Procuradores da República de ao menos 15 unidades da federação, incluindo o Distrito Federal, realizam, nesta segunda-feira (9/9), um protesto contra a escolha do subprocurador Augusto Aras para comandar o Ministério Público Federal. Em Brasília, o ato começou às 15h, na sede da Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PRDF).
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Embora, pela Constituição, o presidente da República não precise acatar a lista tríplice, desde 2003 todos os presidentes nomearam procuradores que estavam na relação. Em carta divulgada nesta segunda-feira, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) afirma que o respeito à lista tríplice garantiu, nos últimos 16 anos, o fortalecimento e o respeito à autonomia do MPF.
"Hoje, a carreira se mobiliza para defender, publicamente, as bandeiras da autonomia do Ministério Público, da independência de seus membros e da manutenção do mecanismo democrático de escolha de suas funções mais relevantes, a partir da participação e eleição dos seus pares, cientes de que essas são garantias fundamentais estabelecidas, ao fim e ao cabo, em favor da própria sociedade brasileira", afirma um trecho do comunicado (leia a íntegra abaixo).
Leia íntegra da carta divulgada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR)
"Brasília, 9 de setembro de 2019 — Os membros do Ministério Público Federal (MPF), servidores públicos e representantes da sociedade civil reunidos nesta data vem a público informar o que segue:
Como já adotado pelos demais 29 Ministérios Públicos do país, há muito tempo, a lista tríplice vinha garantindo, também para o MPF, nos últimos 16 anos, além do fortalecimento da democracia interna, plena transparência ao processo de escolha do cargo de procurador geral da República, um dos mais relevantes do país.
O que pensa, quais são seus projetos, como pretende atuar, de que maneira agirá para cumprir as missões fundamentais estabelecidas na Constituição Federal, defender nossas bandeiras institucionais, da autonomia, da independência funcional e da garantia de escolha das funções mais relevantes por meio do modelo participativo e democrático da eleição. Independentemente de quem venha a ocupar o referido cargo de chefia na nossa instituição, essas são bandeiras perenes, que precisam ser defendidas, sempre.
Isso se reforça, no momento em que o presidente da República, parecendo não compreender bem como devem funcionar as instituições no Estado Democrático de Direito, apresenta termos como “afinidade de pensamento”, “alinhamento”, “dama em tabuleiro de xadrez em que o presidente seria o rei” para se referir à característica almejada para a chefia do MPF.
Termos absolutamente incompatíveis com uma instituição que foi lapidada pelo constituinte para ser independente, para servir tão somente à sociedade, para desempenhar funções de fiscalização, contestação e investigação dos atos emanados do Poder Executivo ou do próprio presidente.
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