Jornal Estado de Minas

Deputados pedem mea-culpa de Zema para manter jetons para secretários


Os deputados estaduais vão dar trabalho ao governador Romeu Zema (NOVO) para manter o veto anunciado por ele à proibição do pagamento de jetons para secretários que ocupem cargos em conselhos de empresas públicas. Parlamentares de todos os blocos indicaram nesta quinta-feira (30) que pretendem derrubar a decisão do Executivo e que só consideram rever o posicionamento se o governador fizer um mea-culpa sobre a posição que tinha na campanha eleitoral e logo após a aprovação da emenda vetada, de que considerava errado aumentar os salários dos titulares das pastas com a verba extra.

A emenda que proibiu o pagamento dos jetons foi aprovada praticamente por unanimidade no dia 30 de abril, tendo somente o voto contrário do vice-líder de governo Guilherme da Cunha (NOVO). Logo após a aprovação, Zema afirmou considerar acertada a decisão do Legislativo e disse que o governo estudaria uma forma de aumentar os salários do secretariado. Nesta quinta-feira (30), porém, ele assina o veto, depois de o secretário de governo Custódio Mattos (PSDB) comunicar a decisão aos deputados.

Autor da emenda, o deputado Alencar da Silveira Junior (PDT) afirmou que Zema enviou emissários mas nem mesmo ligou para os integrantes da Mesa da Assembleia para comunicar o veto. “Ele tinha que calçar a cara e falar que errou quando criticou o que chamava de puxadinho (na campanha) e quando disse que a emenda era boa e iria sancionar. Ele tem que se dignar a dizer que errou e pedir desculpas”, afirmou.


Alencar também diz ser contrário ao decreto que o governador vai editar junto com a publicação do veto, que limita o total da remuneração dos secretários, já com o valor dos conselhos, a R$ 35 mil (teto estadual do serviço público). Para ele, os secretários não devem receber mais que os R$ 25,3 mil brutos pagos aos deputados estaduais. “Não vou aceitar que um secretário ganhe mais que um deputado e fique em cima das nossas bases fazendo política e distribuindo verba para depois disputar a eleição  para a Assembleia e a Câmara”, disse.

Independente e Novo


Os líderes dos dois blocos independentes na Casa, Cássio Soares (PSD) e Sávio Souza Cruz (MDB) também afirmam que Zema precisará convencer os parlamentares se quiser ter o veto mantido. “Nossa decisão vai depender muito da justificativa e da coerência do governador, porque ele fez muitas críticas durante a campanha. Também vamos avaliar as alternativas que ele vai propor”, disse. Na mesma linha, o emedebista falou da mudança de posição do governador e disse que vai discutir com os pares sobre a medida.

O deputado Bartô (Novo), um dos três integrantes do partido de Zema, antecipou que vai continuar votando contra o pagamento dos jetons, como fez na votação da emenda.
“Vou ter que votar contra o veto porque o próprio governador deu entrevista depois que votamos a proibição e ontem mesmo (quarta-feira) disse ser contra o jeton. O jeton é o jeitinho brasileiro de ludibriar o povo e não dar uma forma transparente de remuneração aos secretários”, afirmou. O parlamentar disse que aprovaria um aumento para os secretários por considerar baixo o salário bruto de R$ 10 mil atual.

Base e oposição


Vice-líder da oposição, o deputado Léo Portela (PL) afirmou que não faz sentido o governador sinalizar austeridade cortando uso do Palácio, de aviões e fotos oficiais e sugerir aumento para os secretários. “Isso é um escárnio, uma total desconexão com a vontade das urnas e da população que o elegeu com um discurso de economia e corte de privilégios. Não podemos aceitar e tenho certeza que a Assembleia não vai aceitar isso”, disse.

O líder do bloco da base, deputado Gustavo Valadares (PSDB), afirmou que ainda não há acordo com a Casa sobre os vetos de Zema e que vai ser preciso sensibilizar os deputados para que eles sejam  mantidos. “Será importante será uma manifestação pública do governador sobre a necessidade da manutenção dos vetos frente à realidade de se governar um Estado com o salário dos secretários abaixo dos praticados em todo país”, disse..