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Estado de Minas

Brasil supera a China em número de mortes

Com 474 vítimas, país chega a 5.017 óbitos contra 4.643 no país asiático. Casos da doença são 71.886


postado em 29/04/2020 04:00

Bruna Lima e Maria Eduarda Cardim

O Ministério da Saúde confirmou ontem mais 474 mortes pelo novo coronavírus no país e, com isso, registrou 5.017 casos fatais da COVID-19. O número de aumento diário é o maior já apontado pelo Ministério da Saúde desde a primeira morte no país, em 17 de março. Além de bater o recorde do incremento diário, os dados divulgados pelo órgão mostram que o Brasil já superou o número de vítimas da doença na China, epicentro do novo coronavírus. De acordo com o último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado ontem, a China registrou 4.643 mortes em decorrência do novo coronavírus. O mesmo relatório mostra que o país asiático não confirmou novas mortes e relatou novos seis casos. Ao todo, são 84.347 casos da Covid-19 por lá. O Brasil tem 71,8 mil casos.
 
O número de casos confirmados no Brasil também cresceu. Segundo dados do Ministério da Saúde, 5.385 infectados foram adicionados no balanço de segunda-feira para ontem e, com isso, o país tem 71.886 casos da doença. São Paulo continua liderando com maior número de casos e óbitos. O estado soma 2.049 óbitos e 24.041 casos confirmados da doença. O Ministério da Saúde também divulgou que 34.325 infectados continuam em acompanhamento, enquanto 32.544 pacientes já se recuperaram. Outros 1.156 óbitos estão em investigação.
 
Os números divulgados ontem colocam o Brasil na lista dos 10 países com mais mortos pela doença causada pelo novo coronavírus. Considerando os dados compilados pela Universidade Johns Hopkins, o Brasil está agora em 9º lugar, atrás de Irã, Alemanha, Bélgica, Reino Unido, França, Espanha, Itália e Estados Unidos. A Holanda está em 10º lugar na lista. Na lista de casos de covid-19 o Brasil está em 11º lugar. Hoje, o Brasil confirmou mais novos casos da doença do que registraram Itália, Alemanha, Espanha, França e Reino Unido. O número de mortos em 24 horas no Brasil também foi maior do que nesses países, com exceção do Reino Unido, que confirmou 586 novas mortes.

Escalada Considerando o conceito de semana epidemiológica, que começa no domingo e termina no sábado, a partir do registro do primeiro caso da doença, o Brasil aparece com casos e mortes em ritmo crescente, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Na 15ª semana foram 692 óbitos e 10.449 casos; na 16ª semana foram 1.223 óbitos e 15.872 casos; na 17ª semana, encerrada no sábado, foram 1.669 mortes e 21.910 novos infectados e nesta, que é a 18ª semana epidemiológica, já são 1.001 novas mortes e 13.377 casos de covid-19.
 
O ministro da Saúde, Nelson Teich, admitiu ontem o agravamento da crise do novo coronavírus, com a escalada de casos e mortes da COVID-19 em diversas regiões do Brasil, que superou a China em vítimas. O ministro silenciou sobre campanha permanente do presidente Jair Bolsonaro para acabar com medidas de isolamento social. “Há alguns dias eu coloquei que (o número de mortos e contaminações) poderia ser um acúmulo de casos de dias anteriores que foi simplesmente resgatado, mas como temos manutenção desses números elevados e crescentes, temos que abordar isso como um problema, como uma curva que vem crescendo, como um agravamento da situação”, disse Teich.
 
Em uma declaração de apenas 16 minutos à imprensa, respondendo somente a quatro perguntas previamente selecionadas, o ministro citou as cidades de Manaus, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo como os locais que mais preocupam. Ele repetiu que o Brasil tem diferentes quadros da doença, que merecem tratamentos específicos. Teich reconheceu que a “situação é difícil” e afirmou que o governo federal trabalha para "dar suporte aos Estados e Municípios".
 
O general Eduardo Pazuello, que será nomeado secretário-executivo do Ministério da Saúde, afirmou que o país deve priorizar envio de respiradores, leitos e equipamentos de proteção a locais mais atingidos pelo vírus. “Mudou a prioridade”, disse ele, sem explicar o que efetivamente foi alterado, dado que o ministério já vinha concentrando esforços, logicamente, nas regiões que mais precisam de apoio de pessoal, equipamentos e suprimentos. Mais cedo, Teich foi cobrado por governadores do Norte sobre atrasos para entrega de produtos contra a COVID-19. Pazuello disse que 185 respiradores serão enviados hoje, a estados que atravessam um cenário mais difícil neste momento.


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