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''Eleições são inegociáveis'' diz presidente do Senado

Em resposta às acusações de Bolsonaro de fraude nas urnas, Pacheco avisa que retrocesso democrático não será admitido e quem o quiser será ''inimigo da nação''


10/07/2021 04:00 - atualizado 09/07/2021 23:29

''Frustração das eleições é algo que o Congresso não concorda e repudia. Não admitiremos qualquer retrocesso nesse sentido'' - Rodrigo Pacheco, presidente do Senado (foto: Pedro Gontijo/Agência Senado)
''Frustração das eleições é algo que o Congresso não concorda e repudia. Não admitiremos qualquer retrocesso nesse sentido'' - Rodrigo Pacheco, presidente do Senado (foto: Pedro Gontijo/Agência Senado)

Diante da escalada nas ameaças do presidente Jair Bolsonaro às eleições do ano que vem, o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), reagiu ontem com um duro recado ao chefe do Executivo. Pacheco disse que não aceitará ataques à democracia. “Todo aquele que pretender algum retrocesso ao Estado democrático de direito, esteja certo, será apontado pelo povo brasileiro e pela história como inimigo da nação”, afirmou, em referência ao que chamou de “especulações sobre 2022”. Sobre a possível adoção do voto impresso, defendida por Bolsonaro, Pacheco disse que essa questão será definida pelo Congresso, e não pelo Executivo e nem pela Justiça. Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o tema está em discussão na Câmara.

"Sem ataques a pessoas, mas com discussões de ideias. A decisão que houver por parte do Congresso, primeiro pela Câmara e depois pelo Senado, haverá de ser respeitada por todos no Brasil", afirmou Pacheco. O presidente do Senado foi enfático ao defender a independência e as prerrogativas dos parlamentares e ao dizer que “não podemos admitir qualquer fala ou ato que seja atentatório à democracia”. “Eleições são realidade no Brasil e são inegociáveis”, disse. “Frustração das eleições é algo que o Congresso não concorda e repudia. Não admitiremos qualquer retrocesso nesse sentido”, destacou o presidente do Senado.

''Não tenho medo de eleições, entrego a faixa para quem ganhar. No voto auditável e confiável. Dessa forma (que está), corremos o risco de não termos eleições no ano que vem'' - Jair Bolsonaro, presidente da República (foto: Evaristo Sá/AFP)
''Não tenho medo de eleições, entrego a faixa para quem ganhar. No voto auditável e confiável. Dessa forma (que está), corremos o risco de não termos eleições no ano que vem'' - Jair Bolsonaro, presidente da República (foto: Evaristo Sá/AFP)

Pela manhã, em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro fez um ataque ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que é contrário ao voto impresso. "Um imbecil", disse Bolsonaro em referência a Barroso. "Lamento falar isso de uma autoridade do Supremo Tribunal Federal. Um cara desse tinha que estar em casa", disparou Bolsonaro, que voltou a ameaçar as eleições de 2022.

“Pessoal, presta atenção. É sério o que vou falar aqui. Tem muita gente filmando, então tem repercussão. Lá atrás, no passado (tô com 66 anos), sempre se buscava fraudar de uma forma ou outra as eleições, papel, botando mesário para contar voto favorável a ele, anulando votos de quem não interessava. Porque é a luta do poder. Hoje em dia, mudou. É de cima para baixo. A fraude está no TSE, para não ter dúvidas. Isso foi feito em 2014. Em 2014, se mostrou a apuração minuto a minuto”, alegou.

Ameaça 


Aos apoiadores, o presidente fez uma ameaça de que as eleições do ano que vem podem não ocorrer caso a medida não seja adotada. "Não tenho medo de eleições, entrego a faixa para quem ganhar. No voto auditável e confiável. Dessa forma (que está), corremos o risco de não termos eleições no ano que vem. Se essa cambada voltar ao poder... vocês toda semana tinham dois, três casos de corrupção. Comigo, agora, o terceiro escalão teria negociado comprar vacina, 'teria', não foi gasto um centavo, e bate em cima disso. Aí vem o instituto de pesquisas, fraudados também, botando o nove dedos lá em cima. Para quê? Para ser confirmado o voto fraudado no TSE.”

No ataque, Bolsonaro afirmou ainda que “ja tá certo quem vai ser presidente o ano que vem. A gente vai deixar entregar isso? Queremos transparência. Acho que, a cada dia que passa, vocês estão se conscientizando mais. O que está em jogo...”, para logo em seguida disparar: “Se as eleições, essa eletrônica, fossem honestas, por causa da tecnologia, por que o mundo não adota isso aí? Será que somos os melhores da tecnologia? Está na cara que aqui, (isso é para) voltar a quadrilha de sempre ao poder". Ao contrário do que diz o presidente, sem apresentar provas, o próprio deputado Aécio Neves (PSDB), que estava na disputa eleitoral em 2014, contra Dilma Rouseff (PT), disse não acreditar em fraude nas eleições daquele ano

Ele atribuiu a Barroso articulações políticas junto ao Legislativo para barrar a aprovação da PEC do Voto Impresso, de autoria da deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF). A votação da proposta na Comissão Especial da Câmara, que analisa o assunto, estava prevista para ontem, mas foi adiada para o próximo dia 15.

Independência 

Rodrigo Pacheco também afirmou que o Congresso não vai admitir nenhum atentado à independência e à prerrogativa dos parlamentares. O comentário, em coletiva de imprensa, foi feito em reação ao presidente Jair Bolsonaro, que xingou senadores em meio às investigações da CPI da COVID. “Quero aqui afirmar a independência do Parlamento brasileiro, a independência do Congresso Nacional, composto pelas duas Casas, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados, que não admitirá qualquer atento a esta sua independência e sobretudo às prerrogativas dos parlamentares”, afirmou o presidente do Senado.

Na coletiva, ele reforçou a separação e a independência dos poderes, no momento em que Bolsonaro desafia o sistema eleitoral e critica parlamentares que têm adotado uma postura crítica à condução da pandemia do novo coronavírus. Na fala, o presidente do Senado reforçou a importância da preservação do Estado democrático de direito, enfatizando que não admite “qualquer fala ou ato que seja atentatório à democracia.”

Pela manhã, Bolsonaro atacou membros da CPI, como o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), e ainda fez menções ao ex-presidente Lula, chamando-o de nove dedos e afirmando que ele vencerá as eleições apenas por meio de fraude. “Vocês acham que Renan Calheiros, por exemplo, se pudesse fraudar a votação, ele fraudaria, pelo caráter que ele tem? A única forma de bandidos como Renan Calheiros se perpetuarem na política, entre outros que estão do lado dele, o nove dedos, é na fraude.”

O presidente ainda atacou o presidente da comissão, Omar Aziz. "Votar em Omar Aziz... quem vota em Omar Aziz ou é ignorante, ou nasceu naquele lugar. Um cara que desviou 260 milhões da saúde, investigando a saúde. Olha pessoal, não foi comprado nada. Então não tem corrupção, ninguém engravida por pensamento quem quer que seja, a não ser Renan Calheiros, que tem um filho com a amante. Esse é um perfil daqueles que estão na CPI. Não todos, né. Desse G7 lá”.







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