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Estado de Minas FAKE NEWS

Joice tira bolsonaristas da CPI

Nova líder do PSL troca representantes na comissão que investiga uso de notícias falsas nas eleições e escolhe parlamentares ligados ao presidente da sigla, Luciano Bivar


postado em 13/12/2019 04:00 / atualizado em 13/12/2019 08:06

Em novo capítulo do partido pelo qual Bolsonaro se elegeu, Hasselmann promoveu as mudanças, mas pode ser retirada da liderança pela Justiça (foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)
Em novo capítulo do partido pelo qual Bolsonaro se elegeu, Hasselmann promoveu as mudanças, mas pode ser retirada da liderança pela Justiça (foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

Brasília – O PSL subiu o tom com os deputados dissidentes. Enquanto o grupo bolsonarista, composto por 18 parlamentares, 14 deles suspensos por um processo administrativo da própria legenda, tentam na Justiça reverter a situação e recuperar as prerrogativas partidárias, as lideranças da sigla, expulsaram a deputada Bia Kicis (DF) da legenda e botaram o ex-líder do partido na Câmara, Delegado Waldir (GO) e Nereu Crispim (RS) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News. Como suplentes da CPMI ficaram Julian Lemos (PSL-PB) e Professora Dayane Pimentel (PSL-BA). A nova líder do partido na Câmara, Joice Hasselmann (SP) foi que promoveu as trocas na comissão. Os suspensos deverão deixar, também, as comissões permanentes, mas ainda não houve movimentação nesse sentido.

Destituído da liderança quando o filho do presidente da República, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) tomou o controle da legenda na Câmara, Delegado Waldir minimizou a situação. “As mudanças nas comissões são extremamente normais. Nosso grupo, que é um grupo mais racional, apoia o combate à corrupção, é contra o uso de notícias falsas. Somos favoráveis à CPI da lava-toga, das fake news, à investigação de laranjas e de Flávio Bolsonaro. Essa é a razão da mudança nessa comissão”, argumentou.

Ele também comentou a decisão judicial que suspende a punição ao grupo de dissidentes do partido. “Em relação às decisões judiciais, pensamos que é algo da democracia. Mas a gente fica preocupado. Pode ter o risco de uma interferência de um poder no outro. A decisão da suspensão é referendada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Fica claro ainda ter pessoas querendo o controle da liderança. É porque ele traz benefícios. São pessoas com interesse em montar outro partido, mas que insistem na permanência do PSL”, criticou Delegado Waldir.

Integravam a CPMI das Fake News pelo PSL o deputado Filipe Barros (PR), Carla Zambelli (SP) e Eduardo Bolsonaro. Todos eles suspensos pelo partido e, agora, com decisão judicial contrária a punição. O grupo chegou a ser apelidado de tropa de choque do presidente na comissão. Da ala fiel à legenda, o deputado Júnior Bozzella (SP), que se tornou porta voz do PSL durante a crise, disse, sobre as comissões, que exceto os efeitos da suspensão dos parlamentares e a troca de nomes na CPMI das Fake News, não há mais mudanças programadas.

Os quatro novos membros da comissão são próximos ao presidente nacional do PSL, Luciano Bivar (SP), que rompeu com Bolsonaro. A deputada corre o risco de perder a liderança do partido na Câmara. Uma liminar da 4ª Vara Civil de Brasília derrubou a decisão do diretório nacional do PSL que suspendeu o deputado Eduardo Bolsonaro, líder da legenda antes de Joice, e outros 13 parlamentares das atividades político-partidárias. A decisão pode devolver ao grupo ligado ao presidente Jair Bolsonaro a liderança da legenda na Câmara.

''Nosso grupo, que é um grupo mais racional, apoia o combate à corrupção, é contra o uso de notícias falsas. Somos favoráveis à CPI da lava-toga, das fake news, à investigação de laranjas e de Flávio Bolsonaro''

Delegado Waldir (PSL-GO), deputado federal


Mesmo que perca a liderança, as indicações de Joice para a comissão continuam válidas. Nesse caso, um novo líder poderia reverter as mudanças. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), garantiu à CPMI o funcionamento até abril de 2020. A comissão foi anunciada como um “calcanhar de Aquiles” para Bolsonaro e cogita chamar integrantes do chamado “gabinete do ódio” e até o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente da República, para prestar depoimento. Parlamentares que não são membros da comissão até podem falar nas reuniões, desde que autorizados pelo presidente da CPMI, mas ficam atrás na fila em relação aos titulares e suplentes do colegiado.


Expulsão

Sobre a expulsão de Bia Kicis, a deputada falou brevemente com o Estado de Minas ao telefone. Disse que não foi notificada e que está procurando um advogado. Eleita pelo PRP, que se fundiu ao Patriota, ela era a única entre os parlamentares que não perderia o cargo com a saída do PSL. Já o Delegado Waldir afirmou que a parlamentar queria. “Ela tinha que estar tranquila. Eles não estão fazendo campanha pro outro partido? Ela não queria mais o PSL e nós a tiramos. Mas, eles (Bia e os outros dissidentes bolsonaristas) já estavam fora. Tinha que agradecer. Eles estão criando o Aliança e reclamando?”, questionou. No aplicativo da Câmara dos deputados, o nome de Bia Kicis ainda aparece como parlamentar do partido.
 
 




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