Dois acordos e uma greve ainda resistente. Nove dias depois do início da paralisação de um número incalculável de caminhoneiros em todo o país, o governo segue enfrentando sérias barreiras para a normalização. A primeira é a dificuldade em encontrar lideranças representativas da categoria, devido ao grande número de transportadores autônomos. A segunda é a radicalização de grevistas, que levou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha a declarar que as negociações estão concluídas e que a Polícia Federal vai prender os líderes que resistem ao fim do movimento.
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Guardia: não temos espaço para nenhuma concessão adicional aos caminhoneirosGreve dos caminhoneiros já afeta serviços do setor de saneamento, aponta AbconGoverno evita falar em prazo para fim de crise com caminhoneirosSenado aprova a reoneração da folha de pagamentoSobram grevistas, faltam líderes dos caminhoneirosO governo, entretanto, está otimista. “Começa a haver retomada, mas ainda não é o que gostaríamos”, afirmou Padilha.
O fim da greve, porém, é incerto. Ao menos cinco entidades de caminhoneiros já se disseram favoráveis ao fim do movimento, mas a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) e o Sindicato Interestadual dos Caminhoneiros Autônomos não consideram a paralisação encerrada. Outros representantes ainda afirmam que nem todas as reivindicações foram atendidas.
CRÍTICAS O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que o governo subestimou a situação dos caminhoneiros, o que resultou em reação atrasada sobre a crise.
Outros ataques inesperados partiram de empresários. Para a CNI, a edição da Medida Provisória 832/2018 é “grande retrocesso”. A MP fixa valores mínimos de frete para o transporte de carga.
Já a Firjan disse que o Brasil vive momento de “combustão tributária”, segundo declaração do economista-chefe da entidade, Guilherme Mercês. Ele criticou também a decisão do governo de reonerar 46 atividades industriais, com aumento de R$ 9 bilhões na arrecadação, com a justificativa de cobrir perda de R$ 4 bilhões até o fim de 2018 com a redução da Cide e do PIS/Cofins. “A contrapartida para redução do diesel tem que ser a reorganização das contas públicas. Teremos problema se cada setor for requisitar parcela do orçamento”, disse.
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