Jornal Estado de Minas

CRISE NO PLANALTO

Bolsonaro tem uma ''missão'' ao oficializar novo ministro no lugar de Moro

Jorge Oliveira postou foto com a mensagem: "Juntos com o PR @jairbolsonaro por um Brasil melhor. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos!" (foto: MARCOS CORREA/PR)

Brasília – Prestes a ser confirmado como ministro da Justiça, o atual chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, ministro Jorge Oliveira, postou em sua conta no Twitter uma foto do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na sexta-feira, logo após a demissão do ex-ministro Sergio Moro, acompanhada de uma mensagem de apoio ao presidente. "Juntos com o PR @jairbolsonaro por um Brasil melhor. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos!", escreveu Oliveira.




Bolsonaro deve oficializar Oliveira como ministro hoje. Próximo da família do presidente, Oliveira não queria aceitar o cargo, mas Bolsonaro disse a ele que se tratava de uma "missão", segundo fontes do Palácio do Planalto. Com a confirmação de Oliveira na Justiça, o atual secretário de Assuntos Estratégicos (SAE), almirante Flávio Rocha, é o mais cotado para assumir como ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. O delegado Alexandre Ramagem, atual diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), deve ser confirmado no comando da Polícia Federal.

Bolsonaro passou o fim de semana em meio a várias reuniões para definir a sucessão no Ministério da Justiça e na Polícia Federal. No sábado e ontem, ele recebeu vários aliados e auxiliares para discutir nomes. Um nome que ganhou força também para o lugar de Moro é o do desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores, ex-presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Ele é uma indicação de integrantes da ala militar do governo. O nome do Advogado-Geral da União, André Luiz Mendonça, também passou a ser considerado.

A exemplo do que ocorreu em outras substituições de ministros, o grupo mais próximo ao presidente tenta encontrar nomes que possam ter respaldo na opinião pública e livrar o governo de críticas. Bolsonaro, por sua vez, insiste que precisa ter uma pessoa de confiança no cargo.


 
 

“E DAÍ?”

A possível indicação do delegado Alexandre Ramagem para o lugar de Maurício Valeixo no comando da Polícia Federal é polêmica. Bolsonaro respondeu com “E daí?” a uma internauta que ressaltou o fato de Ramagem ser amigo dos filhos do presidente. "Alexandre Ramagem é amigo dos filhos do presidente. Inclusive foi indicado por eles", escreveu a internauta Ana Clara Santos no Facebook. Pouco depois, o perfil do presidente escreveu: "E daí? Antes de conhecer meus filhos eu conheci o Ramagem. Por isso, deve ser vetado? Devo escolher alguém amigo de quem?

Com a resposta, Bolsonaro indica que tem uma longa relação com Ramagem, conhecendo-o desde antes do nascimento dos filhos. Flávio Bolsonaro, tem 38 anos. Ramagem tem 47, e é amigo dos filhos de Bolsonaro. Carlos já postou foto nas redes sociais ao lado dele. O filho 03 do presidente é investigado pela Polícia Federal em inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre divulgação de fake News contra a Corte e o Congresso Nacional.

Delegados cobram autonomia

Brasília – A Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) divulgou carta aberta ao presidente Jair Bolsonaro apontando “crise de confiança” na indicação do novo diretor-geral da corporação. Eles cobram do presidente compromisso com a autonomia para o cargo de chefe da instituição. A entidade pede ainda providências para resguardar a PF de novas crises, como a que se estabeleceu a partir das acusações feitas por Sergio Moro em seu pedido de demissão.

“Da maneira como ocorreu, há uma crise de confiança instalada, tanto por parte de parcela considerável da sociedade, quanto por parte dos delegados de Polícia Federal, que prezam pela imagem da instituição. Nenhum delegado quer ver a PF questionada pela opinião pública a cada ação ou inação. Também não quer trabalhar sob clima de desconfianças internas”, diz a carta.



A entidade afirma também: “O contexto criado pela exoneração do comando da PF e pelo pedido de demissão do ministro Sergio Moro imporá ao próximo diretor um desafio enorme: demonstrar que não foi nomeado para cumprir missão política dentro do órgão. Assim, existe o risco de enfrentar uma instabilidade constante em sua gestão”, diz a carta.

A ADPF cita ainda o caso protagonizado por Fernando Segovia, escolhido pelo então presidente Michel Temer para comandar a PF em meio ao inquérito dos portos. “O último comandante da PF teve gestão curta. Eventual ordem de intervenção cumprida pelo novo DG, que acreditamos que nenhum delegado o fará, o levará ao mesmo destino ou até a uma situação pior”, afirmam.