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Estado de Minas

Em terceiro debate, presidenciáveis discutem radicalização da campanha após ataque a Bolsonaro

O candidato Henrique Meirelles questionou Geraldo Alckmin sobre propagandas agressivas contra Jair Bolsonaro. Tucano afirmou que jamais incentivou a violência.


postado em 09/09/2018 18:36 / atualizado em 09/09/2018 20:39

A necessidade de evitar radicalismos e priorizar o diálogo foi o primeiro tema discutido pelos candidatos à presidência da República no debate deste domingo (9), realizado pela TV Gazeta/Estadão/Jovem Pan.

O candidato Henrique Meirelles (MDB) começou o encontro perguntando para Geraldo Alckmin (PSDB) como é possível mudar o radicalismo político no país, lembrando o atentado ao candidato Jair Bolsonaro (PSL), em Juiz de Fora.

O tucano prestou solidariedade à família de Bolsonaro e afirmou que é necessário um grande esforço conciliatório no Brasil. “Um país dividido não avança. Até mesmo antes de ser candidato já pregava esse esforço de conciliação contra qualquer tipo de radicalismo”, afirmou Alckmin.

No entanto, em sua réplica, Meirelles questionou como as propagandas do tucano atacando Bolsonaro contribuem para uma campanha mais pacífica. Alckmin rebateu dizendo que suas propagandas não pregaram qualquer tipo de violência.

Participam do terceiro debate presidencial os candidatos Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Alckmin, Álvaro Dias (Pode), Meirelles e Guilherme Boulos (Psol). O candidato Cabo Daciolo (Patriota), apesar de ter confirmado a presença, anunciou que não participaria do encontro. Internado após ser alvo de atentado, o candidato Jair Bolsonaro também não participa do debate.

 

LULA

 

A Lava-Jato, prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e os investimentos do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB) no exterior foram alguns dos temas discutidos no segundo bloco do debate promovido pela TV Gazeta em parceira com o jornal O Estado de S. Paulo, a Rádio Jovem Pan e o Twitter.

Questionado por ter investimentos em paraíso fiscal, Meirelles afirmou que o dinheiro aplicado é fruto de salário recebido por trabalho prestado na iniciativa privada. Sem citar os valores, o presidenciável disse que o investimento está declarado em seu Imposto de Renda (IR) e já foi feito um testamento em que destina parte dos recursos para aplicação no setor de educação.

Coube a Marina Silva (PV) e Álvaro Dias (Podemos) comentar a prisão do ex-presidente Lula, que está na sede da Polícia Federal em Curitiba deste 7 de abril, pela condenação no caso do triplex. “O que Lula está sofrendo tem a ver com o poderoso esquema de corrupção montado no governo do PT”, afirmou Marina. Dias afirmou que nos últimos anos o país viveu uma banalização da corrupção em “prol de um projeto de política de longo prazo”.

O candidato Ciro Gomes (PDT) foi questionado sobre a Lava-Jato. Disse que é favorável, mas que juridicamente considera a prisão de Lula “injusta”, já que não havia provas de que o triplex do Guarujá seria do petista.

“O Moro não consegue demonstrar uma prova sequer, e o condenou por um conjunto de indícios. É o primeiro caso assim que eu conheço”, afirmou Ciro, que é professor de direito. Geraldo Alckmin evitou comentar sobre a condenação de Lula, mas disse que é favorável à prisão em segunda instância.
 
ANDAR DE CIMA

Os privilégios e regalias dos membros dos três poderes foi um dos temas do terceiro bloco do debate. Questionado por Guilherme Boulos (Psol), Alvaro Dias afirmou que se eleito presidente, vai acabar com qualquer tipo de benefícios para as autoridades.

“Se queremos mudar o Brasil para melhor, precisamos começar pelo andar de cima, no Legislativo, no Judiciário e no Executivo. Inclusive reduzindo o número de senadores e depuados federais”, afirmou.

Sem citar o nome de Jair Bolsonaro (PSL), Alvaro Dias e Ciro Gomes discutiram sobre os riscos da democracia e o “discurso de ódio na campanha eleitoral”.

“Vejo lideranças insuflando o ódio e a raiva. Como o senhor vê esse momento da democracia?”, questionou Dias. Ciro foi enfático. Disse que as instituições estão desmoralizadas, maioria do Congresso está envolvida nas investigações da Lava-Jato e que o próximo presidente da República terá a tarefa de “reconstituir a saúde das instituições brasileiras”.  


A emenda constitucional do teto de gastos no poder público foi assunto recorrente no quarto bloco do debate. O primeiro a tocar no assunto foi Ciro Gomes, ao ressaltar que qualquer promessa feita pelos candidatos “não passará de mentira” se o próximo presidente da República não se comprometer a revogar o texto. Guilherme Boulos, do PSol, também prometeu extinguir a regra caso eleito, ao responder a uma pergunta feita por internauta sobre investimentos em educação.


“O problema do descaso da educação é uma política para que a educação continue precária e as pessoas não tenham consciência sobre o que acontece no país. Vamos revogar o teto de gastos, que é absurdo, e trabalhar um novo currículo com uma educação tem vai preparar para a vida, não para uma prova no final do ano”, disse. Meirelles criticou: disse que no caso de educação existe apenas um piso para gastos, não um teto. 

A diferença de salário entre homens e mulheres foi outro tema questionado por uma internauta. Meirelles prometeu criar um sistema nacional de informações, em que as mulheres farão denúncias caso se sintam prejudicadas nas empresas onde trabalham. Já Boulos disse que o governo dele terá uma “lista suja do machismo”, com punições para empresas que discriminarem as mulheres, como o impedimento de pegar crédito em bancos públicos.  

 

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