O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que o governo Jair Bolsonaro não terá marqueteiro nos moldes de gestões anteriores, mas profissionais para fazer planejamento de mídia. Para ele, o marketing de governo "não pode ser uma forma de expansão de ideologia".
Santos Cruz avalia que administrações passadas puseram a comunicação a serviço de um "projeto de poder" e anunciou a revisão de todos os contratos da área, estimados em até R$ 400 milhões apenas na Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom).
General da reserva do Exército e ex-secretário nacional de Segurança Pública, o ministro afirmou que a discriminação de oficiais das Forças Armadas para cargos-chave no governo parte apenas de quem tem "interesse político". Veja abaixo alguns dos assuntos debatidos.
COMUNICAÇÃO DE GOVERNO - "Temos que tomar muito cuidado para o marketing de governo não ser uma forma de expansão de ideologia. Sou contra a divulgação de ideologia. Acho que, por filosofia, sempre foi assim em governos passados. Sou a favor da informação de qualidade pelo bem público e não pelo projeto de poder. Você deve usar tecnologia e as técnicas de comunicação para divulgar coisas válidas, não seu projeto de poder.
CONTRATOS - "Eu vou rever todos os contratos da Secom. São cerca de R$ 400 milhões em valor de contrato, embora a execução, o gasto, possa ficar abaixo. O porta-voz é uma escolha pessoal do presidente. O general Otávio Santana do Rêgo Barros é uma pessoa preparada e treinada, era chefe do Centro de Comunicação Social do Exército e foi aproveitado. O uso das redes sociais é irreversível, a tecnologia chegou para ficar."
FUTURO DA EBC - "Não posso dizer agora qual é a solução.
MILITARES NO GOVERNO - "Tem muito essa discussão hoje. Eu sou de origem militar, o Rêgo Barros (porta-voz de Bolsonaro) é de origem militar, tem o Heleno (ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional). Agora até ex-militar está contando na matemática.
EMENDAS PARLAMENTARES - "A emenda é uma coisa técnica, um direito que tem o parlamentar de desfrutar daquela emenda em benefício da base dele. Não deve ser instrumento de barganha política. As regras devem ser claras, e o parlamentar deve poder acompanhar a emenda que ele colocou no Orçamento em benefício do público dele, pela internet, e para que o público possa saber que emenda é essa, qual município e para que é, colocar uma ponte...
ONGs - "Precisamos ter um mapeamento completo de quantas ONGs tem, quais são os recursos utilizados, as fontes de recurso, a capacidade técnica e os resultados. Se eu lhe entrego uma quantidade de recursos públicos, sua responsabilidade não é só fazer a contabilidade correta. Eu também tenho que avaliar o resultado. Pode até existir uma boa tomada de contas, mas é deficiente a avaliação de resultado.
ATAQUES NO CEARÁ - "Isso é ação terrorista. É o crime organizado fazendo ações de terror contra a população, destruindo patrimônio público. É crime bárbaro. A reação tem que ser muito forte. Lei a gente tem, mas precisa aplicar de maneira séria. Temos a tal da progressividade de pena. Uma mudança na progressão é uma coisa a ser ao menos pensada. O Estado tem o direito e a obrigação de colocar disciplina dentro do presídio. A sociedade toda tem responsabilidade, todos os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), por terem tolerado esse crescimento do crime organizado. O problema é maior do que o limite do governador Camilo Santana (PT)." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo..