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Estado de Minas

Coluna Baptista Chagas de Almeida


postado em 30/01/2018 12:00 / atualizado em 30/01/2018 16:34

(foto: Arte/Soraia Piva)
(foto: Arte/Soraia Piva)

Previdente que é, até defender o Lula vale

O presidente Michel Temer (MDB) faz maratona de entrevistas para tentar convencer os deputados e senadores de que a reforma da Previdência precisa ser aprovada ainda em fevereiro, é isso mesmo, no mês que está chegando. Mas dá sinais otimistas demais, como no rádio ontem: “Como o Congresso ecoa a vontade do povo, o que está acontecendo é que a pessoa compreende, chega para o deputado ou senador e diz que a Previdência é essencial”.

Será mesmo? Melhor esperar pra ver. Ano eleitoral, demorar mais para aposentar... Sei não. Como Temer faz agrado até ao PT, e diz também que “queria que Lula participasse da eleição para pacificar o país”, é mesmo um otimismo que precisa ser checado no painel eletrônico da Câmara dos Deputados e do Senado. Será que conta com, pelo menos, alguns votos petistas? Resposta rápida: pode esquecer.

Quem faz as contas, que ainda não fecham, é o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Para ele, ou “vota agora ou não vota mais”. Depois, avisou ontem alto e bom som: “A Previdência só será votada com apoio certo”. Na tradução simultânea, a calculadora ainda dá resultado negativo. Tem que trabalhar muito para conseguir sua aprovação.

O encarregado disso é o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB-MS), que é deputado escolado, já foi vereador, esteve na Assembleia Legislativa e agora, óbvio, está licenciado da Câmara dos Deputados. Ele diz que não há plano B.

Vai por bem ou por mal, leia-se o desgaste no plenário com a rejeição das duas denúncias contra o presidente Temer no ano passado. Os colegas do ministro na Câmara já avisaram que a boa vontade se esgotou nos dois processos.

Não é à toa, vale repetir para ficar bem claro, a maratona que faz Temer em telejornais, entrevistas em rádios e por aí vai. Inclua ainda as propagandas nas diversas mídias. E sempre repetindo o argumento de que a reforma da Previdência não prejudica os pobres.

Enfim, é esperar para ver. Fevereiro já bate à porta no Congresso, mas não dá para prever o que vai acontecer. Votar rápido e torcer para os eleitores esquecerem que vão demorar mais para se aposentar é difícil. Mas dando tempo ao tempo, quem sabe?

Temer vem aí?
Não, já foi. E se até elas estão convocadas, sinal de que ainda precisa reverter o placar. É o próprio presidente Michel Temer (MDB) quem disse: “É importante que suas colegas de trabalho, o Brasil inteiro, sensibilizem  os deputados porque eles, de alguma maneira, representam a vontade popular”. Óbvio que as “colegas de trabalho” são do Programa Silvio Santos, do SBT/Alterosa. Será que elas conseguirão sensibilizar os parlamentares no Congresso?

Fez arte
Raul Schimdt foi extraditado, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF). Ele estava em Portugal, para onde se mudou, por ter dupla cidadania. Antes, era dono de uma galeria de arte em Londres, mas mudou-se para terras lusitanas depois do início da Operação Lava-Jato. Fez arte dando propina para os agora ex-executivos da Petrobras. Foi uma verdadeira novela. Desde o ano passado, a Justiça portuguesa já tinha autorizado. Mas sempre tem os recursos, né?

Então desce
Vai subir no palanque? Então desce do cargo. É isso mesmo o que fez o governador Fernando Pimentel (PT), que decidiu antecipar a saída de vários secretários que vão disputar vaga na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados. Será ainda esta semana. Faz todo o sentido. A alegação é de que eles teriam de trabalhar em tempo integral no governo. Como não dá para conciliar a campanha com o cargo, melhor resolver de uma vez.

Ano passado
Uma polêmica danada e que diferença faz? Trata-se da mudança da Secretaria da Pesca, que foi transferida do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. O senador Dalírio Beber (PSDB-SC) considera “um retrocesso”, tanto que ele apresentou um projeto de decreto legislativo para anular a mudança. E é projeto do ano passado. Isso mesmo, de abril de 2017. Então, melhor esperar um pouco mais. Será que agora anda?

O lado certo
Já que no PSDB tem gente de um lado e gente do outro, em especial diante da reforma da Previdência, a agenda do presidente Michel Temer (MDB), bem no finzinho da tarde, foi com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), ex-presidente do partido. O tucano mineiro é da ala que defende votar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que muda as aposentadorias. Como qualquer voto é valioso, óbvio que Temer escolheu o mineiro como seu interlocutor. É o garimpo de votos no ninho. Tanto que ele esteve antes, no meio da tarde, com o também com tucano Ataídes Oliveira (GO).

PINGAFOGO

Em tempo, sobre a exoneração anunciada dos secretários do governo do estado. Quem quisesse ficar teria que dar dedicação exclusiva. Como não tem jeito mesmo, já que eles precisam visitar suas bases, melhor sair de uma vez.

Aliás, já que o governador Fernando Pimentel (PT) vai exonerar os secretários, nada melhor que sua agenda de ontem. Visitou obras para a contenção de enchentes em Betim. Só que é de chuva mesmo, não de cargos.

O rombo nas contas públicas foi de recorde negativo, R$ 139 bilhões. Mas é notícia importante e boa para o governo, já que a meta prevista era de R$ 159 bilhões. Sobre os R$ 20 bilhões a menos, leia-se o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Aliados de Lula, como o ex-ministro José Dirceu, defendem que “não é em defesa de Lula candidato. É em defesa do direito inalienável de Lula ser candidato” e, já que não ofende, combinou com o Judiciário? Inalienável?

Se o ano legislativo na Câmara dos Deputados, com pôr do sol e tudo, só vai começar semana que vem, não há como resistir. O que alguns líderes partidários estão conversando tanto com o presidente Temer? É pra deixar o plenário bem cheio?

 

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