Jornal Estado de Minas

Cabo Júlio pede desculpas a deputada Maria do Rosário por chamá-la de 'vaca'

O deputado estadual Cabo Júlio (PMDB) pediu desculpas hoje, no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, por ter chamado, em novembro passado, a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) de “vaca” e por ter atribuído a ela uma postagem falsa que circulou pelas redes sociais.

O pedido acontece pouco dias depois de o Ministério Público ter aberto um inquérito para apurar a conduta do parlamentar. No mesmo mês da ofensa, a deputada entrou com uma queixa-crime contra ele, mas só agora o MP determinou a abertura de uma investigação.

Cabo Júlio disse que termos como o que utilizou ofendem a deputada e o parlamento. “Cabe um pedido de desculpas, que eu faço”, disse o deputado. Logo no início da reunião plenária, ele relembrou seu pronunciamento anterior, quando criticou um comentário que foi publicado em rede social, em nome da deputada, mas que na verdade era falso. Na época, a deputada anunciou que processaria o deputado pela ofensa e pela postagem inverídica.

Tudo começou por causa de um assalto em São Paulo, onde um policial militar, que atuava como motorista de Uber , matou dois homens e um adolescente que tentaram assaltá-lo durante a corrida. A postagem falsamente atribuída dizia que se o PM não tivesse reagido somente uma família teria sofrido.
“Hoje temos três famílias chorando em razão desse PM opressor. Caso ele não tivesse reagido, apenas uma família choraria. Assim o prejuízo seria melhor para a sociedade”.

Hoje ele afirmou que seria uma “postagem fake”, por isso caberia um pedido de desculpas.

Na época o deputado disse que Maria do Rosário deveria levar os menores para casa. “Que pra falar uma bobeira dessa era melhor essa 'vaca' calar a boca. (...) Deputada Maria do Rosário do Rio Grande do Sul, enfie a sua língua onde você quiser, mas não fale esse tanto de bobagem não. Sua 'vaca'”, disse também o deputado na época das ofensas contra a deputada, que já ganhou uma ação contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) por ofensa e incitação ao estupro.


Sanguessuga

Cabo Júlio já foi condenado por improbidade administrativa pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região por envolvimento em fraudes em licitações realizadas com verbas do Ministério da Saúde destinadas à compra de ambulâncias e equipamentos médico-hospitalares, esquema conhecido como “Máfia dos Sanguessugas”. Depois da eleição de 2014, o Ministério Público Eleitoral recorreu contra a diplomação de Cabo Júlio baseado nessa condenação, mas graças a recursos, ele mantém o mandato..