O economista Gustavo Franco, coordenador das propostas na área de economia do programa de governo do Novo, disse na quinta-feira, 16, que a Petrobras sobreviveu a um "ataque monstruoso" e defendeu a venda de partes "periféricas" da empresa. Já o Banco do Brasil e a Eletrobras estão "prontinhas" para privatizar.
Sobre uma das principais bandeiras do Novo - que tem João Amoêdo como candidato à Presidência -, Franco afirmou que, por princípio, o Estado não deveria ser dono de empresa nenhuma.
O economista participou na quinta da Série Estadão FGV Ibre "Os economistas das eleições".
Um dos pais do Plano Real, Franco defendeu ainda reformas na Previdência, no sistema tributário e no Estado. O economista se disse ainda favorável ao fim da estabilidade do funcionalismo. Veja os principais trechos da entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.
O programa do Novo não dá ênfase à distribuição de renda. Como explicar à população que não se trata de um olhar da elite?
O assunto é antigo, desde o final do Império se diz que o liberalismo é coisa de elite estrangeira, insensível às coisas do Brasil.
Como voltar a fazer superávit?
Um bom roteiro sobre recuperar o superávit foi produzido por um relatório do Banco Mundial, que apareceu há pouco mais de um ano atrás. Mais recentemente teve outro estudo do FMI (Fundo Monetário Internacional) sobre ajuste fiscal rápido versus lento, e a recomendação é que é melhor fazer rápido.
Qual seu modelo para a reforma da Previdência?
O equilíbrio do sistema depende de mudanças dos parâmetros, como a idade mínima. A outra metade do problema seria a previdência por capitalização. Ia trazer o conceito de que a aposentadoria justa tem a ver com a sua poupança, o seu esforço.
A reforma seria na linha da proposta pelo Temer?
A linha, sim, é semelhante, que aqueles temas todos serão endereçados: os sistemas privilegiados, idade mínima, setor público, vamos reformar.
O sr. manteria alguma estatal?
Do ponto de vista do princípio, gostaríamos de não ter nenhuma, pois nenhuma é estratégica ou essencial. A Embrapa, não sei se faria sentido privatizar, tampouco fechar. Ainda que os resultados financeiros sejam ruins, tem o seu papel.
E a Petrobras?
A Petrobras é um caso mais complexo pelo seu tamanho - é quase um país. O tipo de esforço é parecido com o que foi feito com a Telebras.
O trabalho que o ex-presidente da Petrobras, Pedro Parente, estava fazendo seria um modelo?
O Pedro atuou olhando para o endividamento absurdo que a companhia passou a ter em decorrência da pilhagem da quadrilha que se apropriou dela. Como proprietário acionista desse ativo eu não gostaria de ver outra quadrilha chegar lá e fazer o mesmo. Queremos que essas empresas funcionem bem, porque o que fazem é importante para o País. A Petrobras sofreu um ataque monstruoso. Sobreviveu e agora será necessário vender áreas da periferia das suas atividades para reduzir o endividamento.
Qual sua proposta para o funcionalismo público?
É preciso revisitar algumas coisas das quais não se fala há muito tempo como a estabilidade do funcionário público. Alguém dúvida de que houve uma febre de concursos públicos com salários iniciais totalmente fora do mercado para muitas carreiras?
O sr. é contra a estabilidade?
Sim. Acho que poderia haver mais critério no caso da dispensa.
O sr. defende a tributação de dividendos?
Em princípio, não.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo..