A crítica petista ocorre justamente no momento em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, virou alvo de bombardeio do governo Michel Temer depois de determinar a abertura de um inquérito para apurar suspeitas de corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa por parte do presidente.
Segundo o PT, o republicanismo, sempre grafado entre aspas, dos governos Lula e Dilma é um dos motivos pelos quais o partido tem sido atingido pela Lava Jato e foi atingido pelo escândalo do mensalão.
Sem aquele tipo de republicanismo, a Operação Lava Jato e antes dela a Ação Penal 470 (mensalão) não teriam conseguido instalar a justiça de exceção organizada com o objetivo de destruir o PT e Lula, diz o projeto de resolução aprovado pelo congresso petista.
A postura criticada pelo PT faz parte, há anos, do discurso petista de combate à corrupção.
Em seus discursos, Lula sempre se refere ao ex-procurador-geral Geraldo Brindeiro como engavetador-geral da República, que nunca foi o primeiro da lista do MPF, mas ocupou a chefia da PGR por quatro mandatos consecutivos no governo Fernando Henrique Cardoso.
Crítica
José Eduardo Cardozo e Tarso Genro, os dois petistas que ocuparam o Ministério da Justiça nos governos Lula e Dilma, discordam da posição do PT.
O partido tem a sua opinião. Nas condições que estavam dadas, as escolhas foram corretas, disse Cardozo.
A crítica ao republicanismo faz parte do capítulo sobre balanço. Ironicamente, a reavaliação dos 13 anos de governos petistas era um pleito das correntes de esquerda do PT que esperavam usar o 6.º Congresso para um acerto de contas interno em relação aos casos de corrupção que levaram o PT à maior crise de sua história. Infelizmente aconteceu o contrário. Barraram a autocrítica e culparam nossos acertos, disse um dirigente petista.
Os projetos de resolução foram aprovados na íntegra pelo PT, mas ainda devem passar por mudanças na redação até o final da próxima semana. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
(Ricardo Galhardo).