Jornal Estado de Minas

DIA DO TRABALHADOR

Protestos e falas contra o governo


O Dia do Trabalhador foi marcado também por protestos contra o governo do president Jair Bolsonaro (sem partido), em defesa da vacinas e por um auxílio emergencial de R$ 600. A maior manifestação ocorreu no Centro de São Paulo, onde centenas de pessoas se concentraram na Praça da Sé após a convocação do Partido da Causa Operária (PCO). O padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua, participou do ato, que saiu em caminhada até o Theatro Municipal.





Em Campinas, uma carreata organizada pelo sindicato dos professores da rede estadual de ensino cobrou auxílio emergencial e vacina para todos. Reunido no Largo do Pará, o grupo exibiu faixas e imagens do presidente com frases de protesto. Um homem sem máscara que se apresentou como policial federal retirou uma faixa presa em um viaduto e houve reação. Ele ameaçou os manifestantes alegando que estava armado. A Polícia Militar interveio e levou o suposto policial e dois manifestantes para o 1º Distrito Policial. Eles foram ouvidos e liberados.

Na Grande Belo Horizonte, o Dia do Trabalhador foi marcado por manifestações e a celebração de missa, ambas sem multidões em respeito às normas sanitárias para frear a transmissão da COVID-19. Com o slogan Vida, Emprego, Democracia e Fora Bolsonaro, a CUT-MG realizou uma carreata que saiu da Avenida Abrahão Caram, em frente ao Mineirão, para percorrer vários pontos da capital mineira. A reivindicação inclui a defesa pelo pagamento de auxílio emergencial no valor de R$ 600 até o fim da pandemia, vacinação em massa para toda a população, geração de emprego e renda, entre outros.

A 45ª Missa do Trabalhador foi celebrada na manhã de ontem na Paróquia São José Operário, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, dom Nivaldo dos Santos Ferreira. A presença dos fiéis na tradicional celebração que abençoa carteiras de trabalho foi limitada e teve de ser agendada. A Missa do Trabalhador tradicionalmente reunia cerca de 5 mil  fiéis na praça da Cemig, em Contagem.




 
 

Ex-presidente

No início da noite, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou um pronunciamento para o Dia do Trabalhador. No vídeo publicado em suas redes sociais, Lula critica o governo Bolsonaro, as empresas donas de aplicativo de transporte, a operação Lava-Jato e o ex-ministro Sergio Moro. “Este é um 1º de maio triste para os trabalhadores e trabalhadoras do nosso país. É um dia de luto pelas 400 mil vidas perdida por conta do COVID-19 – muitos delas porque o governo Bolsonaro se recusou a comprar vacinas que os foram oferecidas –; pelos 14 milhões de desempregados vítimas de uma política econômica que enriquece os milionários e empobrece os trabalhadores e a classe média e pelos 19 milhões de brasileiros que estão hoje passando fome, abandonados à própria sorte por esse desgoverno”, disse Lula.

O ex-presidente ainda disse que o país está devastado pelo “governo do ódio e da incompetência”. E repudiou a falta do auxílio emergencial diante a pandemia do novo coronavírus. “Minha indignação diante de tanta injustiça é muito grande”, completou. Lula avaliou, durante sua participação em evento promovido por centrais sindicais pelo Dia Internacional do Trabalhador, que o Brasil “andou para trás” quando o assunto é a economia. “A economia brasileira encolheu e é hoje 7% menor do que em 2014. Já tivemos entre as sete maiores economia do mundo, hoje descemos ladeira abaixo, ocupando a 12º colocação”, apontou o petista.

Lula aproveitou para mencionar o que chamou de diminuição dos direitos trabalhistas ao longo dos últimos anos e criticar a situação de informais, como os que trabalham por aplicativo. “São na maioria jovens que arriscam a vida no trânsito das grandes cidades trabalhando até 14 horas por dia, sem qualquer direito ou proteção social. Sem 13º, férias, descanso semanal, Previdência, afastamento remunerado em caso de acidente de trabalho”, afirmou.





O petista também atribui à Operação Lava Jato à situação do desemprego no país. "A operação Lava-Jato destruiu setores estratégicos da nossa economia, sobretudo a construção civil e a cadeia produtiva de óleo e gás, beneficiando empresas e governos estrangeiros", argumentou. "Por conta da Lava Jato, o Brasil perdeu R$ 172 bilhões de investimentos, deixou de recolher na forma de impostos diretos quase R$ 50 bilhões de reais", disse, sem mencionar a fonte dos dados.

“O juiz, que teve suas parcialidades declaradas pelo STF e os procuradores da força-tarefa são responsáveis também pela destruição de 4,5 milhões de postos de trabalho”, disse, mais uma vez sem mencionar a fonte dos dados. Lula terminou sua declaração afirmando que já provou que existe outro jeito de governar, e num tom positivo reforçou: "nós já construímos uma vez este Brasil, e juntos vamos construir de novo".

Live com discursos duros

O ex-presidente Lula, que tem sido considerado a mais forte opção da centro-esquerda contra Bolsonaro nas eleições de 2022, participou de encontro promovido por centrais sindicais, que contou com a presença de outros dos ex-presidentes Dilma Rousseff (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e outras lideranças políticas como Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL) e o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). O evento foi organizado pela CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, CSB, Intersindical, Pública e CGTB. Este é o terceiro “1º de Maio Unitário” – como é chamado -, promovido pelas centrais. O primeiro, em 2019, foi realizado de forma presencial, já o segundo, no ano consecutivo, teve de adotar o formato virtual devido à primeira onda da pandemia de covid-19 no Brasil.





A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou que começa agora a luta pela “reconstrução do Brasil”, que segundo ela vai começar pela garantia de vacinas, a luta pelo auxílio emergencial R$ 600, a extinção de emenda do teto de gastos, e a defesa “intransigente” da soberania nacional. A ex-presidente também não deixou de criticar o atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro. “O país está submetido ao comportamento genocida de um governo que despreza a vida e desdenha dos que choram pelos seus mortos", afirmou Dilma, que também classificou o atual governo como "fascista" e "neoliberal"

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou que é necessário reabrir a economia brasileira com segurança, para gerar trabalho e renda para os brasileiros. "É fundamental hoje nós pensarmos nos trabalhadores porque há muito desemprego no Brasil. Eu diria que a questão fundamental no Brasil hoje é reabrir a economia de modo tal que ela possa permitir que tenhamos trabalho, renda, para as nossas famílias, declarou, neste sábado. O tucano adotou tom distinto de seus pares no evento e não teceu críticas diretas ao governo de Jair Bolsonaro.

O deputado federal paulista Paulinho da Força, presidente nacional do Solidariedade, puxou o “bloco” da frente única contra Bolsonaro na eleição de 2022 no ato virtual unificado das centrais sindicais. Mas o discurso dele não encontrou eco, ainda, em outras lideranças. O parlamentar disse que, por causa da pandemia e da crise econômica, é “hora de a gente reagir e montar uma grande força”. “Nós temos de juntar essa força. Com esquerda, centro e até a direita civilizada. Construir uma chapa capaz de destruir o bolsonarismo em 2022”, afirmou Paulinho, que foi presidente da Força Sindical.

O ex-governador e potencial candidato ao Planalto do Ceará Ciro Gomes (PDT) aproveitou sua participação em evento para fazer críticas veladas ao PT e pregar a criação de um projeto nacional-desenvolvimentista –  além de elevar o tom contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Para o pedetista, o governo atual é o resultado dos “sucessivos fracassos de modelo econômico, modelo político, e práticas morais” de gestões anteriores, que, segundo ele, “nos arrastaram para essa tragédia odienta chamada bolsonarismo”. O ex-governador cearense defendeu que a curto prazo, é preciso “usar os instrumentos democráticos para impor controle aos desmandos do atual governo”.








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