencar (BA). Pela ala pessedista de Minas Gerais, bateram ponto representantes como o deputado federal Diego Andrade e o estadual Cássio Soares.

A inspiração em JK, visível na escolha do local da solenidade e presente no discurso de lideranças do PSD desde o último dia 22, quando Pacheco anunciou a troca de partido, também apareceu no discurso do senador. “O Brasil precisa dar o exemplo no cumprimento de compromissos, no respeito às leis, aos valores, garantias, direitos previstos na Constituição Federal. Devemos buscar na gestão pública a prevalência do bom senso, do equilíbrio, do que é justo. Esses são valores e atitudes de que nós não podemos abrir mão”, afirmou Pacheco.

“É nessa hora que nós, representantes eleitos pelo povo, devemos nos superar, assumir com ainda mais energia e empenho nossas responsabilidades e buscar respostas tão necessárias e urgentes para que a população brasileira volte a acreditar em si mesma, na política e no país”, completou.

PROJETO DE PAÍS

Para Anastasia, Pacheco pode ser um dos condutores do PSD na propagação do projeto de país encampado pela sigla. “Vamos levar a voz do partido a cada rua, a cada cidade, a cada estado e a cada região do Brasil no tempo certo. E queremos, nesta mensagem de esperança, convocar Rodrigo Pacheco para ser o seu arauto, para levantar a bandeira do desenvolvimento, da democracia, da liberdade e da inclusão social. Vamos juntos, o Brasil nos aguarda.”

Outro entusiasta da eventual participação de Pacheco na corrida eleitoral federal é Alexandre Silveira, presidente do PSD em Minas Gerais, secretário-geral do diretório nacional e também suplente do senador Antonio Anastasia. A avaliação é de que o senador tem capacidade de se opor à polarização entre Jair Bolsonaro (sem partido) e Luiz Inácio Lula da Silva. “O que o Brasil precisa é de alguém que represente a discussão efetiva de problemas reais. Pacheco, por sua profundidade intelectual, seu espírito público e liderança demonstrada em tão pouco tempo de vida pública, reúne todas as qualificações”, afirmou ele ao Estado de Minas. Para Silveira, a filiação de Pacheco pode representar contribuição de Minas Gerais à superação da crise nacional.

Carlos Viana também crê que o movimento deixa o estado “disponível” para servir ao Brasil. “Não estamos aqui para dizer que estamos à frente, ou atrás. Não. Minas Gerais quer servir ao Brasil, com nosso trabalho, nossa responsabilidade”, pontuou.

Opções para o governo de Minas

Em Minas, além dos três senadores, são três deputados federais, sete parlamentares estaduais, 79 prefeitos, 66 vice-prefeitos e 696 vereadores. O nome do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, um dos mandatários municipais, tem, de acordo com o presidente do PSB em Minas, Alexandre Silveira, surgido de forma “natural“ para a disputa ao governo do estado. “Kassab fala uma coisa muito assertiva: tudo que é natural na política tem cheiro de que vai dar certo. A candidatura tem surgido de forma muito natural entre os mineiros. Essa discussão está na rua sem ele colocar de forma explícita que vai ser candidato ou que fez essa escolha.”

O senador Carlos Viana, por seu turno, também se diz à disposição para concorrer ao Palácio Tiradentes – como já mostrou o EM, a troca de partido foi uma das hipóteses levantadas por ele para dar prosseguimento aos planos. Segundo Silveira, levar mais de um nome à mesa de debate sobre os rumos do partido para o pleito estadual não é problema. “Um partido que tem mais de um quadro com condição de se apresentar ao povo de um estado tão importante tem que se orgulhar disso, mas tendo sempre em vista a dimensão da responsabilidade que isso representa.” Mesmo ante as conversas internas que devem ocorrer posteriormente, a direção do PSD mineiro crê na “convergência” dos filiados para a disputa nas urnas.

Segundo o senador Antonio Anastasia, além da apresentação de candidatos aos cargos do Executivo e ao Senado, o PSD almeja montar bancadas “robustas” de deputados estaduais e federais. “Cada vez mais as pessoas, felizmente, compreendem a importância de se eleger um Parlamento forte, com pessoas engajadas, dispostas ao diálogo e à convergência de ideias e projetos em favor dos cidadãos.” 

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Alexandre Silveira, Presidente do PSD em  Minas

Como fica o PSD mineiro com a chegada de Rodrigo Pacheco?
Isso (a filiação) veio fortalecer ainda mais, em Minas, o partido, que já é o maior do estado. É um partido que fica muito fortalecido, até porque a liderança de Pacheco, hoje, ultrapassa – e muito – as fronteiras de Minas. Ele vem emprestando o tempero de Minas ao Brasil, com seu perfil sereno, equilibrado, sempre buscando o consenso por meio do diálogo e defendendo a boa política. Sou testemunha do tanto que Pacheco se esforça para sempre chamar todos à lucidez neste momento de tanta polarização ideológica no país.

A eventual candidatura de Alexandre Kalil ao governo tem sido muito falada. Quais os planos da legenda para o estado?
Kalil tem sido falado como alternativa ao governo de forma que entendo ser muito natural. Ele saiu das urnas, há pouco mais de seis meses, na capital de Minas Gerais, com 63% dos votos. Uma aprovação estrondosa, demonstrando sua liderança e capacidade de buscar o melhor para a população. O prefeito de BH, diferentemente do governador, ainda não está em campanha. (Kalil) tem a responsabilidade de cuidar de Belo Horizonte. Às vezes me perguntam sobre os problemas que temos de outros quadros colocarem seu nome à disposição como alternativa aos mineiros, como o senador Carlos Viana, que é muito respeitado e preparado. Isso não é problema, mas motivo de muita alegria e responsabilidade. Um partido que tem mais de um quadro com condição de se apresentar ao povo de um estado tão importante tem que se orgulhar disso, mas tendo sempre em vista a dimensão da responsabilidade que isso representa. Não posso falar por Kalil, mas tenho muita confiança em que o partido – agora ainda mais, com a presença de Pacheco – vai ter todas as condições para uma convergência entre seus quadros (para) se manter unido. Todos têm espírito público e dimensão da responsabilidade que, agora, passam a ter de forma mais rigorosa com os mineiros e brasileiros. O prefeito Kalil é um grande quadro do partido. Se fizer a escolha de colocar sua pré-candidatura, tenho a mais absoluta convicção de que o partido abraçará com muito carinho. Da mesma forma (com) os outros quadros preparados. Kassab fala uma coisa muito assertiva: tudo que é natural na política tem cheiro de que vai dar certo. A candidatura tem surgido de forma muito natural entre os mineiros. Essa discussão está na rua sem ele colocar de forma explícita que vai ser candidato ou que fez essa escolha. 

Kassab não esconde que quer ver Pacheco como candidato a presidente, mas o senador prega cautela. O que o partido pretende fazer para convencê-lo a entrar na disputa?
Boa parte da sociedade tem criado a compreensão de que a polarização não faz bem ao povo. Nada contra, e acho que a democracia é construída assim. Mas o que o Brasil precisa é de alguém que represente a discussão efetiva de problemas reais. Rodrigo Pacheco, por sua profundidade intelectual, seu espírito público e liderança demonstrada em tão pouco tempo de vida pública, reúne todas as qualificações. Ele é mineiro, de um estado central da Federação, que representa muito para o Brasil. Nos últimos 30 anos, quem ganha em Minas, ganha no Brasil; quem perde em MG, perde no Brasil. E, apesar de jovem, é um advogado de sucesso. Todas as credenciais levam a crer que, realmente, é um quadro que tem condições de se apresentar ao Brasil como candidato. Isso é uma opção que tenho a certeza de que ele fará no momento adequado, até porque, por ser um homem público muito comprometido, tem a dimensão da responsabilidade que tem no momento, que é continuar fazendo o excepcional trabalho à frente do Congresso Nacional.


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