A empreiteira - cujo acordo de delação foi homologado na segunda-feira passada pela presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia - é acusada de repassar dinheiro desviado dos contratos da estatal ao partido, a pedido do ex-ministro Antonio Palocci.
Pessoa foi a primeira testemunha ouvida por Moro, na retomada dos trabalhados da Lava Jato, em 2017, em Curitiba.
Delator desde 2015, o dono da UTC foi chamado pelos procuradores da força-tarefa da Lava Jato como testemunha de acusação, no processo em que Palocci - ex-titular da Fazenda (governo Luiz Inácio Lula da Silva) e da Casa Civil (governo Dilma Rousseff) - é réu, ao lado de Marcelo Odebrecht e do marqueteiro João Santana.
Segundo Pessoa, os pagamentos de propinas seriam "contrapartida" por contratos da Diretoria de Abastecimento da Petrobras.
Alvo principal do processo, Palocci é acusado de ser o responsável pelo acerto com empreiteiras. Ele está preso desde setembro de 2016. Pessoa disse que nunca tratou com o ex-ministro, mas com o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto, preso desde abril de 2015.
O dono da UTC afirmou ainda que os pagamentos eram repassados de duas formas: "ou pagamento direto na conta nacional do partido ou em espécie". Pessoa disse que havia uma "conta geral" da propina.
Advogado de Palocci, José Roberto Batochio disse que seu cliente é inocente e que os delatores não poderiam ser ouvidos pelo juízo como testemunhas, mas como informantes. O PT afirmou que todas as doações recebidas foram legais. A defesa de Vaccari não foi localizada. A Odebrecht não comentou, mas disse colaborar com a Justiça.