Jornal Estado de Minas

No Planalto, Cármen Lúcia pede para não ser chamada de 'presidenta'

Brasília, 14 - A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, assumiu na sexta-feira, 13, a Presidência da República no lugar de Michel Temer, que viajou ao Peru para a 8.ª edição da Cúpula das Américas. Segunda mulher na história do Brasil a ocupar o Presidência - a primeira foi Dilma Rousseff em 2010 - Cármen Lúcia deve ocupar o cargo até a tarde deste sábado, 14, quando está previsto o retorno de Temer ao País.

Terceira na linha sucessória, Cármen assumiu o Palácio do Planalto porque os dois primeiros - o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE) -, concorrem a cargos eletivos e, por isso, estão impedidos. Cármen e Temer se encontraram na base aérea antes de o presidente embarcar, por volta das 11 horas.

Cármen cumpriu agenda no Supremo, antes de despachar no Palácio do Planalto, e, na saída, falou rapidamente a jornalistas sobre o fato de assumir o posto: "Cumprir a Constituição é sempre um prazer."

A presidente em exercício chegou ao Planalto pouco depois das 15 horas. Para as audiências, avisou que não gostaria de ser chamada de "presidenta", como Dilma gostava. Optou por despachar na mesa redonda de 13 lugares no gabinete presidencial. Segundo auxiliares, ela não usou a cadeira presidencial.

Cármen foi recebida na sexta no Planalto pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, a quem coube lhe passar uma espécie de briefing diário das atividades do Executivo. Auxiliares que acompanharam o entra e sai do gabinete presidencial brincaram que o 3.º andar do Planalto estava parecido com a Suprema Corte, do outro lado da rua.

Dia do Autismo

Desde a quinta-feira, quando ficou confirmado que Cármen despacharia no Planalto, auxiliares de Temer passaram a fazer um levantamento de atos que ela poderia assinar no Diário Oficial da União durante o curto período no cargo. Em uma das suas poucas ações como presidente da República, Cármen sancionou a lei que institui o Dia Nacional de Conscientização sobre o Autismo, a ser comemorado em 2 de abril.

Em 2016, a ministra foi criticada por pais de autistas por causa de um comentário que fez em entrevista.

Ao ser questionada se os ministros do Supremo demonstrariam o mesmo emprenho nos casos da Lava Jato que tiveram no mensalão, ela disse que sim, e que os ministros não eram autistas. Após a repercussão negativa nas redes sociais, Cármen pediu desculpas. As informações são do jornal

O Estado de S. Paulo.

(Carla Araújo, Rafael Moraes Moura, Tânia Monteiro e Amanda Pupo).