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Estado de Minas CPI DA COVID

Falas engraçadas ou constrangedoras de senadores são atração na CPI

Uma das que mais chamaram a atenção foi: "Chapéu de otário é marreta". Foi dita por Omar Aziz para repreender o cabo PM Luiz Paulo Dominghetti


03/08/2021 06:00 - atualizado 03/08/2021 07:21

Veja alguns dos
Veja alguns dos "bordões" da CPI da COVID (foto: Arte EM)
Depois de duas semanas de recesso, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID retoma na manhã de hoje os depoimentos presenciais, que costumam se estender durante todo o dia e ter transmissão pela tevê e no canal do YouTube do Senado Federal. Hoje quem vai depor é o reverendo Amilton Gomes de Paula, que teria tido aval do Ministério da Saúde para negociar a compra da vacina AstraZeneca. Mas outras investigações nos próximos dias serão abertas envolvendo hospitais federais e uso de recursos da União nos estados.

As sessões, realizadas ao menos três vezes por semana, são marcadas não apenas pelas revelações dos depoentes, mas também pelas intervenções incisivas dos 18 integrantes da CPI, entre titulares e suplentes, e de outros senadores que marcam presença na comissão. Muitos recorrem a frases e expressões que, de tão repetidas, se tornam marca registrada de cada um deles, como se fossem bordões de um programa de televisão, e vão parar no WhatsApp.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), é um dos que mais rendem memes e figurinhas de WhatsApp até agora. Em entrevista ao Estado de Minas, o senador conta que não planeja as frases que repete na CPI, como o pedido aos colegas de “só um minutinho”. "Não é uma coisa que eu quero, vem naturalmente”, garante.

Nascido no interior de São Paulo, o parlamentar utiliza frequentemente expressões típicas da região onde vive e que o elegeu. “Muitas coisas que eu falo parecem algo novo, mas é um linguajar que a gente usa muito no Amazonas”, explica, citando as sentenças “chapéu de otário é marreta” e “jabuti não sobe em árvore”. “Tem uma outra bem comum no meu estado e ainda não usei, mas vou usar quando tiver a oportunidade: o cara escapa de tiro, de facada, mas de cruzeta ninguém escapa.”

“Chapéu de otário é marreta” é um ditado popular comum no Amazonas e outras regiões do país. Foi dito por Aziz durante o depoimento do policial militar Luiz Paulo Dominghetti, investigado sobre suposta compra da vacina AstraZeneca. "Não venha achar que aqui todo mundo é otário. Nem patetas. Veja bem qual é seu papel aqui. Do nada surge um áudio do deputado Luis Miranda. Tá certo? Chapéu de otário é marreta, irmão”, afirmou. Na prática, é como se Aziz tivesse dito: “Deixa de ser besta”

Além das expressões amazonenses, Aziz virou “meme” devido a duas frases que proferiu durante sessões da CPI. Uma delas foi quando o senador determinou a prisão do ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, por mentir no depoimento: “Podem levar!”, ordenou à polícia legislativa. A outra foi uma resposta ao governista Marcos Rogério (DEM-RO), com quem tem frequentes embates: “Me erre!”, pediu o presidente da comissão, ao ser acusado de parcialidade.

Já o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), pelo fato de iniciar os questionamentos, costuma usar as mesmas frases para chamar atenção dos depoentes e dos colegas. “Essa pergunta é muito importante” é uma das que ele mais repete, bem como o pedido para que o inquirido evite se alongar nas respostas: “Eu quero uma resposta objetiva”, afirma, com frequência.

GOVERNISTAS 

Entre os integrantes da CPI que apoiam o governo, o que mais se destaca pelas frases de efeito é o senador Marcos Rogério. Nascido no Paraná, o representante de Rondônia costuma ler as suas intervenções e quase sempre tenta desmentir depoentes baseados em uma máxima: “É uma narrativa, mas não é a verdade”, repete toda vez que surge um depoimento que compromete o governo federal.

Outros senadores da base governista, como o gaúcho Luis Carlos Heinze, acabam sendo tão repetitivos que já circulam, nas redes sociais, cartelas de bingos fictícios para saber quantas vezes Heinze vai citar o médico francês pró-cloroquina Didier Raoult (chamado nas redes de DJ Raul), o município catarinense de Rancho Queimado, entre outros itens do “bingo”.

Já o governista Jorginho Mello (PL-SC) ficou marcado pela forma inusitada que encontrou para atacar o deputado Luis Miranda (DEM-DF), durante o depoimento do irmão do parlamentar, o servidor Luis Ricardo Miranda: “Vinagre!”, gritou Jorginho, de dentro de uma van de comitiva do presidente Bolsonaro.

Com a retomada dos depoimentos a partir de hoje, resta saber quais os bordões que serão repetidos pelos senadores e os que surgirão.

* Estagiária sob supervisão do subeditor Paulo Nogueira



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