Publicidade

Estado de Minas

Bolsonaro diz que não vai a debates por não saber se falará com Haddad ou Lula

O candidato do PSL admitiu a possibilidade de não participar de nenhum confronto até o fim da campanha por questões estratégicas


postado em 11/10/2018 19:14 / atualizado em 11/10/2018 21:04

Bolsonaro admitiu a estratégia de ficar de fora dos debates eleitorais(foto: / AFP / Mauro Pimentel )
Bolsonaro admitiu a estratégia de ficar de fora dos debates eleitorais (foto: / AFP / Mauro Pimentel )

O candidato do PSL à presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou nesta quinta-feira que sua ausência dos debates do segundo turno das eleições se deve ao fato de não saber se quem falaria seria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o presidenciável Fernanod Haddad, ambos do PT.

Em entrevista à rádio CBN, ele questionou a autenticidade do candidato petista, que chamou de “ventríloquo do Lula” e disse que gostaria de saber se ele vai permitir que o crime organizado seja comandado de dentro do presídio. A equipe médica recomendou que ele não participasse de debates no segundo turno até o dia 18, mas Bolsonaro admitiu que pode não ir a nenhum confronto.

“Gostaria de debater com ele sim, mas eu e ele, sem intermediário”, afirmou, se referindo a uma possível influência de Lula.

Bolsonaro disse que não chegou ao segundo turno à frente do adversário por falta de opção, já que havia 13 concorrentes. 

O candidato foi questionado sobre suas declarações a favor do torturador durante o período da ditadura, Brilhante Ustra, e sobre defesas que fez de uma guerra civil para o Brasil e do fuzilamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Bolsonaro disse que as entrevistas foram dadas há 20 anos e que, quando falou sobre fuzilar FHC, usou uma “metáfora”. “A gente evolui, vou governar daqui para frente. Agora, não sou o Jairzinho paz e amor, sou a pessoa autêntica que sempre fui”, disse.

Bolsonaro voltou a dizer que não houve condenação transitada em julgado contra Ustra e que o “outro lado”, no qual enquadrou a ex-presidente Dilma Roussseff e o ex ministro José Dirceu, do PT, cometeu barbaridades e “não condenam”. “Sempre falei que houve excessos dos dois lados”, disse. Ainda falando sobre a ditadura, Bolsonaro disse que também morrem pessoas no carnaval.

O candidato voltou a acusar Haddad e o PT de promoverem o “kit gay” e a ideologia de gênero nas escolas. Questionado sobre como educadores deveriam lidar com bullying nas escolas por motivo de orientação sexual dos alunos, afirmou que as instituições educacionais não devem intervir. “O pai não quer encontrar o filho brincando de boneca por influência da escola. Não tenho nada contra gay, mas isso não se discute”, disse.

Confrontado sobre sua posição em relação às mulheres, Bolsonaro disse que quando falou sobre mulheres ganharem menos que homens estava expressando a opinião de empresários. Segundo ele, “o mercado é que tem que decidir” sobre isso.

Questionado sobre a possibilidade de ter uma mulher no seu ministério, ele disse que vai depender da competência da pessoa. “Pretendo ter 15 ministros. Um já é homem, os outros 14 podem ser tudo mulher, tudo gay ou afrodescendente. O que o povo quer saber não é se quem está em tal ministério é gay ou mulher, quer é que dê conta do recado”, disse.
 
Bolsonaro citou como escolhidos o ministro da Fazenda Paulo Guedes, para Casa Civil o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM/RS) e para a defesa o General Augusto Heleno. Segundo ele, o restante da equipe será definido depois das eleições. O coronel da reserva também questionou quantas mulheres havia no ministério de Dilma e quantos negros no de Lula. “O povo quer alguém que dê conta do recado”, disse.

Bolsonaro voltou a lamentar as agressões de seus apoiadores a eleitores de Haddad e repetiu que não tem controle sobre essas pessoas.  
 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade