Hoje, o prazo de desincompatibilização varia de acordo com o cargo público. Pela legislação vigente, ministros, secretários de Estado e municipais, auditores fiscais, diretores e superintendentes de autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista têm de deixar os postos no mínimo seis meses antes da disputa, ou seja, em abril. Já dirigentes de entidade de classe, quatro meses antes, e servidores públicos em geral, três meses antes. Pela proposta do relator, todos os prazos passariam a ser de quatro meses.
No parecer, Cândido também sugeriu a redução do tempo de filiação e de domicílio eleitoral dos candidatos. Pela proposta do relator, o candidato deve estar filiado ao partido e possuir domicílio eleitoral na cidade ou região em que irá concorrer nove meses antes da eleição. Hoje, ele precisa ter domicílio eleitoral fixado pelo menos um ano antes do pleito e estar com filiação aprovada pela direção partidária no mínimo seis meses antes da data da eleição.
Cândido propôs ainda a extinção dos cargos de vice-presidente, vice-governador e vice-prefeito e de uma suplência de um senador. Hoje, candidatos ao Senado disputam um pleito com dois suplentes.
No relatório, o petista também sugere que eleições para cargos do Executivo e do Legislativo sejam em pleitos diferentes. Hoje, prefeitos e vereadores são eleitos juntos, enquanto governadores, deputados estaduais, federais, senadores e presidente em outra eleição. Cândido também propõe mudança nas datas de posses: 9 de janeiro, prefeitos e governadores; 10 de janeiro, presidente da República; e 1º de fevereiro, todos os parlamentares. Atualmente, todos os políticos eleitos tomam posse no primeiro dia do ano.
Lido nesta terça-feira, o parecer de Cândido ainda precisa ser discutido e votado na comissão, o que ainda não há data para acontecer. Do colegiado, poderá seguir para ser votado no plenário. Segundo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), essa votação em plenário só deve acontecer após a aprovação das reformas da Previdência e trabalhista. Assim, a reforma política só deve ser votada no final deste semestre. Para valer em 2018, as mudanças devem ser aprovadas na Câmara e Senado até o início de outubro.
Lista fechada
No relatório, Cândido também confirmou a proposta de sistema de eleição de parlamentares por meio de lista fechada. Por ele, o eleitor vota no partido, que estabelece uma lista pré-ordenada dos candidatos que serão eleitos - hoje ele vota diretamente no candidato. Para evitar o "caciquismo partidário", o relator sugere que os partidos sejam obrigados a elaborar as listas por meio de prévias, convenções ou primárias. Prevê também alternância de gênero: para um grupo de três candidatos da lista, pelo menos um deve ser de sexo diferente.
Na proposta do petista, a lista fechada valeria para as eleições de 2018 e 2022. A partir de 2026, ele propõe a adoção do sistema eleitoral misto, em que metade das vagas para um parlamento seriam escolhidas por lista pré-ordenada e a outra, por sistema distrital.
Na discussão do parecer na comissão, a lista fechada foi um dos temas que enfrentou mais resistência. Para parlamentares, o tema não será aprovado. "Minha impressão é que não passa, tanto que na última tentativa teve apenas 21 votos", afirmou o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG). Segundo ele, o PSDB defende o sistema distrital. Para o tucano, ou se produz consensos envolvendo dirigentes partidários e parlamentares ou nenhuma proposta da reforma política será aprovada.
Fim das coligações
Cândido também propôs o fim das coligações em eleições proporcionais, ou seja, para deputados e vereadores. O Senado já aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nesse sentido em novembro do ano passado. A PEC, que está parada na Câmara, também prevê a criação de uma cláusula de desempenho eleitoral, chamada de "cláusula de barreira", para que partidos tenham acesso ao fundo partidário e ao tempo gratuito de televisão.
O fim das coligações e a cláusula de barreira, porém, enfrenta resistência de partidos pequenos, como o PCdoB. O argumento é de que a proposta visa acabar com os partidos pequenos.
Financiamento
Cândido também confirmou no parecer a proposta de criar um fundo eleitoral, abastecido com recursos públicos, para bancar parte das campanhas. Ele sugere que, em 2018, a União destine R$ 1,9 bilhão para o primeiro turno das eleições e R$ 285 milhões para o segundo turno. Pela proposta, 2% desse montante deve ser dividido igualmente entre os partidos, e o restante proporcionalmente, de acordo com o desempenho eleitoral dos partidos para Câmara no pleito anterior.
De acordo com o relator, o fundo poderá bancar até 70% do teto de gastos das campanhas. Os outros 30% poderão ser arrecadados por meio de doações de pessoas físicas, limitadas a até cinco salários mínimos. O teto proposto pelo petista varia de acordo com o cargo e com o Estado. O maior será para candidatos a presidente da República: R$ 150 milhões. Para governador, o maior teto será no Estado de São Paulo, R$ 30 milhões, e o menor, em Roraima, R$ 4 milhões.
No parecer, Cândido também confirmou proposta para limitar a 10 anos mandatos de membros de Cortes como Supremo Tribunal Federal (STF), Tribunal de Contas da União (TCU) e dos Estados (TCE) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), nomeados por indicação política.
Pela proposta, até mesmo desembargadores indicados por governadores pelo quinto constitucional teriam mandatos limitados. Hoje, a maioria dos integrantes dessas cortes tem mandato vitalício..