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Estado de Minas

Feministas fazem ações para incentivar o voto em mulheres nas eleições

Luta é para mudar situações como a da Câmara dos Deputados, onde elas ocupam só 10,3% das cadeiras


postado em 08/08/2018 06:00 / atualizado em 08/08/2018 08:06


Mais da metade do eleitorado brasileiro, as mulheres correspondem a apenas 11% dos políticos eleitos em 2014, quando cidadãos foram às urnas para eleger presidente, governador, senador e deputados estaduais e federais. Quatro anos depois, uma série de iniciativas se espalha pelo país para incentivar o voto nelas e diminuir esse abismo. Além do voto feminista, campanhas querem dar maior visibilidade às candidatas e impedir candidaturas fictícias usadas somente para cumprir a cota mínima obrigatória de 30% de mulheres nas eleições.

Minas Gerais enfrenta cenário ainda pior. Apesar de elas terem representado 31% dos candidatos em 2014, as mulheres ocupam apenas 7% das vagas concorridas. O estado, que nunca elegeu uma governadora, tem somente seis mulheres nas 77 cadeiras da Assembleia Legislativa. Na bancada mineira da Câmara dos Deputados, apenas cinco das 53 cadeiras são de deputadas.

A pauta feminista tem mobilizado o debate nas redes sociais, com a discussão da descriminalização do aborto no Supremo Tribunal Federal (STF), prometendo ser um dos pontos-chave nas eleições de 2018. A campanha “Meu voto será feminista” quer mobilizar o Brasil inteiro para escolher mulheres como suas representantes nas próximas eleições. Mas, além de sensibilizar o voto nelas, a iniciativa, presente em 17 cidades do país, vai colaborar na campanha de candidatas com propostas afins às da PartidA, movimento feminista criado em 2015 para aumentar a participação delas na política.

“Muitas mulheres são usadas como laranjas nos partidos e não contam com estrutura para concorrer em igualdade com os homens. Estamos levantando voluntárias para trabalhar nas candidaturas e garantir melhor estrutura, pelo menos em recursos humanos”, destaca uma das idealizadoras da campanha, Daiane Dultra. Segundo ela, o apoio é para quem defende a radical democracia feminista, com liberdade de direitos sexuais e reprodutivos.

Em Minas, um grupo de mulheres jornalistas se uniu este ano para mudar a realidade da política no estado. A Campanha Libertas quer dar mais visibilidade às mulheres que concorrem nas eleições de 2018, a partir da cobertura jornalística focada nas candidaturas femininas, independentemente do cargo ou do partido. “A ideia é monitorar também a propaganda eleitoral e fiscalizar se estão sendo aplicados os 30% do fundo partidário para a campanha de mulheres. Há muitos casos de laranjas”, explica uma das idealizadoras, Joana Suarez.

A inspiração veio do projeto Adalgisas, de Recife, que trabalha na mesma linha. Numa campanha de financiamento coletivo no Catarse, as jornalistas lutam para arrecadar R$ 12 mil até 12 de agosto para viabilizar o projeto. “É um impacto que vai muito além de 2018”, diz. Até agora, elas atingiram 72% da meta.

‘AS MINA’ Já o #mapadasmina é uma plataforma digital com objetivo de ajudar o eleitor fluminense a encontrar informações sobre candidatas e suas propostas. Num contexto em que muitas mulheres concorrem somente para cumprir a cota partidária, o mapa vai destacar aquelas que estão para valer na disputa por um cargo político no Rio de Janeiro.

“Vamos mapear candidaturas reais, de mulheres comprometidas com os direitos da mulher”, diz uma das cofundadoras do #mapadasmina, Júlia Rensi. A iniciativa, do Rio de Janeiro, surgiu um ano atrás, antes do assassinato de Marielle. “Marielle se tornou exemplo emblemático. Uma feminista, lésbica, negra que, ao chegar nesse espaço, conquistou uma série de políticas públicas voltadas para as mulheres”, reforça.

No centro da política brasileira, Brasília, surgiu o projeto A candidata, que pretende ajudar mulheres que desejam concorrer a cargos eletivos a planejar melhor sua campanha. “Percebemos que os homens que iam se candidatar já estavam todos com planejamento traçado, ao contrário das mulheres, que tinham maior dificuldade de pôr isso no papel, até por causa do arranjo familiar”, comenta a cofundadora da iniciativa, Bárbara Furiati. Neste momento, A candidata está disseminando informações sobre as eleições e a participação das mulheres nos últimos pleitos.

DE OLHO

Como determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), este ano, os partidos deverão reservar o mínimo de 30% do dinheiro do fundo partidário usado para o financiamento de candidatos para as campanhas de mulheres. Além disso, pelo menos 30% das veiculações em rádios e televisões serão destinadas às candidatas. O objetivo é evitar candidaturas “laranjas”, somente para cumprir a cota de 30% de mulheres entre os postulantes nas eleições.

 

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