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Estado de Minas BOLSONARO, ANO 1

Meio ambiente desastroso: polêmicas mancham a imagem do Brasil no exterior

Falta de decisões no enfrentamento a desastres ambientais marcaram a primeira etapa do governo federal no setor


postado em 25/12/2019 04:00 / atualizado em 25/12/2019 07:49

Fogo na Amazônia: para especialistas, país perdeu protagonismo na área ambiental (foto: VICTOR MORIYAMA/afp - 15/8/19)
Fogo na Amazônia: para especialistas, país perdeu protagonismo na área ambiental (foto: VICTOR MORIYAMA/afp - 15/8/19)

Brasília – Este ano foi completamente atípico para o meio ambiente nacional. Ao passo que uma série de tragédias dizimaram a vida de pessoas e animais, depredaram biomas e ecossistemas e contaminaram cartões-postais do país, as polêmicas posições e decisões do governo federal na área ambiental mancharam a imagem da nação, principalmente no exterior. Ataques a organizações não governamentais e a personalidades estrangeiras, desmonte de instituições responsáveis por criar políticas de preservação ambiental e enfraquecimento de fontes de financiamento de iniciativas de proteção à floresta foram algumas das atitudes que fizeram o Brasil entrar em desprestígio.

Para ambientalistas, pesquisadores, ex-ministros do Meio Ambiente, parlamentares, o ano ambiental do Brasil se resume a uma palavra: desastroso. Os primeiros 12 meses de governo Bolsonaro terminaram com a contestada participação do país na 25ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-25) – evento que o Brasil desistiu de sediar –, em Madri, Espanha. Sem grandes decisões, e com uma imagem negativa, a comitiva do governo brasileiro que esteve no encontro saiu com uma imagem negativa.

O deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP), presidente da Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, que esteve presente na conferência, acredita que a imagem deixada pode prejudicar os negócios em um futuro próximo. “Acho extremamente desafiante o que vai ser o próximo ano. De maneira muito clara, a pressão externa está grande para que o Brasil assuma uma posição diferente. Isso ficou evidente ao final da COP 25. Ganhou o prêmio de Fóssil do Ano. Isso é muito ruim para o Brasil que quer fazer negócio lá fora e se destacar no mercado internacional”, observa o parlamentar.

Após a conferência, Salles criticou a resistência das potências mundiais a discutir a mudança da base energética dos combustíveis fósseis e o protecionismo de países ricos em não regulamentar a comercialização de créditos de carbono no mercado internacional – entretanto, o Brasil foi o principal bloqueador do consenso. “A COP 25 não deu em nada. Países ricos não querem abrir seus mercados de créditos de carbono. Exigem medidas e apontam o dedo para o resto do mundo, sem cerimônia, mas na hora de colocar a mão no bolso, eles não querem. Protecionismo e hipocrisia andaram de mãos dadas, o tempo todo”, justifica o ministro do Meio Ambiente.

FUTURO Dessa forma, há quem projete um futuro conturbado para a política ambiental do país. Doutor em política, organização e administração florestal, Eleazar Volpato lamenta que o Brasil tenha “entrado pequeno e saído menor da COP-25”, visto que o país “sempre exerceu protagonismo na área ambiental”. “Foi desastroso. O ministro parece não ter sensibilidade e inverteu uma tendência de respeito que o Brasil estava obtendo. Tudo aquilo que se conquistou com muito custo, com o país avançando em credibilidade, está retrocedendo. Nunca vimos nada parecido”, comenta.

Além disso, Volpato diz que a maneira como Salles e Bolsonaro tentam achar culpados para as tragédias que aconteceram neste ano e como os dois enfrentam personalidades internacionais – a exemplo do ator Leonardo DiCaprio e da ativista ambiental Greta Thunberg  –, deixam o horizonte ambiental do país recheado de dúvidas. “É uma situação bastante esquisita e preocupante, pois as pessoas não mudam facilmente. É uma ilusão achar isso. Se a sociedade reagir, talvez faça com que o governo mude. Mas, enquanto isso, eles continuarão a aplicar essa política”, afirma.

APRENDIZADO O ministro Ricardo Salles, em conversa com a reportagem, prefere olhar para frente, mas reconhece que aprendeu com os desastres ambientais, que marcaram o ano de 2019, os quais ele definiu como “desafios importantes e complexos”. “Você vai aprendendo como os processos podem ser melhorados e como você pode dar uma resposta mais eficiente para a sociedade”, frisa.

“Claro que a gente espera que não tenha mais nenhum problema, mas, se houver algum, nós estaremos aí, como estávamos em todos esses que experimentamos no ano de 2019. Vamos estar prontos para responder. O governo Bolsonaro não foge a nenhuma responsabilidade”, analisa o ministro. Apesar disso, entre os integrantes do alto escalão do governo Bolsonaro, Salles foi um dos ministros que mais colecionaram episódios controversos.

Alta após tombo

O presidente Jair Bolsonaro deixou na manhã de ontem o Hospital das Forças Armadas, em Brasília, onde passou a noite em observação após sofrer uma queda na noite de segunda-feira, no Palácio da Alvorada. De acordo com nota emitida pelo Palácio do Planalto, o presidente foi atendido pela equipe médica da Presidência  e levado ao Hospital das Forças Armadas. Foi submetido a exame de tomografia computadorizada do crânio, que não detectou alterações, e passou a noite bem.
 



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