Os principais partidos derrotados no primeiro turno da eleição presidencial definiram ontem sobre o apoio aos candidatos que disputam o segundo turno. Jair Bolsonaro (PSL) recebeu o apoio formal do PTB, enquanto Fernando Haddad do Psol, PPL e PSB, além do apoio crítico do PDT. A legenda de Ciro Gomes (PDT) não formalizou o apoio ao petista, mas declarou a rejeição às ideias de Bolsonaro. Outros partidos, como o PP, PSDB, DC e o Novo se manterão neutros na disputa do segundo turno. Ontem, Haddad e Bolsonaro tiveram nova rodada de ataques. O capitão reformado chamou o ex-prefeito de São Paulo de “canalha”.
Leia Mais
Bolsonaro diz negociar com 350 parlamentares em busca de apoio no CongressoBolsonaro recebe apoio de presidente do Chile e de líder de extrema-direita italianoBoulos declara apoio integral a Haddad e propõe mudanças no programa de governo"É Bolsonaro e Anastasia'', diz presidente do PSDB em Minas em vídeo com o capitão''Marmita de corrupto preso'', diz Bolsonaro sobre HaddadDEM libera oficialmente filiados para voto em presidenciáveis no segundo turnoPR também oficializa liberação de quadros para apoio no segundo turnoPor meio de nota assinada por Roberto Jefferson, presidente do partido, o PTB anunciou apoio a Bolsonaro, dizendo que suas propostas “visam um Brasil com mais empregos e melhoria de renda aos trabalhadores, com menos impostos e menos gastos públicos”. Segundo a legenda, os projetos apresentados pelo militar apontam para o um país “eficiente e competitivo”.
Após reunião da executiva nacional, o PSB decidiu apoiar Haddad. “O PSB acaba de aprovar uma resolução em que define o seu apoio no segundo turno ao candidato Fernando Haddad, propondo que se forme uma frente democrática contra uma candidatura que representa o extremo oposto da candidatura das forças democráticas”, afirmou Carlos Siqueira, presidente nacional da legenda.
A cúpula do PSB, no entanto, resolveu liberar os diretórios regionais de São Paulo e do Distrito Federal, onde os candidatos socialistas, Marcio França e Rodrigo Rollemberg, respectivamente, disputarão o segundo turno aos governos estaduais. “Os diretórios poderão examinar as suas coligações e decidir o que devem fazer”, disse Siqueira. Questionado se França ou Rollemberg poderão apoiar Bolsonaro, o presidente da legenda disse que confia “plenamente” que eles tomarão a decisão mais correta em “consonância com a história do partido”.
O Psol também formalizou o apoio a Haddad, ressaltando que mantém “diferenças políticas” e que preservará sua “independência”. “O Psol apoiará, a partir de agora, a candidatura de Haddad e Manuela. Convocamos toda a nossa militância a tomar as ruas para continuar dizendo alto e bom som: ele não!”, diz a nota, destacando, porém, que “a tarefa central neste momento é derrotar Bolsonaro”.
A maior parte das legendas preferiu não se posicionar entre Haddad e Bolsonaro, mantendo a neutralidade neste segundo turno. O Partido Novo anunciou, após reunião do diretório, que não apoiará Bolsonaro, mas se posicionou “absolutamente contrário ao PT” na disputa presidencial.
A opção pela neutralidade foi também do PSDB, DEM e PP. Os tucanos se reuniram na tarde de ontem – em encontro que teve bate-boca entre o candidato ao governo paulista João Doria e o presidente do partido, Geraldo Alckmin – e decidiram liberar seus filiados para apoiar quem quiserem na disputa pelo Palácio do Planalto. “O PSDB decidiu liberar seus militantes e líderes. Não apoiaremos nem o PT nem o candidato Bolsonaro”, disse Alckmin. “Cada membro da legenda deve decidir em quem votar de acordo com sua consciência.”
ATAQUES VIRTUAIS Enquanto articulavam apoios de outras legendas, os dois presidenciáveis não deixaram de trocar críticas nas redes sociais. Um dia depois de chamar o petista de “canalha”, após Haddad propor uma carta de compromisso contra as notícias falsas na internet durante a campanha do segundo turno, Bolsonaro repetiu o xingamento. “Ontem propôs combate às notícias falsas, hoje espalha mentiras descaradas a meu respeito. Quem está a favor do povo faz política com a verdade, não trabalha a serviço de um corrupto preso, nem faz parte da quadrilha que assaltou os brasileiros e colocou o país na lama.
Haddad lamentou a posição de Bolsonaro e afirmou que o adversário deu uma resposta “do nível” dele. “As duas campanhas poderiam se ajudar e contribuir para que o eleitor recebesse informações reais. Acenamos ontem numa entrevista e recebemos uma resposta do nível do candidato”, disse o petista, que usou suas contas na internet para criticar a trajetória política de Bolsonaro. “O radicalismo está do lado de lá. Nunca tive nenhum projeto rejeitado no Congresso Nacional, foram mais de 50 projetos aprovados quando era ministro. Isso porque eu tenho capacidade de diálogo”, postou Haddad.
O petista passou o dia com a Executiva Nacional do partido em São Paulo para traçar estratégias para o segundo turno. E recebeu um recado do ex-presidente Lula, dado pela presidente da legenda, Gleisi Hoffmann: que ele não vá visitá-lo em Curitiba. Aliados defendem que Haddad faça uma campanha descolada de Lula.
Bolsonaro recebeu manifestações de apoio do presidente chileno, Sebastián Piñera, e do líder de extrema-direita Matteo Salvini, ministro do Interior da Itália. Piñera afirmou que o candidato tem o plano de abertura econômica de que o Brasil “precisa”, apesar de ser alguém que gera incertezas. Já Salvini postou no Twitter ao comemorar a chegada do capitão ao segundo turno: “O vento está mudando em todos os lugares”.
Enquanto isso...
…Alckmin e Doria se estranham
O presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin, que ficou em quarto lugar na eleição presidencial, e o candidato ao governo de São Paulo João Doria protagonizaram momentos de tensão durante reunião da Executiva Nacional do partido, em Brasília.
.