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Estado de Minas

Coluna Baptista Chagas de Almeida


postado em 28/06/2018 12:00 / atualizado em 28/06/2018 07:53

(foto: Arte/Soraia Piva)
(foto: Arte/Soraia Piva)

"É o nosso papel, é o nosso dever"

Diversão garantida dá pra dizer. Seu dinheiro de volta, esqueça! Nem os cineastas mais renomados do mundo seriam capazes de produzir um script como houve na sessão do Congresso de terça-feira. Steven Spielberg teria morrido de inveja diante do enredo. Melhor ir direto a ele.

“Larguei todas as festas juninas do meu Ceará. Não posso pegar no laço deputado ou senador para vir votar. Nós temos uma única sessão esta semana, e eu derrubar a sessão? Vou aguardar, tenho tempo, já viajei para aqui estar, derrubei compromissos, eu sei que os senhores e as senhoras também tinham compromissos, mas abriram mão para estar aqui hoje.”

E continua o presidente do Congresso e senador Eunício Oliveira (MDB-CE): “É nosso papel, é nosso dever com a Nação. Então eu não vou derrubar havendo número de deputados... estou aguardando para que, da forma mais democraticamente possível... Vamos tentar votar os vetos... Não voto, eu apenas dirijo a sessão dentro do regimento”.

Eunício foi ainda mais longe e enumerou: “Este destaque, esta matéria foi publicada quinta-feira passada. Quinta, sexta, sábado, domingo, segunda e terça, portanto seis dias...”. E continuou: “Se os líderes não destacaram a matéria, não cabe a mim acatar os destaques nem derrubar a sessão para que os líderes apresentem outros. Eu lamento, eu lamento”.

Líder do PT na Câmara dos Deputados, Carlos Zarattini (SP) insistiu: “Não queremos fazer obstrução só pela obstrução, nós queremos é corrigir... É obstrução técnica. É preciso derrubar a sessão”. Bem, obstrução técnica nunca tinha ouvido falar. Pelo jeito, pouca diferença faz. Afinal, Eunício pouco ligou.

“Que derrubem, derrubem ou mantenham o veto, cabe ao plenário decidir. Não cabe à Mesa, em detrimento dos que aqui estão, que vieram de tão longe para cumprir o seu dever com a Nação. Então, vamos esperar. Esta sessão costuma começar às duas da tarde e costuma terminar às 10h, nove, 10, 11 da noite... Então, vamos esperar.”

Passo a esperar, ops, passo a palavra à deputada Erika Kokay... deputada Erika Kokay.... deputada Erika Kokay... Ausente! Ela demorou, teve outro orador na frente, mas ela apareceu: “Entrega do pré-sal, entrega do pré-sal, governo acabar com o Correio (sem o s) e até a loteria e a Caixa Econômica Federal será entregue (não corrigi de novo para serão e entregues) a estadunidenses”. Ai! Chega...

Ao telefone
Enquanto em alguns gabinetes de deputados de oposição ao governo na Assembleia Legislativa (ALMG) funcionários se desdobravam para atender às ligações de servidores públicos estaduais pedindo “socorro” para tentar receber seus salários em dia, no plenário, parlamentares protestavam contra o atraso no pagamento há dois anos e meio. Sargento Rodrigues (PTB), João Leite (PSDB) e Antonio Carlos Arantes (PSDB) se revezaram nos microfones para repudiar o que vem acontecendo em relação aos servidores.

No plenário
“Aqui nenhum servidor pode fazer planos para nada. O dinheiro não chega”, reclamou o deputado Sargento Rodrigues. Em seguida, o microfone passou ao deputado Antonio Carlos Arantes: “O direito legal e constitucional dos trabalhadores não está sendo cumprido”. Por fim, foi a vez de João Leite, que tratou o atraso como “um grande drama, que anda tirando o sossego de várias famílias”.

Não atracou
Seria amanhã, o que já é piada pronta, mas foi adiada para 10 de julho. Trata-se da reunião na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados para tratar da situação do porto de Angra dos Reis. O requerimento é do deputado Álvaro Valle (PP-RJ). Ele próprio explica: “O Porto de Angra dos Reis já perdeu a sua ferrovia, que foi desativada. Existe um boato de que a Technip Operadora Portuária pretende efetivamente largar a operação. Há uma preocupação dos trabalhadores e de todo setor envolvido. Então, a solicitação desta mesa-redonda é no sentido de que se traga essa pauta para que haja melhores esclarecimentos”. Detalhe, a declaração é de 18 de maio.

Carne fraca
“A declaração de imprestabilidade dos elementos de prova angariados em eventual usurpação da competência criminal do Supremo Tribunal Federal não alcança aqueles destituídos de foro por prerrogativa de função, como é o caso.” Tradução simultânea: foi rejeitada pelo ministro-relator Dias Toffoli a reclamação que alegava usurpação de competência do STF na Operação Carne Fraca. Ele argumentou que não havia “na investigação a presença de indícios minimamente concretos de práticas criminosas cometidas por parlamentar”. A reclamação era do auditor-fiscal do Ministério da Agricultura Juarez José de Santana.

Ele é de BH
O que um economista entende de segurança pública? Era comentário na internet e, já que perguntou, melhor responder, uma vez que passa por Minas Gerais: doutor em economia, Flávio Augusto Corrêa Basílio (foto) já foi secretário-executivo adjunto do Ministério da Segurança Pública, o vice de Raul Jungmann, que, aliás, estudou psicologia, mas não se formou. Foi ministro assim mesmo e sem máculas. O Rio de Janeiro que o diga e agradeça. E trabalhou também com Jungmann no Ministério da Defesa, isso mesmo. As Forças Armadas não reclamaram, muito antes pelo contrário. Só mais um registro: Flávio é de Belo Horizonte. Foi escolhido pelo governo Temer para assumir a Secretaria Nacional de Segurança Publica.

PINGAFOGO

Ainda sobre a nota Carne fraca: a Reclamação (RCL) é um instrumento jurídico com status constitucional que visa preservar a competência do Supremo Tribunal Federal (STF) e garantir a autoridade de suas decisões. Ou seja, sem parlamentar, não é no STF.

Congestionamentos – não confundir com contingenciamentos de emendas parlamentares – de carros mesmo, com os motoristas tentando chegar em casa para assistir ao jogo do Brasil.

O trânsito ficou caótico em BH antes do jogo, mas, do contingenciamento que não houve, os deputados mineiros gostaram. Até 22 de junho, a bancada mineira estava em segundo lugar, com R$ 447,4 milhões liberados. Só perdia para São Paulo. Nada caótico, né?

Stojkovic, Milenkovic, Velijkovic, Zivkovic e por aí vai. Mas o vencedor mesmo da partida do Brasil contra a Sérvia foi Adenor Leonardo Bacchi. Quem? O Adenortite! Aí fica fácil matar a charada.

Sendo assim, vamos torcer para que a Seleção Brasileira dê mais um chapéu no próximo jogo. Ou melhor, um sombrero, já que o adversário é o México, na segunda-feira.

 

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