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Estado de Minas

Coluna Baptista Chagas de Almeida


postado em 05/10/2018 12:00 / atualizado em 05/10/2018 07:49


Constituição Cidadã com aula de Toffoli

A contagem agora é em horas. As 24 horas de hoje, outras 24 horas de amanhã, já sem propaganda eleitoral, e chega o dia de ir às urnas. Candidata a vice-presidente na chapa encabeçada pelo ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), a senadora Ana Amélia (PP-RS) usou o bordão que antes vinha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): “Presidente sem apoio cai (...) O Brasil precisa de esperança e não de medo”.

Se a torcida do Atlético entra em campo com outro bordão que cabe, em especial a Ciro Gomes (PDT), mas também até para Henrique Meirelles (MDB), “eu acredito” que o cenário já está definido. Dificilmente deixará de ficar entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A turma de Bolsonaro ainda tem esperança até de ser domingo a sua vitória. Difícil saber. Mulheres envergonhadas podem estar escondendo o voto sem deixar as pesquisas capazes de identificar? A resposta só virá de fato nas urnas.

Voltando ao PT, o discurso contra a Operação Lava-Jato, da Polícia Federal (PF), deve ganhar um tom mais que elevado diante da divulgação, que foi ontem, bem às vésperas da eleição, das alegações finais do Ministério Público Federal (MPF) sobre o caso do Instituto Lula e também do apartamento de cobertura que o ex-presidente jura que não tem. O MPF pede ainda regime fechado para todos os envolvidos. No plural, inclusive Antonio Palocci, o da delação premiada.

“Nunca mais, nunca mais a escravatura, nunca mais a ditadura, nunca mais o fascismo e o nazismo, nunca mais o comunismo, nunca mais o racismo, nunca mais a discriminação.” A frase é do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. Basta ela, pinçada de seu longo discurso na solenidade em comemoração dos 30 anos da Constituição de 1988.

Não poderia ser uma data mais apropriada para o cenário nacional do momento. Se a Constituição Cidadã, como foi batizada, selou o processo de redemocratização do país, a democracia está de fato plenamente em vigor, mesmo diante de um cenário político em que o Judiciário não precisaria estar tão presente. Dias melhores virão, já que a impunidade, antes regra, hoje é exceção. Favor não confundir com a exceção do regime militar, que fique claro, bastante claro.

Por fim, direito ao voto foi estendido ao ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB), “sem discriminação” por estar preso, já que cumpre pena na Academia do Corpo de Bombeiros. A recomendação é que ele vá em momento de pouco movimento em sua zona eleitoral, para não criar tumulto, e não conceda entrevistas.

Otimismo
Quem está falando é Fernando Pimentel. “Um pouco mais de otimismo reflete o quadro atual de alguma substituição de importação.” Calma, gente! A informação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). Isso mesmo, ele é homônimo do governador. E espera dias melhores, aposta no Dia das Crianças, na Black Friday e, claro, no Natal. Fernando Pimentel, no entanto, alerta que “não nos parece que essa perspectiva é suficiente para tirar as nuvens do cenário definitivamente”.

Quem é favorito?
The answer may friend is blowing in the wind, the answer is blowing in the wind. Mesmo tendo uma queda nas pesquisas, pouco relevante, vale ressaltar, Eduardo Suplicy (PT) tem tudo para repetir da tribuna do Senado a sua trilha sonora favorita. Blowin’in the wind foi uma canção escrita por Bob Dylan em 1962 e, além do “cantor” petista, foi interpretada por inúmeros outros artistas mundo afora, inclusive no Brasil, com Zé Ramalho, por exemplo.

Uai, eu hein!
Primeiro o registro de que o PT aposta nele para levar o governador Fernando Pimentel (PT) ao segundo turno. Já passou o primeiro recibo, sem ele não vai? O segundo é que ele é integrante do Novo, um partido de direita alinhado às ideias do liberalismo econômico, de acordo com o próprio site da legenda. Seu desempenho como empresário fala por si, já que inclui combustíveis e nada menos que 440 lojas pelo interior do estado. Se já teve primeiro, vale transformar ainda em primeira vez que Romeu Zema disputa uma eleição.

Pedra Bonita
Nas andanças da política, o deputado estadual Agostinho Patrus (PV) fez uma parada que nada tem com ela. É afetiva. Ele passou por Senhora dos Remédios, a terra natal de Maria da Conceição Patrus, mãe de 16 filhos e avó de mais de 70 netos. Vovó Conceição nasceu em Pedra Bonita, um lugarejo belíssimo, pouco conhecido dos mineiros. Por que tudo isso? É que a data de nascimento de vovó Conceição é exatamente 4 de outubro, lá no ano de 1905. Patrus Ananias (PT-MG) é mais um neto que entrou na política. Uma celebração pela data promete reunir toda a família.

Raulzito

Se fosse para atualizar a música de Raul Seixas que cantava “eu nasci há 10 mil anos atrás” para a política, seria necessário incluir a Operação Lava-Jato e as condenações dela derivadas que atingiram dois mil anos de prisão. Para ser exato, são 2.036 anos. Isso mesmo, foram “2.036 anos, 4 meses e 20 dias de pena”, entre 46 sentenças, 215 condenações que atingem 140 pessoas, para não dizer malfeitores.

PINGAFOGO

A propósito de Romeu Zema (Novo), ele cresceu de 9% para 15%. Nos votos válidos, ele se aproxima do governador Fernando Pimentel (PT), que disputa a reeleição e tem 27%. Zema chega, entre os válidos, a 20%. É o que registra pesquisa Datafolha divulgada ontem à noite.

Lula mais uma condenação e Fernando Haddad como o petista com o menor apoio dos eleitores no Nordeste desde 2002, é mesmo grave a situação do ex-prefeito de São Paulo. O padrinho político preso em Curitiba pouco tem ajudado.

Uai, eu hein? Na minha época, o voto era secreto. Tudo bem que todo mundo tem liberdade de declarar em quem votou. Mas, antes mesmo de ir às urnas, o prefeito Alexandre Kalil (PHS) declarar em quem vai votar domingo vira propaganda, não é mesmo?

Bem, se Kalil disse que vai votar duas vezes em Carlos Viana (PHS) para o Senado, o que não é possível, a calculadora dele deve estar com defeito. “Não é que eu não tenha respeito pelos outros candidatos, mas é uma questão matemática.” Ficamos assim.

Se o clima já era de tensão no PT diante de Haddad não conseguir chegar a um eventual segundo turno, melhor ficar por aqui e esperar que a eleição seja tranquila e em paz país afora.

 

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