Após cinco meses em "trânsito", o inquérito que investiga o candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB), pelo suposto recebimento de R$ 10,3 milhões via caixa 2 da Odebrecht nas campanhas de 2010 e 2014 ao governo de São Paulo chegou nesta quinta-feira, 6, à Promotoria eleitoral. O caso está em segredo de Justiça.
Nesta quarta-feira, 5, o Ministério Público do Estado ajuizou uma ação civil pública contra o tucano que também envolve supostos repasses da Odebrecht, mas se restringe ao ano de 2010. O promotor do Patrimônio Público Social Ricardo Manuel Castro pediu bloqueio de R$ 39 milhões do tucano, da Odebrecht e outros cinco. A ação é na esfera cível.
Responsável pela investigação, o promotor eleitoral Luiz Henrique Dal Poz, disse, porém, que já teve de enviar o processo ao juiz da 1.ª zona eleitoral da capital, Francisco Shintate, para que ele decida sobre um pedido complementar de compartilhamento de provas feito pelo promotor Ricardo Manuel Castro, o mesmo que moveu ação de improbidade contra Alckmin na última terça-feira, 4, acusando o tucano de receber vantagem indevida no valor de R$ 7,8 milhões na campanha à reeleição em 2014.
Somente após o despacho do juiz e a devolução dos autos é que o promotor eleitoral vai começar a investigar a suspeita de caixa 2 nas duas campanhas, delatadas pela Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato. O inquérito está parado ao menos desde de abril deste ano, quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) remeteu a investigação de Alckmin à Justiça Eleitoral de São Paulo porque o tucano perdeu a prerrogativa de foro após renunciar ao mandato de governador para concorrer à Presidência.
Desde então, o inquérito já mudou seis vezes de instância dentro da Justiça Eleitoral em São Paulo. O promotor Dal Poz e os procuradores eleitorais da segunda instância divergiram sobre a competência da investigação. No dia 13 de agosto, o plenário do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) decidiu em definitivo que a investigação deve ser feita pelo promotor da 1.ª zona eleitoral, mas o inquérito só chegou nesta quinta-feira, 6, nas mãos de Dal Poz.
Além de Alckmin, o promotor incluiu no inquérito o atual governador Márcio França (PSB) e o ex-ministro Guilherme Afif (PSD) porque ambos assinaram a prestação de contas suspeitas de fraude como candidatos a vice na chapa de Alckmin - Afif, em 2010, e França, em 2014. Também são investigados o empresário Adhemar Cesar Ribeiro, cunhado de Alckmin, e o ex-secretário de Estado e ex-tesoureiro tucano Marcos Monteiro, acusados por três delatores da Odebrecht de terem recebido os pagamentos ilícitos.
Planilhas apreendidas pela Operação Lava Jato com Benedicto Junior, o BJ, ex-presidente da empreiteira, vinculam os repasses a dois contratos com o governo Alckmin: um emissário submarino da Sabesp na Praia Grande e a Parceria Público-Privada (PPP) da Linha 6-Laranja do Metrô.
Em depoimento, BJ afirmou que o propósito dos repasses a Alckmin, que saíram do Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, era "a manutenção dos contratos em andamento em São Paulo" e a "proeminência de Geraldo Alckmin no cenário nacional, a sua liderança e de seu partido no Estado de São Paulo".
Em maio, Dal Poz denunciou por crime eleitoral o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) e outras quatro pessoas por ter recebido R$ 2,6 milhões de caixa 2 da UTC na campanha de 2012, na qual o petista foi reeleito. Pelo mesmo motivo, Haddad já foi alvo de ação de improbidade por suposto enriquecimento ilícito e denúncia criminal por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O petista nega..