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Estado de Minas COVID-19

Apoio para reforçar merenda

Sem recursos para ampliar auxílio mensal a alunos da rede pública, governo recorre ao setor privado para expandir pagamento de R$ 50 a estudantes carentes do estado


postado em 09/04/2020 04:00

Secretária de Desenvolvimento Social, Elizabeth Jucá disse que auxílio deve contemplar 380 mil alunos de famílias com renda de até R$ 89 por pessoa (foto: Guilherme Bergamini/ALMG/Divulgação)
Secretária de Desenvolvimento Social, Elizabeth Jucá disse que auxílio deve contemplar 380 mil alunos de famílias com renda de até R$ 89 por pessoa (foto: Guilherme Bergamini/ALMG/Divulgação)

A secretária de Estado de Desenvolvimento Social, Elizabeth Jucá, afirmou ontem que o governo de Minas Gerais não tem em caixa recursos necessários para expandir o bolsa-merenda, auxílio mensal de R$ 50 destinado aos alunos da rede estadual de ensino em situação de pobreza extrema. Durante reunião com deputados estaduais, na Assembleia Legislativa, a chefe da pasta disse que o estado tenta articular, junto a empresários, um aporte suplementar para ampliar o programa.

“O governador e o secretário de Fazenda já falaram que nossa queda de arrecadação vai ser imensa, mas estamos tentando, junto à sociedade civil, captar recursos para ajudar, até mesmo, caso seja possível, alunos da rede municipal”, disse ela. Na semana passada, Gustavo Barbosa, responsável pela secretaria de Fazenda, afirmou que o déficit orçamentário de Minas Gerais pode chegar a mais de R$ 20 bilhões após a crise do novo coronavírus.

A proposta deve contemplar 380 mil estudantes, cujas famílias têm renda mensal de até R$ 89 por pessoa. Os núcleos precisam estar inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) do governo federal. Ao ser questionada por alguns parlamentares sobre a possibilidade de ampliação do bolsa-merenda, Elizabeth Jucá apontou que os valores serão pagos com apoio do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que vai responder por R$ 20 de cada benefício. Deputados lembraram que há alunos da rede estadual que, embora não estejam em situação de extrema pobreza, não têm poucos recursos e precisam de ajuda para enfrentar a crise.

“Para dar os R$ 50 aos 380 mil alunos em situação de extrema pobreza foi difícil e, sem o apoio do Ministério Público, sequer conseguiríamos. Antes de atender às redes municipais, temos outros 153 mil alunos da rede estadual (para auxiliar)”, pontuou, em menção às crianças e adolescentes que compõem famílias que estão pouco acima da linha da pobreza. Elizabeth disse que, caso a pasta receba aportes extras, há a possibilidade de ampliar o bolsa-merenda.

Os alunos vão receber os recursos por meio de um vale-alimentação. De acordo com a secretária, a ideia é que os primeiros beneficiários comecem a receber os cartões em dez dias úteis contados a partir da próxima segunda-feira. O decreto que regulamenta o bolsa-merenda deve ser publicado pelo governo até o fim desta semana.

População de rua


Segundo a responsável pela secretaria de Desenvolvimento Social, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) vai instalar, em Belo Horizonte, Betim, Contagem, Teófilo Otoni e Montes Claros, pontos de água para higienização. O objetivo é evitar que pessoas em situação de rua estejam mais vulneráveis ao vírus. Além disso, segundo Elizabeth Jucá falou a secretária, a pasta tem incentivado a produção de máscaras por parte de artesãos e outros profissionais da economia popular solidária. Foram adquiridos equipamentos de proteção individual (EPIs) para os profissionais da assistência social.


Assembleia fecha parceria com UFMG


A Assembleia Legislativa e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) oficializaram ontem um protocolo de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. A parceria prevê a soma de esforços para monitorar o avanço da infecção, construir documentos que contenham informações técnicas sobre a doença e, ainda, desenvolver campanhas de orientação aos cidadãos. A UFMG entregou, ao presidente da Assembleia, Agostinho Patrus (PV), uma análise sobre a oferta de leitos no estado.

O acordo de cooperação foi assinado pelo presidente Da Assembleia e pela reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart. Durante a cerimônia de assinatura do protocolo, Agostinho destacou alguns pontos do relatório feito pela universidade. O texto diz que a sobrecarga de leitos gerais pode ser observada caso 1% da população seja infectada em três meses. Nesse cenário, seis microrregiões teriam a capacidade de atendimento comprometida.

Segundo Agostinho, os conteúdos técnicos elaborados pela UFMG vão ajudar os parlamentares a formatar projetos de enfrentamento à pandemia. “Em um momento de discussão sobre o melhor método [de enfrentar o coronavírus], nada melhor que se aliar à ciência e ao conhecimento”, afirmou.


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