São Paulo, 08 - O que pode dar errado quando um petista e um tucano vão a uma sessão não da Assembleia, mas de cinema assistir a um filme sobre a Operação Lava Jato? Apesar do embate entre as siglas, os deputados estaduais José Américo (PT) e Marco Vinholi (PSDB) aceitaram o convite do Estado para assistirem ao filme Polícia Federal: A lei é para todos.
Sentados lado a lado, eles trocaram ideias tranquilamente durante os trailers. Estão falando em uma continuação. Duvido! Acho que vai ser um fracasso de público, disse Américo ao perceber que a sala não estava lotada. Vinholi, que chegou a estudar Cinema por um período, afirmou que estava curioso para ver a abordagem do diretor.
Sobre a polêmica que ronda o filme - quem são seus financiadores? - os dois concordaram que a não divulgação da identidade de quem investiu grana no longa pode dar margem a suspeitas. O filme tem muitas cenas de estúdio, o que não justifica o custo de R$ 16 milhões, falou o petista.
Lula. Durante a sessão, Américo foi pontuando o que chamou de incongruências. A PF não tem agente? São os delegados que dirigem os carros durante as ações. Incomodou também a reação do Lula do filme durante a condução coercitiva.
No filme, o ex-presidente pergunta sobre o agente Newton Ishii, conhecido como japonês da Federal, e diz que ele é um ladrão. A imprensa toda deu que, na ocasião, o Lula fez uma piada sobre o japonês da Federal.
Vinholi chamou atenção para a participação discreta do juiz Sérgio Moro, interpretado pelo ator Marcelo Serrado. O diretor preferiu focar na PF, afirmou.
Para Américo, o longa é propaganda institucional da PF, uma peça tendenciosa que só visa a atacar o PT e o Lula. O petista achou ruim e raso. O (Eduardo) Cunha quase não é citado.
Vinholi ponderou que o filme cumpre o papel de retratar parte da Lava Jato e disse que deve encontrar ressonância no público. Ele também considerou natural que o foco seja o PT. Normal, era o partido que estava no poder quando tudo começou. No final, o filme foi aplaudido pela plateia.
(Gilberto Amendola).