São Paulo, 06 - A reforma aprovada nesta quinta-feira, 5, no Senado não é política, é eleitoral, e favorece a "cartelização" dos partidos que já concentram poder e tendem a se perpetuar nessa condição. A avaliação é da professora de ciência política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Mara Telles.
Que avaliação faz da reforma política aprovada?
A primeira coisa é que não temos uma reforma política, mas uma reforma eleitoral. O que mais me chamou atenção é o fim das coligações e a cláusula de barreira. Isso é bom, porque torna a eleição mais inteligível para o eleitor. Por outro lado, os pequenos partidos terão dificuldades de superar os obstáculos financeiros e de tempo de rádio e TV, e muitas dessas são legendas programáticas. Quem ganhou com a reforma são os políticos que já têm poder, cargo, que são conhecidos e controlam a máquinas partidária. É bom fortalecer as siglas, mas como é que se vão formar novas lideranças? A reforma, até agora, favorece a cartelização das legendas.
O que é cartelização?
Partido cartelizado é aquele que já tem bancada, máquina: só precisa governar, não precisa de representação. É o que acontece com o PMDB.
O que acha do fundo eleitoral?
O valor (R$ 1,7 bilhão) é razoável. Tem de pensar que são 27 Estados, a campanha é nacionalizada e são todas feitas ao mesmo tempo. Na eleição municipal de Belo Horizonte, havia 1.312 candidatos a vereador e cada um recebeu, em média, R$ 300. Ninguém consegue se eleger com isso.
E o ponto considerado censura a comentários na internet?
É muito complicado. Os candidatos podem classificar qualquer tipo de campanha negativa como discurso de ódio. Para esse segundo, já há lei. As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo.
(Marianna Holanda).