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Estado de Minas

Bolsonaro evita polemizar


postado em 22/01/2020 04:00 / atualizado em 22/01/2020 07:32

Brasília – O presidente Jair Bolsonaro evitou polemizar após o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, ser denunciado pelo Ministério Público Federal por suposta ligação com hackers. O capitão reformado se negou responder a um questionamento se a ação seria uma perseguição ao comunicador, e questionou onde ele se encontra. A breve conversa com os jornalistas ocorreu depois da reunião do Conselho de Governo, na qual ele anunciou, ainda no Palácio da Alvorada, pelo Twitter, a criação do Conselho da Amazônia. Prontamente questionado pela imprensa sobre a denúncia contra o jornalista, ele disse desconhecer sequer onde ele está. “Onde está esse cara? Tá no Brasil, ele?”, respondeu.

Ao ser abordado se a denúncia contra Greenwald seria uma perseguição, Bolsonaro foi evasivo. “Outra pergunta!”, declarou. Ao ser novamente interpelado sobre o assunto, divagou novamente, mas com equívoco. “Quem denunciou foi a Justiça, você não acredita na Justiça?”, retrucou. Ao ser corrigido por um jornalista de que a denúncia foi feita pelo MPF, não pela Justiça, ele se retratou. “É MP, MP”, disse.

O presidente também foi breve ao comentar sobre o Conselho da Amazônia. Ressaltou que o governo vai criar o órgão sem gastar nada e o vice-presidente Hamilton Mourão ficará encarregado da estrutura. Evitou, contudo, detalhar a atuação da Força Nacional Ambiental. “Já falei com o (ministro da Economia) Paulo Guedes e ele deu sinal verde para criá-la. Hoje foi definido o Mourão (como responsável), o Mourão é a melhor pessoa para vocês entrevistarem”, ponderou.


Crítica


O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, usou o Twitter para classificar a denúncia contra Greenwald como uma ameaça à liberdade de imprensa. “Jornalismo não é crime. Sem jornalismo livre não há democracia”, disse Maia. O ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello disse que a denúncia do MPF contra Glenn Greenwald, é “problemática” e “perigosa”. “É um problema quando você pratica atos que afetam a liberdade de expressão. É problemático”, disse o ministro.

“No campo da informação, não cabe adotar postura que iniba a arte de informar. Eu tenho uma concepção própria. Jamais processaria um jornalista, e há colegas em geral, que processam. [Com a denúncia], Você acaba indiretamente cerceando [a liberdade de expressão], o que não é bom em termos culturais, nem em termos de avanço social. É sempre perigoso”, afirmou.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) criticou a denúncia contra Greewald. Para a entidade, a peça do procurador da República Wellington Divino Marques de Oliveira “criminaliza a mera divulgação de informações”. A nota é assinada pelo Observatório da Liberdade de Imprensa da entidade. A entidade afirma acompanhar o caso com “grande preocupação”. “A denúncia descreve fato que não pode ser considerado crime. A participação em qualquer delito exige instigação ou colaboração efetiva para sua prática, e nenhuma das mensagens do jornalista incluídas no expediente do MPF indica qualquer desses comportamentos. A denúncia, portanto, criminaliza a mera divulgação de informações, o que significa claro risco para a liberdade de imprensa”, afirma a OAB.


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