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Estado de Minas ELEIÇÕES 2020

Kalil obteve a maior vantagem sobre o segundo colocado nas capitais

Prefeito de BH ficou com 53 pontos percentuais à frente do segundo colocado, Bruno Engler


16/11/2020 04:00

Acompanhada da esposa, Ana Laender, Alexandre Kalil votou pela manhã no Colégio Estadual Governador Milton Campos (Estadual Central), e estava confiante na vitória(foto: GLADYSTON RODRIGUES/EM/D.A Press)
Acompanhada da esposa, Ana Laender, Alexandre Kalil votou pela manhã no Colégio Estadual Governador Milton Campos (Estadual Central), e estava confiante na vitória (foto: GLADYSTON RODRIGUES/EM/D.A Press)


Ao conquistar novo mandato, com 784.307 votos, 63,36% dos votos válidos, Alexandre Kalil (PSD) foi o prefeito que alcançou a maior vantagem sobre o segundo colocado entre todas as capitais do Brasil. Kalil ficou 53,41 pontos percentuais à frente de Bruno Engler (PRTB), segundo na corrida eleitoral da capital mineira, que recebeu 9,95% dos votos. Por causa da instabilidade do sistema de apuração do Tribunal Superior Eleitoral, os números demoraram mais do que nas eleições passadas, e BH só pode conhecer o resultado das eleições municipais por volta das 22h15. O estado só chegou a 100% de urnas apuradas à 0h10 de hoje. Comparado com outras capitais Kalil só foi superado em percentual de votos por Bruno Reis (DEM), eleito em Salvador com 64,2%. Reis teve 45,34 pontos percentuais a mais do que a segunda colocada, Major Denice (PT), que chegou a 18,86%. Em Curitiba, primeira capital a conhecer seu prefeito, Rafael Greca (DEM) terminou com 59,74% dos votos e venceu Goura (PDT), que alcançou 13,26% – diferença de 46,48 pontos percentuais.

Campo Grande elegeu Marquinhos Trad, do PSD, mesmo partido de Kalil, com 52,58% dos votos. Promotor Harfouche (Avante) ficou em segundo com 11,58% – 41 pontos percentuais a menos que o vencedor. Tião Bocalom (PP) foi eleito em Rio Branco com 49,58% contra 22,68% de Socorro Neri (PSB), diferença de 26,9 pontos percentuais. Álvaro Dias (PSDB) ganhou em Natal com 56,58%, 42,2 pontos percentuais a mais do que Senador Jean (PT), que obteve 14,38%.

Em Florianópolis, Gean (DEM) teve 53,46% da preferência do eleitorado, contra 18,13% de Professor Elson (PSOL), uma diferença de 35,33 pontos percentuais. E em Palmas, capital de Tocantins, Cinthia Ribeiro (PSDB) venceu com 36,24%, superando em 21,72% o segundo colocado Professor Júnior Geo (PROS), que recebeu 14,52% dos votos. Aracaju, Belém, Boa Vista, Cuiabá, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Manaus, Porto Velho, Recife, Rio de Janeiro, São Luís, São Paulo, Teresina e Vitória terão segundo turno das eleições municipais. Por causa dos recentes problemas de falta de energia, as eleições no Amapá – e, por cosequência, na capital Macapá, foram adiadas para 13 de dezembro.

“JOGO É JOGADO”

Alexandre Kalil votou por volta 9h30 na Escola Estadual Central, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Acompanhado da primeira-dama Ana Laender, o prefeito ficou aproximadamente 15 minutos no local. Ao falar com a imprensa, Kalil se mostrou confiante, porém cauteloso. “Estou confiante. Mas como eu disse lá no início, eu vim do futebol. Nós somos do jogo de idas, se matar na ida está ótimo. Assim, dá mais tempo pra gente planejar o ano que vem. A gente ganha quase meio mês. Mas vamos esperar até as 17h”, disse. Em 2016, a eleição de Alexandre Kalil só foi confirmada em segundo turno. No primeiro, ele recebeu 26,56% dos votos válidos. Seu adversário João Leite (PSDB) ficou com 33,40%. No ‘jogo de volta’ Kalil conseguiu 52,98% da preferência dos eleitores de BH, contra 47,02% de João Leite.

Curiosamente, ambos têm ligação com o Clube Atlético Mineiro. João Leite foi o jogador que mais atuou pelo Galo, com 684 partidas. Ele venceu a Copa Conmebol de 1992e foi campeão mineiro 11 vezes. Já Kalil foi presidente do Atlético entre 2008 e 2014. Considerado o maior dirigente da história do clube, levou o Galo aos títulos da Copa Libertadores (2013), Copa do Brasil e Recopa.
 
Rafael Greca também foi reeleito em Curitiba, mas com diferença de 46,48 pontos percentuais sobre o segundo colocado, menor do que a de Kalil(foto: DU CANEPPELE/O FOTOGRÁFICO/ESTADÃO CONTEÚDO)
Rafael Greca também foi reeleito em Curitiba, mas com diferença de 46,48 pontos percentuais sobre o segundo colocado, menor do que a de Kalil (foto: DU CANEPPELE/O FOTOGRÁFICO/ESTADÃO CONTEÚDO)
 

Do futebol para a política

Alexandre Kalil, tem 61 anos, é empresário e ex-presidente do Clube Atlético Mineiro. Em 2016, quando foi eleito prefeito de Belo Horizonte, disputou sua primeira eleição. À época, concorreu pelo extinto PHS. Permaneceu parte do mandato sem partido, mas se filiou ao PSD. Embora tenha feito carreira na construção civil, abandonou a graduação em engenharia para cuidar da Erkal, empreiteira criada pelo pai, Elias Kalil, que também foi presidente do Atlético, e pelo tio. A empresa é especializada em infraestrutura industrial, urbana e rodoviária.

O chefe do Executivo chegou ao Atlético na década de 1980. Primeiro, comandou o departamento de vôlei. Entre fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, ganhou protagonismo no futebol. Em parte desse período, dirigiu o Conselho Deliberativo do Galo. Em 2008, foi eleito presidente administrativo.

Sob a sua batuta, o alvinegro conquistou títulos importantes, como a Taça Libertadores, em 2013, e a Copa do Brasil, no ano seguinte. Na mesma temporada da conquista continental, a equipe foi ao Marrocos disputar o Mundial de Clubes. Com Kalil, o Galo atraiu atenção mundial em virtude da contratação do craque Ronaldinho Gaúcho, por duas vezes escolhido o melhor jogador do planeta.

Na política, Kalil chegou a anunciar candidatura a deputado federal, em 2014, pelo PSB, mas acabou desistindo. Dois anos depois, concretizou os planos de ingressar na vida pública. Chegou à prefeitura após derrotar João Leite, do PSDB, como o discurso de que não era político.

Na prefeitura, se notabilizou por declarações fortes, como nas diversas vezes em que chamou a saúde pública da cidade de “melhor porcaria do Brasil”. Neste ano, ganhou protagonismo ao seguir as diretrizes da ciência e das autoridades sanitárias e saúde no enfrentamento ao novo coronavírus, determinado isolamento social e o fechamento de escolas e do comércio.

VICE

O novo vice-prefeito de Belo Horizonte é Fuad Noman, de 73 anos, também do PSD. Em maio, ele deixou a Secretaria Municipal de Fazenda para comandar o diretório municipal do PSD, que se preparava para buscar a reeleição de Kalil. A eleição deste ano foi a primeira que disputou. Foi também secretário de Estado de Transporte e Obras Públicas. Foi também secretário de Estado de Fazenda do governo Aécio Neves e presidente da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig).


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