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Estado de Minas GOVERNO

''Vou implodir o presidente'''

Confirmado líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir afirma que fez a declaração no auge da crise do partido


postado em 18/10/2019 04:00

''Eu vou implodir o presidente. (%u2026) Acabou, cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo. Eu andei no sol em 246 cidades para defender o nome desse vagabundo%u2019'' ''É uma fala num momento de emoção, né? Nós somos Bolsonaro. Nós somos que nem mulher traída. Apanha, não é? Mas mesmo assim ela volta ao aconchego''
''Eu vou implodir o presidente. (%u2026) Acabou, cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo. Eu andei no sol em 246 cidades para defender o nome desse vagabundo%u2019'' ''É uma fala num momento de emoção, né? Nós somos Bolsonaro. Nós somos que nem mulher traída. Apanha, não é? Mas mesmo assim ela volta ao aconchego''
Brasília – O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO), afirmou em reunião interna da ala ligada ao presidente do partido, Luciano Bivar (PE), que vai "implodir" o presidente Jair Bolsonaro. O áudio do encontro, ocorrido no fim da tarde de quarta-feira, gravado por um dos presentes, acabou vazando. "Eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele. Não tem conversa. Eu implodo ele. Eu sou o cara mais fiel. Acabou, cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo. Eu andei no sol em 246 cidades para defender o nome desse vagabundo", afirma Waldir no áudio. Ontem, porém, após o vazamento das declarações,  o líder da bancada disse não ter "nada" para usar contra o presidente. Disse também querer "pacificar" a bancada do partido. Ele participava de um almoço do presidente do PSL, Luciano Bivar, com aliados.

Segundo Waldir, a declaração, dada em meio à crise que atinge a legenda foi feita em um "momento de emoção". "É uma fala num momento de emoção, né? É uma fala quando você percebe a ingratidão. Tenho que buscar as palavras. Tenho que buscar as palavras", acrescentou. Questionado, então, se a crise passou, Delegado Waldir respondeu: "Nós somos Bolsonaro. Nós somos que nem mulher traída. Apanha, não é? Mas mesmo assim ela volta ao aconchego".

Na sequência, o deputado declarou ser possível "pacificar" a bancada do PSL. Segundo ele, os 53 parlamentares votarão "integralmente" conforme os interesses do governo. "Não tem nenhuma ruptura, não tem nenhuma perseguição, não tem nada", completou.
Na reunião de quarta-feira, no gabinete da liderança do PSL na Câmara, deputados relataram que estavam sendo pressionados por Bolsonaro a assinar uma lista para destituir Waldir e apoiar o nome de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). O presidente foi gravado por alguns parlamentares pedindo apoio ao nome do filho. Na manhã de ontem, o presidente afirmou considerar uma "desonestidade" a divulgação da conversa e sugeriu ter sido "grampeado". “Não trato publicamente deste assunto. Converso individualmente. Se alguém grampeou telefone, primeiro é uma desonestidade", afirmou. "Eu falei com alguns parlamentares. Me gravaram? Deram uma de jornalista? Eu converso com os deputados."

Derrota para bolsonaristas


Embora o grupo ligado a Bolsonaro tenha apresentado uma lista com 27 nomes para destituir Waldir, a Câmara não aceitou todas as assinaturas e o manteve na liderança. A consolidação do nome de Waldir como líder da bancada representou uma dura derrota do grupo de Bolsonaro. A estratégia feita pelo grupo na quarta de protocolar duas listas com um pedido de destituição de Waldir e a nomeação de Eduardo para o cargo falhou.

Ao conferir as assinaturas no documento, a Secretaria-Geral da Mesa da Câmara invalidou um nome na primeira tentativa e três no outro. O que contou foi o número de assinaturas em cada uma das listas protocoladas na quarta-feira. A Mesa validou 26 e 24 assinaturas para a primeira e terceira listas protocoladas na noite de quarta-feira que pediam a destituição de Waldir e a nomeação de Eduardo como líder.  Esses dois documentos foram feitos por deputados ligados Bolsonaro. Já a segunda lista, feita por deputados ligados ao presidente do partido, Luciano Bivar, contabilizou 29 assinaturas válidas, o que dá a maioria da bancada, que é composta atualmente por 53 deputados.

Filhos destituídos Em outro capítulo da crise interna no PSL, os filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro, foram destituídos dos comandos dos diretórios do partido do Rio de Janeiro e de São Paulo, respectivamente. Segundo o deputado Coronel Tadeu (PSL-SP), ambos foram desligados nesta semana. A reportagem apurou que desde segunda-feira, Eduardo não tinha mais acesso ao sistema do partido e que haviam lhe tirado uma senha que possibilitava a ele operar o sistema da legenda. Luciano Bivar, no entanto, disse que ainda não assinou as destituições. "Está tudo em processo lá no partido, mas não assinei nada", afirmou.

Bolsonaro tira Joice da liderança no Congresso


O presidente Jair Bolsonaro (PSL) resolveu retirar a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) da liderança do governo no Congresso. O substituto no cargo será o senador Eduardo Gomes (MDB-TO), vice-líder do governo no Senado atualmente. A situação de Joice ficou insustentável no governo na quarta-feira, após a deputada assinar uma lista de apoio à permanência de Delegado Waldir (GO) na liderança do PSL na Câmara. Bolsonaro articulou para que um dos seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro (SP), assumisse o lugar.

Joice foi escolhida líder do governo em fevereiro, pela indicação dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e tinha bom trânsito com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que no início do governo era responsável pela articulação política. Ela vinha perdendo espaço, no entanto, desde que a articulação foi repassada para a Secretaria de Governo, em agosto. O ministro Luiz Eduardo Ramos, titular da pasta, deu preferência ao líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO).

Em um tuíte, Joice Hasselmann se despediu do cargo. "Deixo a liderança no Congresso com o dever cumprido", escreveu a deputada. Hasselmann diz não se importar com o que considerou "ingratidão", disse ter "couro duro" e que vai seguir "apoiando o Brasil".
 



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