Depois de muita discussão, o PMDB de Minas Gerais chegou à conclusão que a filiação do senador Zezé Perrella ao partido não foi ilegal e que a Executiva não tem poderes para expulsá-lo. Mesmo assim, os parlamentares presentes mostraram que a permanência dele na legenda não será fácil. A Executiva vai decidir em uma próxima reunião sobre a proposta de mandar uma carta ao senador para convidá-lo gentilmente a se retirar das fileiras do PMDB.
Quem apresentou a ideia foi o deputado estadual Douglas Melo, depois que os parlamentares fizeram um debate sobre quais razões teriam levado Perrella a se filiar e de quem teria partido o convite. Antes, foi proposto que ele fosse a uma reunião da Executiva para se explicar.
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PMDB de Minas marca reunião que pode expulsar Perrella do partidoPrimo de Aécio e assessor de Perrella deixam prisão em Belo HorizontePF grava bronca de Aécio Neves em Zezé PerrellaPMDB de Minas vai discutir filiação de Perrella e pode expulsar senadorZezé Perrella se filia ao PMDB e bancada na Assembleia de MG contestaCinco anos após acusação, Zezé Perrella vira réu por improbidade administrativaDe imediato, o presidente do partido, Antônio Andrade, disse que não assinaria tal documento e encerrou a reunião sem votar a proposta. Antes, o presidente da legenda informou que a regra que a bancada estadual reclama ter sido contrariada não atingia Perrella. Segundo ele, somente as filiações de detentores de cargos proporcionais precisa passar pela Executiva e o cargo de senador é majoritário.
O secretário Sávio Souza Cruz disse que ficou claro que a regra não foi contrariada, mas afirmou que há uma clara objeção política à permanência de Perrella no partido. “Não foi posto em votação mas acho que os aplausos demonstram que se o senador permanecer vai ter muitos problemas, dificilmente vai ter legenda pra disputar eleição. O contexto político é muito complexo porque o senador Zezé Perrella tem uma história de política sempre na trincheira oposta do PMDB e as ligações pessoais e políticas são aquilo queo PMDB combate há mais de uma década combate em Minas.”
Sávio se refere ao senador Aécio Neves que, segundo o secretário-geral nacional do PMDB, Mauro Lopes, foi quem teria convidado Perrella a se filiar. Lopes diz que o próprio Perrella lhe contou que o tucano o levou ao presidente Michel Temer e ao senador Romero Jucá para acertar a filiação. O motivo seria aumentar a bancada do partido no Senado para garantir mais uma cadeira na Mesa Diretora e uma comissão.
Até o presidente do PMDB de Minas, Antônio Andrade, disse na reunião ter ficado sabendo da filiação de Perrella quatro dias depois. Ele afirmou que a filiação foi legal, mas que para ser candidato a algum cargo ele precisará do aval do Diretório Estadual. Andrade afirmou que se Perrella não puder ser candidato a senador pela legenda, deve sair por conta própria, mas que a Executiva não tem competência para expulsá-lo.
O deputado Cabo Júlio reclamou de uma conversa com Zezé Perrella na qual o novo filiado teria dito que Romero Jucá havia garantido a permanência dele no PMDB. “Ele teria dito que se a bancada do PMDB enchesse o saco iriam intervir em Minas. O Zezé me disse isso em mensagem que mostrei para a bancada”, afirmou, emendando que no partido ele não tem garantia de legenda para concorrer a nada. Cabo Júlio disse que o PMDB de Minas foi traído com a filiação e considerou uma “aberração” a possibilidade de o convite ter partido de Aécio. Ele reforçou que podem ter dado garantia a ele de que poderia se candidatar, mas que ele não tem essa permissão em Minas.