Para conseguir colocar a reforma da Previdência em votação na Câmara dos Deputados na próxima terça-feira, como pretende, o governo precisará conquistar uma média de cinco votos por dia até lá. Essa é a contagem no cenário otimista caso a proposta tenha hoje, de fato, o apoio de 270 deputados, número que ainda tem sido apurado detalhadamente pelos principais articuladores governistas.
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É muito difícil votar reforma da Previdência na próxima semana, diz Rodrigo MaiaServidores intensificam protestos contra reforma da PrevidênciaMeirelles: 'Vamos fazer todo esforço para votar Previdência na semana que vem'Meirelles sobre Previdência: quanto mais atrasar, mais difícil fica lá na frenteTemer diz que adiamento da reforma da Previdência foi ''ótimo''"A reforma da Previdência vai trazer justiça social", diz presidente do BNDESPara aprovar reforma da Previdência governo promete liberar mais verbas Empresários pressionam deputados a votar pela reformaAntes de arriscar a votação, o presidente Michel Temer procura saber não apenas número de votos, mas também quais deputados estão, de fato, alinhados com os interesses do governo. Ele reunirá os líderes para “fazer a contabilidade de um a um e ver onde é que estão os maiores problemas e qual é a distância para os 308 votos”, explicou ontem Rodrigo Maia. Embora o objetivo seja conseguir colocar a matéria em pauta na semana que vem, antes do recesso parlamentar, que começa em 22 de dezembro, Maia afirmou que “de forma nenhuma podemos pautá-la sem uma garantia muito clara de que ela será aprovada”. Por isso, segundo ele, será necessário “trabalhar o dobro para gerar as condições”.
A aposta no fechamento de questão, embora seja uma alternativa lógica a essa altura do campeonato, não é suficiente e não tem o gás necessário para garantir a aprovação. Até agora, três partidos tomaram posição a favor da reforma: PPS, PTB e PMDB. O governo esperava que a decisão dos peemedebistas inspirasse outras legendas.
Negociações
Mas, por enquanto, o mais próximo de seguir o exemplo e também fechar questão é o PP, que tem 37 deputados, mas ainda não se decidiu. O líder do PRB, Eduardo Lopes (RJ), já afirmou que não fechará questão e acredita que hoje conseguiria garantir votos de cerca de 13 dos 22 deputados da legenda. Por parte do PR, o governo só pode contar, até o momento, com o apoio de 10 dos 52, de acordo com uma fonte a par das negociações. Há uma forte cobrança de Temer aos ministros para forçar o fechamento de questão. Em especial a Gilberto Kassab, auxiliar responsável pela pasta da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que é filiado ao PSD. “Há indicativos pelos números apresentados que o apoio do partido ainda não é o ideal”, disse um interlocutor do governo. O número de votos favoráveis está em torno de 22 dos 37 deputados, de acordo com levantamento de integrantes do partido.
Quanto ao DEM, de Rodrigo Maia, e ao PSDB, o governo espera garantir “coerência” das duas siglas.
Estratégias
De acordo com o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), vice-líder do governo na Câmara, além do convencimento, entra agora a “solução de problemas”. O governo ainda tenta apoio por meio da liberação de emendas parlamentares. Ontem, Temer convocou os ministros do Planejamento, Dyogo Oliveira; das Cidades, Alexandre Baldy; da Integração, Helder Barbalho; o secretário executivo do Ministério da Saúde, Antônio Nardi; e o subsecretário de Planejamento e Orçamento da Saúde, Arionaldo Rosendo, para cobrar a liberação de recursos já negociados. “Várias emendas empenhadas ainda estão em ritmo lento. O presidente cobrou maior celeridade nessas liberações”, afirmou o interlocutor.
O governo também aposta boa parte das fichas no “efeito manada”. “É bem possível que, se um votar a favor, puxe o voto de outros”, disse uma fonte do Executivo.