Jornal Estado de Minas

PRISÃO DE QUEIROZ

Saiba quem é Fred Wassef, advogado de Flávio Bolsonaro e dono do imóvel onde Queiroz foi achado

Com a prisão do ex-assessor Fabrício Queiroz, um dos nomes mais lembrados na manhã desta quinta-feira certamente é o do advogado Frederick Wassef. Afinal, ele é dono do imóvel em Atibaia onde o policial reformado foi encontrado pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público. Além de Flávio, Wassef tem ligação direta com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), uma vez que o defende no caso do atentado em Juiz de Fora, em 2018.




Foi a partir da defesa ao presidente que Wassef ganhou notoriedade a nível nacional. A forte relação com Bolsonaro pode ser exemplificada na presença do advogado, nessa quarta-feira, no Palácio do Planalto, onde aconteceu a cerimônia de posse do deputado Fábio Faria (PSD-RN) para assumir o Ministério das Comunicações, pasta criada recentemente pelo governo federal.

À Polícia Civil de São Paulo, funcionários que trabalham no imóvel de Wassef em Atibaia disseram que Fabrício Queiroz estava instalado na casa, há, aproximadamente, um ano. No entanto, em setembro do ano passado, durante entrevista à jornalista Andréia Sadi, da GloboNews, o advogado, quando perguntado onde estava o ex-assessor de Flávio Bolsonaro, disse que não sabia

“Não sei, não sou advogado dele”, disse.

Relação com Bolsonaros


Integrante do círculo mais próximo da família Bolsonaro, Wassef é o que se pode chamar de bolsonarista “raiz”. Crítico do que chama de “indústria dos radares”, defensor de “ações mais efetivas da polícia” no combate à violência, católico praticante, adversário da esquerda, Wassef costuma fazer rondas de carro pela madrugada paulistana, nas quais grava em vídeo flagrantes de desperdício de dinheiro público ou suspeita de corrupção.



O primeiro contato entre Jair Bolsonaro e Fred, como é conhecido, foi por acaso. Wassef ganhou de presente um smartphone quando estava internado para tratamento de câncer, clicou no ícone do Youtube e caiu sem querer em um discurso do atual presidente sobre controle de natalidade. A identificação foi imediata. No dia seguinte Fred telefonou para o gabinete de Bolsonaro na Câmara. Com seu temperamento intenso, convenceu a secretária a passar a ligação ao então deputado. Depois de mais de uma hora de conversa, marcaram um encontro pessoal. Isso foi em 2014.

Desde então, Bolsonaro e a primeira-dama, Michelle, passaram a frequentar a casa de Fred e sua ex-mulher, a empresária Cristina Boner, em Brasília. Em 2015, Bolsonaro comprou por R$ 50 mil uma Land Rover de uma das empresas de Cristina. Wassef gosta de dizer que foi o primeiro a incentivar o então deputado do baixo clero a disputar a Presidência. Quando a ideia não passava de um devaneio, Fred, nascido e criado em bairro nobre de São Paulo, levou o capitão para circular nos salões da elite paulistana.

Além da amizade, Wassef passou a orientar Bolsonaro juridicamente. “Conheço a família desde 2014 e tive uma atuação de consultoria jurídica e advocacia. Sempre no sentido do restabelecimento da verdade. Bolsonaro é, há tempos, vítima de crimes como denunciação caluniosa, calúnia e difamação. Ele foi vítima de uma insana perseguição contra um homem que é um verdadeiro herói.”


Em entrevista à Rádio Gaúcha, no dia 28 de abril, Wassef disse que 'sabe de tudo o que acontece na família Bolsonaro'.

"Moro em Brasília, estou no dia a dia aqui com o presidente e com a família Bolsonaro. Eu conheço tudo o que tramita na família Bolsonaro", disse.

Confiança


A relação de extrema confiança levou Wassef a desbancar medalhões da advocacia criminal que se ofereciam para defender Flávio. Antes de assumir o caso do senador, Fred atuava como consultor, às vezes aconselhando as advogadas Nara Nishizawa e Paula Barione, que continuam na equipe. 

Desde junho de 2019, defende Flávio Bolsonaro no inquérito que investiga um suposto esquema de "rachadinhas" na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. De acordo com a denúncia, o esquema consistia na devolução de parte dos salários dos servidores ao gabinete do então deputado estadual Flávio. 

Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro passaram a ser investigados após um relatório do antigo Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) detectar uma movimentação financeira na ordem de R$ 1,2 milhão na conta do ex-assessor de maneira "atípica", entre depósitos e saques. A descoberta foi em novembro de 2018.