Uai, quem recebeu por fora não sairá?
Melhor dar a frase do presidente Michel Temer (PMDB) para ficar mais claro: “Não vou demitir ou exonerar porque alguém falou de outrem”. E ainda fez questão de pedir desculpas diante da frase “não vou colocar pra fora”, que tinha usado antes. Afinal, são apenas oito ministros, é, oito, que estão listados pelo ministro Edson Fachin, encarregado de homologar a lista da Odebrecht, que já dispensa apresentações.
A lista inclui, em ordem alfabética dos ministérios para não fazer nenhum juízo de valor: os ministros Blairo Maggi (PP), da Agricultura; Eliseu Padilha, da Casa Civil da Presidência da República; Bruno Araújo (PSDB), das Cidades; Gilberto Kassab (PSD), da Ciência e Tecnologia; Marcos Pereira (PRB), da Indústria, Comércio Exterior e Serviços; Helder Barbalho (PMDB), da Integração Nacional; Aloysio Nunes (PSDB), das Relações Exteriores; e, por fim, Moreira Franco, da Secretaria de Governo.
Sem fazer juízo de valor da lista, fica difícil saber, ao certo, quanto eles receberam “por fora”, sem declarar, seja na Justiça ou no Imposto de Renda. Na planilha do ex-dirigente da Odebrecht Benedicto da Silva Júnior, a conta (no total) chega a R$ 246 milhões. Tudo isso em caixa dois para 179 políticos.
Acho pouco, deve ter mais, mas a planilha completa o comandante da área de Operações Estruturadas Hilberto Mascarenhas declarou ter jogado no mar. E em Miami, é isso mesmo, o oceano de envolvidos foi parar nas águas marítimas dos Estados Unidos. Como faz tempo, não dá mais para pescá-la. Se fosse possível, a lista poderia indicar os “outrem” de Temer.
Será difícil.
Para ser justo, vale o registro de que há notícias de FHC em missas, a de sétimo dia de sua esposa Ruth Cardoso, a de dona Marisa Letícia, mulher de Lula, e a de Nelson Mandela, atendendo “convocação” da então presidente Dilma Rousseff, junto com os ex-presidentes Lula, José Sarney e Fernando Collor de Mello.
Voltando ao que interessa, previdente que é, o presidente Michel Temer (PMDB) quer aprovar a reforma da Previdência. Nesta semana pode esquecer. Na que vem, pode até ser, fácil, no entanto, não será. O mundo político anda é previdente, no sentido de ser precavido, previsor, prudente. Eles anteveem que o ministro Edson Fachin e o juiz Sérgio Moro são implacáveis.
A agenda política não está mais nos plenários, tanto na Câmara dos Deputados e ainda mais no do Senado, onde 24 senadores, praticamente um terço deles entre os 81, andam encrencados. Ela está,
de fato, é nos tribunais.
Meirelles não
Entrevista é só em rádio, sem dar as caras, sem se mostrar. É uma atrás de outra, em especial às emissoras do Nordeste. Só que, agora, foi na Jovem Pan, espalhada por vários estados país afora, inclusive aqui em Minas. Tudo para dizer que alguns de seus ministros – voluntariamente – destacou, devem pedir para deixar o governo. Em tradução simultânea, só não dá para demitir em uma hora dessas o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que segura a economia. E olha que ela pode surpreender, se a política deixar, e voltar a ficar em alta antes do previsto pelos economistas.
Foi ontem
O Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão autorizou a nomeação de aprovados em concurso público para o Ministério das Relações Exteriores e para o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). É piada pronta: a autorização foi “planejada” para tentar “aposentar” as delações na Operação Lava-Jato da Polícia Federal (PF), em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF).
Para ser justo
Vivem mais e querem mais ainda. Ou melhor dizendo, menos. A coordenadora da bancada feminina na Câmara dos Deputados, Soraya Santos (PMDB-RJ), teve reunião com o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy (PSDB), para reduzir a idade mínima de aposentadoria das mulheres. Merecer, elas merecem. Um dos argumentos de Soraya é “dupla jornada, até tripla”. Faz sentido, daí o título da nota. Além de trabalhar, elas tomam conta da casa e cuidam dos filhos, embora isso esteja mudando, tem marido que ajuda, também é necessário registrar.
O garanhão
Criatividade é o que não falta na lista da Odebrecht. Em sua delação premiada, Alexandre Barradas, um dos executivos da empreiteira, diz ter tratado diretamente com o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN) e feito uma doação de R$ 100 mil na campanha de 2010. O melhor, no entanto, é o apelido na planilha: “Garanhão”.
Agenda cheia
Em plena segunda-feira, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve agenda cheia. E só ele. Mas nada de Lava-Jato ou delações premiadas. Ela tinha visita institucional de dirigentes do Instituto de Defesa do Direito de Defesa, uma visita de cortesia do prefeito de Rondinha (RS), Ezequiel Pasquetti, e audiências de uma RE, outras de INQ e mais uma de HC. Bem, INQ e HC dá para entender, inquérito e habeas corpus são fáceis. Já RE nem tanto, mas na hora de traduzir fica fácil, é o recurso extraordinário. Um recurso tratado pelo próprio STF como excepcional. Os dois adjetivos servem para Fachin.
PINGAFOGO
Ah! Ainda sobre a entrevista do presidente Michel Temer (PMDB). Já que ele fez questão de frisar que alguns ministros devem sair “voluntariamente”, de fato, eles são voluntários, só que a depor ao juiz Sérgio Moro.
O ex-presidente Lula não vem, sexta-feira, receber a Medalha da Inconfidência, a principal honraria de Minas. E olha que seria o orador oficial. Faria discurso. Eu disse discurso, não delação.
É “fantástico”. Todas as notícias do telejornal global Hoje de ontem sobre o escândalo da Odebrecht eram de anteontem, já tinham passado no programa dominical da emissora. E nem mudaram a edição.
Em plena segunda-feira, de manhã e no início da tarde, não dava mesmo para ter notícias novas de ministros do Supremo e de deputados e senadores da Câmara Federal e do Senado. No máximo, estariam voando para Brasília.
A previsão é do mês passado. O mercado financeiro elevou a previsão de um crescimento de 0,48% para 0,49% de alta para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. Mas elevar a previsão de 0,48% para 0,49%, me poupe. O serviço de meteorologia política informa que 0,01% de aumento do PIB nem na margem de erro da pesquisa entra.
.