Para embasar a crítica a Janot, auxiliares de Temer usam uma degravação feita pelo Palácio do Planalto da conversa entre o presidente e o empresário Joesley Batista, dono da JBS. Segundo eles, a Procuradoria-Geral da República escondeu um trecho da conversa na qual Temer faz a seguinte afirmação a Joesley: Pode passar pro e-mail dele (Loures); é da minha mais estreita confiança. Nas versões da conversa que têm sido divulgadas até agora, a palavra e-mail aparece como inaudível.
Na avaliação do Planalto, Temer não pediria para Joesley enviar um e-mail a Loures para tratar de assuntos impróprios. Só uma pessoa com irresponsabilidade jurídica e intelectual poderia fazer uma afirmação dessas, disse um assessor próximo do presidente.
Ao reapresentar no STF o pedido de prisão preventiva de Rocha Loures, Janot o classificou como homem de total confiança, verdadeiro longa manus do presidente da República, Michel Miguel Elias Temer Lulia. A expressão em latim significa executor de tarefas.
A prisão de Rocha Loures provocou muita preocupação no Palácio do Planalto. Nos bastidores, a avaliação do governo é a de que há uma parceria entre Janot e Fachin para desgastar o presidente.
Em conversas reservadas, assessores do Planalto dizem não acreditar que Rocha Loures incriminará o presidente simplesmente porque não tem o que delatar. Afirmam, porém, que tudo está sendo feito pela Procuradoria para pressionar Rocha Loures e arrancar uma delação contra Temer.
(Ricardo Galhardo e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo).