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Estado de Minas LEGISLATIVO

Saída de tucano divide ALMG

Demissão de Custódio Mattos do cargo de secretário esquentou o clima no plenário. Alguns deputados subiram à tribuna para criticar o governo Zema, enquanto outros comemoraram


postado em 21/08/2019 04:00 / atualizado em 20/08/2019 23:26

João Leite foi o primeiro a reclamar da saída de Custódio e cobrou explicação de Zema: 'Ninguém faz o que o governador fez' (foto: Willian Dias/ALMG)
João Leite foi o primeiro a reclamar da saída de Custódio e cobrou explicação de Zema: 'Ninguém faz o que o governador fez' (foto: Willian Dias/ALMG)

A repentina saída de Custódio Mattos (PSDB) da Secretaria de Governo da gestão Romeu Zema (Novo) dividiu o PSDB mineiro e esquentou o plenário da Assembleia Legislativa na tarde de ontem. Enquanto alguns deputados usaram o microfone para protestar contra o que classificaram de “rasteira” no colega de partido, outros tentaram colocar panos quentes na situação, ao lembrar que o ex-deputado e ex-prefeito foi convidado a participar do Executivo dentro da cota pessoal do governador, sem qualquer interferência partidária. Em nota, a direção do PSDB ressaltou que a bancada manterá a independência em relação ao Palácio Tiradentes.

Fato é que, nos corredores da Assembleia, os comentários eram que a demissão de Custódio Mattos pegou a todos de surpresa: ele foi demitido do cargo logo depois de participar de uma reunião de mais de quatro horas com representantes do setor de segurança pública, na tarde de segunda-feira. A alegação no Executivo é que o tucano, como articulador político do governo, não obteve sucesso na missão de costurar uma base sólida no Legislativo. No plenário da Casa, os deputados se revezaram na tribuna para falar do assunto.

O primeiro a reclamar do tratamento dado ao colega foi João Leite (PSDB). “Ninguém faz o que o governador fez ontem, qualquer que seja o ser humano. Espero uma explicação deste governo”, afirmou o tucano. Para ele, a saída de Custódio Mattos é um exemplo de “política mesquinha”. “Armaram alguma coisa sordidamente que não sabemos, e nem quero saber, e foi apresentada a cabeça de Custódio Mattos à mesa”, completou. O deputado Tito Torres (PSDB) foi outro a reclamar: “Vamos exigir desse governador um pouco mais de transparência e seriedade”. “Como a gente vai confiar em um governo que dá uma apunhalada em uma pessoa que assumiu o governo, indicado pelo próprio governador, e ele faz isso de uma hora para a outra?”.

O clima esquentou quando o deputado Bartô (Novo) pediu a palavra para comemorar a troca no comando da Secretaria de Governo. “Não consigo esconder a alegria de ele ter caído. Foi uma luta muito grande minha para derrubar ele (sic), e todos os meus esforços caminharam nesse sentido”, disse. De acordo com o parlamentar, a demissão de Custódio Mattos foi feita de forma respeitosa e pelo fato de ele não ter prestado um “trabalho bem feito”.

Sobre o fato de Custódio Mattos ter participado da reunião com os representantes da segurança antes de deixar o governo, o deputado disse que foi “um trabalho normal, que não poderia ser interrompido”. Coube a Guilherme da Cunha (Novo), mas comedido, esfriar os ânimos. Afirmou que entendia a surpresa e insatisfação dos tucanos com o episódio envolvendo o ex-secretário de Governo e agradeceu o trabalho feito até segunda-feira por ele. “Não vejo com alegria essa queda e também não colaborei para ela”.

Do lado de fora do plenário, o líder da maioria na Assembleia, Gustavo Valadares (PSDB), argumentou que as nomeações para o secretariado são escolhas pessoais do governador, que tem “o direito de constituir sua equipe a qualquer tempo e qualquer hora”. “A maneira como foi feita não foi a mais interessante e justa. Mas acredito que nem o próprio governo tenha planejado dessa forma”.

Em nota divulgada à imprensa, o presidente estadual do PSDB, Paulo Abi-Ackel, afirmou que o partido não se manifestou na ocasião do convite a Custódio Mattos para assumir cargo no governo, portanto, não se manifestará agora. “O PSDB reafirma sua condição de independência em relação ao governo e reafirma que sua bancada de deputados estaduais permanece com inteira liberdade para votar a favor ou contra matérias de interesse do governo de acordo com a consciência de cada um”, diz o texto.

Consultoria A exoneração de Custódio Mattos foi publicada na edição de ontem do Minas Gerais. A expectativa é que a vaga seja ocupada pelo deputado federal Bilac Pinto (DEM), convidado para assumir o cargo na segunda-feira, durante reunião com o governador Romeu Zema. O anúncio do nome do democrata deve ser feito na sexta-feira, já que, segundo fontes do governo, ele pediu uns dias para preparar a saída da Câmara dos Deputados.

A troca teria sido articulada com influência do presidente da Assembleia, deputado Agostinho Patrus (PV), como uma forma de melhorar o clima na Assembleia para a tramitação das propostas de ajuste fiscal que serão enviadas à casa. Também atenderia a integrantes do Novo, que reclamavam da grande ascendência do PSDB no governo.

Com 72 mil votos, Marcus Pestana (PSDB) ficou como primeiro suplente da coligação que reuniu PSDB, PSD, Solidariedade, PPS, DEM e PP nas eleições de 2018. Procurado pelo Estado de Minas, o ex-deputado disse que não há nada oficial e que iria “pensar” sobre o possível retorno para a Câmara. “Estou em São Paulo trabalhando como consultor na iniciativa privada”, disse. O próximo da fila é o também ex-deputado Fabiano Tolentino.

Agradecimento

Em carta endereçada a Custódio Mattos e divulgada à imprensa no fim da tarde de ontem, o governador Romeu Zema (Novo) agradeceu ao ex-secretário os “relevantes” serviços prestados e a dedicação e empenho que resultaram na assinatura do acordo com os municípios e a aprovação da reforma administrativa na Assembleia Legislativa.
 



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