Brasília, 08 - Relator da ação em que a Procuradoria-Geral da República (PGR) pede a proibição da Polícia Federal (PF) de firmar acordos de colaboração premiada, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), sinalizou nesta terça-feira, 8, que se posicionará a favor da possibilidade de a corporação realizar delação.
"Vamos ver qual vai ser a conclusão da maioria. A minha, vocês já podem imaginar. Como eu disse no plenário , para mim, delação nada mais é que um depoimento. Agora, é interessantíssimo. Começa um depoimento frente à polícia, e, aí, se o investigado quiser adiantar fatos, o delegado vai dizer 'para, para, para, aqui não'?", disse.
O comentário de Marco Aurélio Mello veio após uma reunião com o diretor-geral da PF, Leandro Daiello, realizada na sexta-feira, 4, no gabinete do ministro, com a presença do superintendente da PF no Distrito Federal, Élzio Vicente da Silva, e auxiliares. Na chegada para a sessão da 1.ª Turma do STF nesta terça-feira, Marco Aurélio Mello comentou à imprensa sobre aquele encontro.
"Saí bem impressionado de forma positiva. Eles inspiram confiança. Vieram delegados da inteligência da PF e disseram algo interessantíssimo.
Ele voltou a afirmar que cabe ao Judiciário fixar os benefícios, posicionamento que defendeu no julgamento realizado em junho sobre as diretrizes para a homologação de delações. Como a ação ainda não está pronta para a preparação do voto, porque ainda não voltou ao gabinete de Marco Aurélio Mello após ele ter encaminhado para posicionamento da PGR e da Advocacia-Geral da União (AGU) sobre o assunto, ainda não há um prazo para que venha a ser julgada.
Contudo, o embate entre a PGR e a PF quanto a essa possibilidade pode vir ao plenário antes mesmo desta ação. A reportagem do Estadão/Broadcast apurou que a possibilidade de a PF firmar acordos de colaboração poderá ser analisada numa questão de ordem que o ministro Edson Fachin estuda apresentar, diante do caso concreto que tem no gabinete para analisar: o pedido de homologação do acordo de colaboração do marqueteiro Duda Mendonça, assinado entre ele e a PF.
Uma outra delação proposta pela PF, a do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, está no gabinete do ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal, segundo a reportagem apurou, e também depende de uma definição sobre se a polícia pode firmar colaboração.
Marco Aurélio Mello, no entanto, afirmou que é "preferível" que a definição sobre esse tema seja tomada no julgamento da ação declaratória de inconstitucionalidade (ADI) da qual é relator. "Se já temos uma ADI, processo objetivo, em que nós vamos decidir, seria preferível o plenário definir antes", disse, posicionando-se contra Fachin enviar questão de ordem ao plenário.
'Queda de braço'
Marco Aurélio Mello afirmou também que discutiu no encontro com Daiello o atrito entre a PGR e a PF. "Foi um encontro bom em termos de esclarecimento.
(Rafael Moraes Moura, Breno Pires e Fabio Serapião).