Jornal Estado de Minas

Em discursos de posse, Bolsonaro dá o tom de governo e retoma falas da campanha


Em seus primeiros momentos como presidente, Jair Bolsonaro (PSL), não trouxe novidades em relação às posturas que já vinha adotando. Uma mistura de sinalização de políticas de governo e discursos de campanha deram o tom dos dois momentos em que ele falou com o publicamente: primeiramente no Congresso – instantes após ser empossado -, e no Parlatório do Palácio do Planalto para cerca de 115 mil pessoas que acompanhavam o momento.


Ainda no Congresso, Bolsonaro afirmou que vai "combater a ideologia de gênero", "dar condições de trabalho às polícias e às forças armadas", "combater a criminalidade e a corrupção" e "trabalhar incansavelmente para que o Brasil escreva um novo capítulo de sua história". Nada de novo, quando comparado com as falas que vinham sendo adotadas por ele, até mesmo antes da campanha oficial à Presidência.


Com apelo ao sagrado, “Deus” foi bastante citado por ele ambos os momentos. Lembrado como viabilizador de sua melhora, pela mãos dos médicos, e também, em alguma medida, como critério definidor de políticas públicas. Viés ideológico também foi outra expressão presente e várias vezes citada.


“Quero agradecer a Deus por estar vivo. Pelas mãos de profissionais que operaram um verdadeiro milagre.

Com humildade volto a esta Casa, onde por 28 anos estive como parlamentar. Me deram a oportunidade de crescer e amadurecer. Volto a esta Casa não mais como deputado, mas como presidente da República do Brasil, por vontade do povo brasileiro”, disse o já empossado presidente da República, que se declarou como "fortalecido e emocionado".


Na segunda fala direta ao público, Bolsonaro, já no parlatório do Palácio do Planalto, voltou a reforçar mantras usados ao longo da campanha, como o apartidarismo de seu governo e o fim do que ele considera como interferências ideológicas no encaminhamento das políticas públicas


Temas mais polêmicos não deixaram de marcar presença na primeira fala dirigida diretamente ao público após ser empossado. Ela falou que interpretações dadas até então à política de direitos humanos e também às diretrizes do ensino serão tratados de forma diferenciada.


“Também é urgente acabar com a ideologia que defende bandidos e criminaliza policiais, que levou o Brasil a viver o aumento dos índices de violência e do poder do crime organizado, que tira vidas de inocentes, destrói famílias e leva a insegurança a todos os lugares”, declarou.


Por fim, encerrou dizendo que espera transformar o país em um local próspero. “Sabemos do tamanho da nossa responsabilidade e dos desafios que vamos enfrentar.

Mas sabemos aonde queremos chegar e do potencial que o nosso Brasil tem. Por isso vamos dia e noite perseguir o objetivo de tornar o nosso país um lugar próspero e seguro para os nossos cidadãos e uma das maiores nações do planeta”.

Público

 


A presença do público, superestimado ao longo da semana – chegou a ser cogitada a presença de 500 mil pessoas -, também foi marcante. Sempre ouriçada e com gritos de “mito”, os cerca de 115 mil presentes, segundo levantamento divulgado pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), teve protagonismo ao longo do dia.

Desde as primeiras horas da manhã, quando ainda chovia, o público foi chegando e passou todo o dia exposto às intemperes do tempo e terminou em êxtase com o segundo discurso e com os desfiles em carro aberto, um Rolls-Royce, clássico nas posses.


Primeira-dama


A primeira-dama Michelle Bolsonaro também roubou a cena. Ela discursou na tarde desta terça-feira, na cerimônia de posse do presidente Jair Bolsonaro no Parlatório. Segundo Michelle, “as urnas foram claras. O cidadão brasileiro quer segurança, paz e prosperidade”.

O discurso foi feito em libras, linguagem brasileira de sinais, e traduzido por uma interprete.


Michele também aproveitou para agradecer a solidariedade da população ao seu marido durante o período de recuperação após o atentado em Juiz de Fora (MG). Emocionada, Michelle interrompeu o discurso em um momento e, em quebra de protocolo, beijou Bolsonaro duas vezes.


Na ocasião, a primeira-dama fez um aceno às pessoas com deficiência que, segundo ela, terão atenção especial neste governo. "Gostaria de me dirigir de forma especial à comunidade surda e de deficientes: vocês serão ouvidos", defendeu, e emendou: "trabalho de ajuda que sempre fez parte da minha vida e que a partir de agora, como primeira-dama, posso ampliar de maneira significativa". (Com Agência)

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