Brasília – Com o início do feriado de carnaval, deputados e senadores estão concentrados em suas bases eleitorais prontos para aproveitar a maior festa popular do país, mas nem tudo é diversão. Com a discussão da reforma da Previdência pela frente, o abre-alas das bancadas terá como foco captar o nível de apoio da sociedade. Quando sair às ruas, os congressistas estarão atentos ao clima dos foliões em relação à proposta de emenda à Constituição (PEC). A ordem vem da comissão de frente das legendas, ou seja, dos líderes partidários.
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Em velório de neto, Lula volta a criticar sua condenaçãoDesembargador: busca e apreensão 'invade privacidade' do advogado de AdélioLista de investigados pela Receita inclui procuradoresBolsonaro vai negociar cargos para aprovar reforma da PrevidênciaAssim como Martins, congressistas do PSC e de outras legendas também se dividirão entre o descanso e a responsabilidade parlamentar.
O contato entre parlamentares e eleitores em períodos festivos é sempre um termômetro para medir o desempenho legislativo e a aceitação a pautas em debate no Congresso. No caso da Previdência, a mãe das reformas, Coelho prevê uma cobrança maior. “Já notamos muito mais dúvidas do que certezas.
Mais conversas
Munidos de análises qualitativas que as ruas darão, a ideia é que parlamentares permaneçam em diálogo com os líderes dando retorno sobre o clima em torno da reforma ainda durante o carnaval. Na volta às atividades parlamentares, as lideranças se reunirão com suas bancadas para debater os passos seguintes em relação à tramitação do texto.
As bancadas se cercarão também de análises técnicas contrárias e favoráveis à reforma e farão monitoramento das redes sociais para ter uma melhor noção da temperatura em torno da reforma. Munidos das informações, as lideranças já planejam reuniões com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e com o secretário especial da Previdência Social e Trabalho, Rogério Marinho.
Diálogo com a articulação política à parte, os grupos partidários não se mostram sensíveis a votar cegamente com o governo sem tirar dúvidas com a equipe econômica antes. “Já pedi uma reunião com o Marinho para esclarecer algumas dúvidas, como a idade mínima. A média de idade da aposentadoria já é de 65 anos. Então, precisamos entender por que estabelecer essa idade para homens”, comenta Coelho.
Monitoramento
A alegoria do governo também estará a postos. O presidente Jair Bolsonaro permanecerá concentrado na residência oficial, no Palácio da Alvorada, e não na Barra da Tijuca, onde tem uma casa em um condomínio.
O presidente estará em contato a todo momento com os responsáveis pela articulação política: o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, a líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), e o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO). Os três terão a missão de monitorar a fervura aliada durante o período.
A avaliação do governo é de que não haverá necessidade de acionar os bombeiros da interlocução política para apagar algum foco de incêndio na base aliada que começa a ser construída. Mas o monitoramento será necessário. O aceno de Bolsonaro em ceder a pontos na reforma da Previdência não foi bem digerido por todas as bancadas. A posição do presidente em admitir rever a regra da idade mínima das mulheres de 62 anos para 60 não era nem sequer um pleito defendido pelas lideranças.
O aceno de Bolsonaro dividiu líderes. Uns acharam o recuo positivo, um sinal de que está aberto ao diálogo e mantém a avaliação de que “reforma boa é a que passa”. Outros, entretanto, acreditam que passa um sinal de enfraquecimento. “Não estava no horizonte ceder sem os debates nem sequer terem começado. Aceitar mexer na idade mínima, que é a espinha dorsal da reforma, passa incerteza sobre o que o governo quer.
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