(none) || (none)
UAI
Publicidade

Estado de Minas

Investigados da lista de Fachin têm patrimônio de R$ 400 milhões

Levantamento do EM foi feito com base nos bens declarados ao Tribunal Superior Eleitoral por citados pelo ministro-relator da Lava-Jato no STF como beneficiários de propina da Odebrecht


postado em 19/04/2017 06:00 / atualizado em 19/04/2017 07:44

Os investigados que figuram na lista do ministro Edson Fachin acumulam um patrimônio de mais de R$ 400 milhões, segundo declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas últimas eleições. Levantamento do Estado de Minas mostra que a lista de bens inclui aviões particulares, lanchas, cabeças de gado, carros importados, imóveis de luxo e muitos terrenos espalhados pelo país. O montante não contempla alguns dos citados, que não são obrigados a declarar seus bens, como marqueteiros, ministros e empresários. Além disso, os valores podem estar defasados, uma vez que grande parte se refere às eleições de 2014.


O ex-diretor Operações Estruturadas da Odebrecht, setor apelidado de “departamento da propina”, Hilberto Mascarenhas disse, em delação premiada, que a área criada dentro da empreiteira para fazer o pagamento a políticos movimentou mais de R$ 10,6 bilhões entre 2006 e 2014. O simples fato de ter patrimônio, porém, não quer dizer que esses bens serão bloqueados para ressarcir os cofres públicos. Segundo o advogado criminalista Marcelo Peixoto, os bens só serão usados caso os investigados sejam condenados e se for comprovada a origem ilícita dos mesmos.

“O código de processo penal tem medidas asseguratórias para garantir que eventual produto do crime seja restituído ao Estado ou a terceiros que tenham sido lesados. Mas estamos em uma fase de investigação, tem que apurar a autoria e a materialidade dos crimes”, disse. Peixoto lembra que é muito comum traficantes, por exemplo, perderem carros ou casas, mas, para isso, reforça o advogado, “é preciso comprovar que o dinheiro ou bem veio de origem ilícita”.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que teria sido favorecido pela Odebrecht com R$ 12 milhões em sua campanha ao governo do Mato Grosso em 2006 é o dono do mais robusto patrimônio. Ele tem declarado ao TSE bens que somam R$ 152,4 milhões.
Conhecido pelo codinome de “Caldo” na lista da empreiteira, Maggi é dono e sócio de várias empresas. Ele declarou oito terrenos e 12 terras nuas. Possui ainda títulos de clube, casa, apartamentos, créditos de empréstimo, ações e aplicações.

Ferrari, jato e fazendas

Também entre os donos de patrimônios milionários estão Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado, apelidado na planilha da Odebrecht de “Índio”. Ele tem declarados R$ 36,7 milhões. Já o ex-presidente Fernando Collor, senador por Alagoas, tratado como “Roxinho”, declarou R$ 20,3 milhões. Entre os bens listados está uma Ferrari de R$ 556.025,80. Ele também é dono de um imóvel de R$ 4 milhões.

No caso dos governadores, o destaque fica por conta do Robinson Faria (PSD), do Rio Grande do Norte, conhecido na planilha da Odebrecht como “Bonitinho”. Segundo a declaração de bens disponibilizada pelo TSE, ele tem patrimônio de quase R$ 8,3 milhões.

A soma mais vultosa está em 31 apartamentos em nome do governador que, juntos, valem cerca de R$ 4,087 milhões. São duas unidades no residencial Veleiros e outros 29 no Residencial Jangadas, todos localizados em Parnamirim (RN).

Ainda na Região Nordeste, outros dois parlamentares se destacam na lista dos investigados com grande quantias em bens. O deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), que deixou o governo acusado de tráfico de influência para liberar a construção de um prédio em Salvador, declarou patrimônio de R$ 7,7 milhões. O parlamentar, que ganhou apelido de “Bitelo”, possui 10 fazendas pelo interior da Bahia.

No Piauí, o deputado Heráclito Fortes (PSB), citado pelos delatores da Odebrecht como “Boca Mole”, tem um patrimônio de R$ 5,1 milhões. Ele é dono de uma aeronave King Air C9-GT, avaliada em R$ 3,7 milhões. O senador Ivo Cassol (PP-RO) tem R$ 29,8 milhões, um dos maiores patrimônios dos citados na lista de Fachin.

Um dos políticos mais próximos do presidente Michel Temer (PMDB), o senador Romero Jucá (PMDB-RR), em sua mais recente declaração de bens disponível no TSE, não apresenta propriedade de nenhum imóvel, como casa ou apartamento. Há apenas um terreno na Praia de Pau Amarelo, em Paulista (PE), no valor de R$ 4 mil. O total de patrimônio declarado por ele soma aproximadamente R$ 608 mil. Em contrapartida, o filho do parlamentar, Rodrigo Jucá, têm participações em dezenas de terrenos, casas e fazendas. Rodrigo declarou ter bens cerca de seis vezes maior que o pai, totalizando quase R$ 4,5 milhões.

 


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)