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Estado de Minas

Coluna Baptista Chagas de Almeida

O ministro Sérgio Etchegoyen é general, hoje na reserva. Só que a Polícia Federal (PF) está de olho é no coronel João Batista, amigo de Temer


postado em 05/06/2018 12:00 / atualizado em 05/06/2018 07:57

(foto: Arte/Soraia Piva)
(foto: Arte/Soraia Piva)

Chama que a polícia vem aí, né coronel?

A frigideira já tinha sido acesa e vinha de todos os lados, inclusive de gente com gabinetes no Palácio do Planalto e pela Esplanada dos Ministérios afora. No meio do caminho tinha a Petrobras e os preços cobrados, tinha a Petrobras no meio do caminho. O presidente Michel Temer (MDB) bem que tentou resistir, mas a pressão falou mais alto. O assunto estava até no palanque eleitoral, basta o exemplo do presidenciável Ciro Gomes (PDT).

“O governo federal, neste momento, está se reajustando para a fiscalização disso, todo o esforço, será posto em um esforço de garantir os R$ 0,46.” Bem, se o esforço é para ser posto, ele deve estar falando do posto de gasolina. Mas, se pode piorar, a declaração é do ministro Sérgio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), ele ainda acrescentou que iria usar “todo o poder de polícia que o governo tem”.

Uai, general? Não seria melhor fazer igual nas estradas e chamar o Exército de novo? Treinar nas estradas os militares já treinaram. Para deixar claro, o ministro Sérgio Etchegoyen é general, hoje na reserva, óbvio. Sendo assim, o jeito é mudar de assunto.

É que a Polícia Federal (PF) está de olho no coronel João Batista Lima, um dos amigos mais próximos do presidente Temer. A diferença que explica porque mudar de assunto é que Lima é coronel, só que da Polícia Militar (PM), nada a ver com as Forças Armadas.

Quanto à Operação Skala e a função de arrecadador de recursos para financiar as campanhas de Temer, quando ele ainda era candidato a deputados federal e até a chegada à vice-presidência de Dilma Rousseff (PT), o melhor é esperar para ver. O que chama a atenção é o fato de o delator-empresário Gonçalo Torrealba morar nos Estados Unidos e só agora tratar disso.

Melhor deixar pra lá e passar ao que interessa de fato. Amanhã, o Congresso faz sessão para instalar cinco comissões mistas. Para deixar claro, vão analisar as MP 829/18, MP 830/18, MP 831/18/, MP 832/18, e a MP 833/18. Todas as medidas provisórias estão ligadas à paralisação dos caminhoneiros nas estradas.

Faz alguma diferença? Mesmo com a questão das estradas já resolvida? Os caminhoneiros levaram a melhor e ponto. Só que amanhã terá eleição dos presidentes e a indicação de relatores para cada uma das MPs. Bem, as medidas são provisórias. Precisam ser aprovadas para não perder a validade. E daí? Daí, nada!

No relógio
Ainda sobre o acordo, parte dele, para o fim da greve dos caminhoneiros, três medidas provisórias (831, 832 e 833) começam a tramitar no Congresso esta semana. Na quarta-feira serão instaladas comissões mistas para analisar os requisitos de urgência e relevância das medidas. O detalhe que interessa, no entanto, é que deve demorar. Afinal, o vídeo (da Câmara dos Deputados) que traz essa informação tão importante tem “apenas” 1:55. Isso mesmo, uma hora e cinquenta e cinco minutos.

Meu futuro
Que futuro é este? Resposta rápida, a minha reeleição, nem pensar. O autor do requerimento para a audiência pública sobre a aplicação dos recursos e a gestão do Fundo Constitucional do Distrito Federal e seus impactos no futuro da capital do país é o senador Hélio José (Pros-DF). Ele vai disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Só está no Senado porque Rodrigo Rollemberg (PSB) assumiu o governo no Distrito Federal (DF). Ah! O requerimento será analisado amanhã, na Comissão Senado do Futuro. É Hélio José quem a preside.

No ICMS, não!
Se o Brasil começou ontem a pagar a conta da greve dos caminhoneiros, os mineiros vão pagar mais que o resto do país. “Deputado não pode ter iniciativa sobre matéria tributária, todos nós sabemos que é inconstitucional e o governo não vai aceitar essa discussão”, avisa o próprio líder do governo na Assembleia Legislativa, Durval Ângelo (PT). O alvo é a redução do ICMS apresentada pelo líder do PV, deputado Agostinho Patrus. Tradução simultânea: em Minas, vale mais o que falo sobre Temer, não o que faço, quando é o governador Fernando Pimentel (PT).

O pãozinho
Enquanto o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) discursava, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) pediu um aparte, solicitando que ele tratasse da “política de preços da Petrobras”. Cristovam refugou, usando o argumento de que o “trigo sobe, mas na padaria o aumento do pãozinho não é imediato. Quanto à Petrobras, é igual nos postos”. Quem subiu na tribuna em seguida, óbvio, foi Vanessa. Fez o comercial que Cristovam se recusou a fazer.

Notícias falsas
Vai sair no Fantástico? Pior é que saiu mesmo. Daí a aprovação, ontem de manhã, isso mesmo, em plena segunda-feira, do relatório com recomendações para que projetos definam ‘fake news’ de forma clara e estabeleçam penas para quem produzir conteúdo falso. Ele foi aprovado no Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, que reúne também pessoas da sociedade civil. Entre as suas atribuições basta destacar uma: a de emitir pareceres e atender a solicitações encaminhadas pelos parlamentares sobre liberdade de expressão.

PINGAFOGO

Em tempo, sobre o senador Cristovam Buarque (PPS-DF). É implicância, mas ao dizer “a sua proposta não acrescenta em nada”, não dá para resistir. É, foi ele, ex-reitor da UnB, que usou as duas negativas. Deixa pra lá.

“Não vale a pena a abstenção nas urnas, não vale a pena o voto nulo, não vale a pena o voto em branco.” O que não vale a pena, senador Hélio José (Pros-DF), não é a “grande abstenção”. É lamentar a necessidade de pedir isso. Será por quê, meu caro senador?

“O seminário tem coordenação geral do deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ), com apoio dos deputados Erika Kokay (PT-DF), Danilo Cabral (PSB-PE), Glauber Braga (Psol-RJ), Alice Portugal (PCdoB-BA), Edmilson Rodrigues (Psol-PA)...

...Luiz Couto (PT-PB), Janete Capiberibe (PSB-AP), Angelim (PT-AC), Luiza Erundina (Psol-SP), e os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Lídice da Matta (PSB-BA) e Marta Suplicy (MDB-SP)”. Para quê? Discutir envelhecimento da população LGBT.

Sendo assim, sem nenhum preconceito, muito antes pelo contrário, melhor parar por aqui. Só os velhinhos LGBT? Os demais velhinhos não? Ficaram de fora. Não merecem uma atenção também?

 

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