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Estado de Minas INVESTIGAÇÃO

Controladoria de Contagem diz que servidor demitido continuou operando desvios milionários

À CPI formada pela Câmara da cidade para apurar caso do Bolsa Moradia, controlador-geral revelou que funcionário levou computador da prefeitura para trabalhar em casa


31/08/2020 17:12 - atualizado 31/08/2020 17:26

Poder Executivo contagense é investigado por conta de desvios em programa social.(foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de Contagem)
Poder Executivo contagense é investigado por conta de desvios em programa social. (foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de Contagem)
O servidor acusado de desviar recursos do bolsa moradia, programa mantido pela Prefeitura de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, continuou operando o esquema mesmo após ser exonerado. A informação foi confirmada nesta segunda-feira, pelo controlador-geral da cidade, Weber de Oliveira Dias, durante reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instituída pela Câmara Municipal para investigar o caso.

Segundo Weber, o ex-funcionário levou consigo o computador que contém o sistema de pagamentos assim que, em função da pandemia do novo coronavírus, o teletrabalho foi instituído. De acordo com o órgão, o rombo aos cofres públicos é de R$ 4.045.768,09. O controlador classificou a cessão da máquina como “erro absurdo”.

“Equivocadamente, foi entregue o computador a ele, que, por algum período, continuou fazendo os pagamentos”, lamentou Weber, “cravando” que o servidor continuou acessando o sistema mesmo após a exoneração, ocorrida em maio deste ano.

Ainda conforme Weber, o investigado dizia aos colegas de trabalho que só ele sabia fazer as transferências financeiras aos beneficiários do programa. Por isso, ficou com o computador. O chefe da controladoria acredita que o suspeito tenha utilizado o mecanismo por dois meses desde o início do home office.

Os desvios começaram em julho de 2018, mas tiveram o ‘ápice’ em março deste ano. O controlador apontou, ainda, a existência de transferências destinadas a pessoas jurídicas.

CPI é surpreendida por revelação


Ao Estado de Minas, o vice-presidente da CPI, Daniel do Irineu (PSD) disse que o colegiado recebeu com espanto as declarações de Weber Dias. O comitê já havia solicitado perícia da Polícia Civil ao sistema responsável pelo pagamento do auxílio.

“Já solicitamos uma série de documentos que comprovem isso. Não podemos nos basear nas falas dele (Weber)”, observou.

A revelação pode gerar a prisão do servidor apontado como responsável pelos desvios. “Se as provas estiverem bem fundamentadas podemos, até mesmo, solicitar a prisão do servidor”, acrescentou Irineu.

Histórico


A Prefeitura de Contagem, comandada por Alex de Freitas (sem partido), paga o bolsa moradia a, aproximadamente, 2 mil famílias. Segundo o Executivo municipal, o auxílio, vinculado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, foi mantido mesmo ante as irregularidades.

A CPI foi formada, justamente, para investigar possíveis irregularidades no programa. Uma comissão do tipo têm poderes de Justiça e, portanto, podem convocar suspeitos a prestar depoimentos, ouvir testemunhas e outras pessoas ligadas ao caso em questão. Ao fim dos trabalhos, o grupo de parlamentares constrói um relatório final com as conclusões obtidas ao longo do processo de investigação.


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